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Mostrando postagens com o rótulo eleições

Que se vayan todos

Por Fernando Schüler Javier Milei causou sensação com seu desempenho nas primárias argentinas. Em parte, porque é um lobo solitário. Um “grito de guerra”, como diz o antropólogo Pablo Semán, o “que se vayan todos”, e faz mover os jovens dos bairros esquecidos da periferia de Buenos Aires. Mas a novidade é ser um “libertário”. Parte da imprensa apelidou Milei de representante da “extrema direita”, o que revela mistura de mau humor e preguiça intelectual. O mais curioso foi ver o sujeito dito como um “alto risco para a economia argentina”, como escutei em um programa de televisão. O peronismo vai entregando o país quebrado, inflação a 115% e a pobreza atingindo 40% da população. Mas perigo é Milei. As narrativas, desde sempre, definem o teatro da política. Nesse caso, dirão que ele foi instrutor de kama sutra e que dorme com seus cachorros, mas pouca coisa sobre fazer um programa de demissão voluntária no setor público e derrubar a carga tributária. Talvez isso tudo seja particularmente ...

Lula é o que se pensava que Bolsonaro viria a ser

Por Arthur Virgílio Fui colega de Bolsonaro na Câmara dos Deputados e depois, no Congresso, eu senador e ele deputado. Nossas relações eram frias, distantes, porque víamos o mundo com olhos bem diferentes. No 2o turno da eleição presidencial, votei Bolsonaro, porque sua política econômica, delineada por Paulo Guedes, reduziu a relação dívida pública/PIB, diminuía o desemprego. Saiu-se melhor da pandemia que potências como EUA e fortes países europeus. Convivia respeitosamente com o Banco Central autônomo, presidido pelo pós-doutor em Economia, pela Universidade de Chicago, Roberto Campos Neto. Votei em Bolsonaro, porque não podia votar no homem do mensalão e do petrolão, este útimo uma série de negociatas que surrupiou R$ 1 trilhão da Petrobras. Sentia irritação quando via Bolsonaro falando coisas impróprias nas conversas diárias com seguidores, no tal “cercadinho”. Ficou marcado, pela grande imprensa, como um autoritário. Mesmo tendo ojeriza aos ditadores venezuelano, cubano, nicaragu...

Gaslighting

Por Leandro Ruschel O que estamos vivendo no Brasil é uma massiva operação de gaslighting. Para quem não é familiarizado com o termo, ele se refere a uma peça inglesa de 1938, em que um marido manipula psicologicamente a sua esposa, tentando levá-la a acreditar na própria loucura. Ele diminuía a intensidade das luzes da casa, e quando a esposa notava, afirmada que as luzes estavam com a mesma intensidade, seria tudo imaginação dela. Ele sumia de forma repentina e voltava horas depois, para dizer que nunca havia saído. Pois a esquerda, representada principalmente pela imprensa, apresenta a posse de Lula com ares de normalidade. O homem que foi condenado no maior escândalo de corrupção da história, junto com dezenas de pessoas, não é tratado apenas como inocente, mas como herói injustiçado. O mesmo sujeito que fundou o Foro de São Paulo, junto com o ditador da ilha presídio cubana, Fidel Castro, com o objetivo de instalar ditaduras socialistas pelo continente, é tratado como o salvador d...

Ditadura

Por João Luiz Mauad O que acontece hoje no Brasil é um escândalo de proporções oceânicas. Ontem, o xerifão eleitoral de plantão mandou bloquear as contas de dezenas de empresas, acusadas de participar de comboios “golpistas” em direção à Brasília. Fez isso sem que fosse dado aos acusados qualquer direito de defesa.   Agiu com um poder de polícia que ele não tem por lei, mas que lhe foi concedido por seus colegas de T5E, através de simples “resolução”, poucos dias antes da última eleição. Agiu também como se estivéssemos ainda em período eleitoral, mesmo duas semanas depois do pleito. Criou o período eleitoral perpétuo. Nenhuma novidade aqui, pois o indigitado ministro também já mandou prender um deputado em flagrante, ainda que o seu suposto delito tenha acontecido meses antes. Alegou que um vídeo exposto na internet configura “flagrante continuado”.   Outra jabuticaba foi a instalação de um inquérito criminal sem data para terminar e sem objeto definido, presidido pelo própri...

Voto eletrônico

O relatório das Forças Armadas sobre o processo eleitoral mostra o seguinte: não há como afastar a hipótese de fraude, seja porque é possível a inserção de um código malicioso, seja porque o TSE não ofereceu toda a base de dados para fiscalização. Mais estarrecedor ainda, os técnicos do Exército vislumbraram, no código-fonte de votação, acessos a servidores externos. Perguntaram ao TSE a respeito do fato, mas não obtiveram resposta. Tal fato, por si só, pode anular as eleições (art. 221, II do Código Eleitoral). Esse relatório ainda me faz lembrar de outra coisa: o STF julgou inconstitucional a lei do voto impresso, utilizando-se de um entendimento esdrúxulo. Fazem de tudo para evitar a auditoria do sistema. E ainda se dizem defensores da democracia. O Tribunal Constitucional Alemão, por sua vez, julgou inconstitucional o voto eletrônico . O motivo:  A eleição como fato público é o pressuposto básico para uma formação democrática e política. Ela assegura um processo eleitoral regu...

Futuro sombrio

Editorial da Gazeta do Povo Em um país cuja história política é pródiga em bizarrices, podemos dizer com toda a certeza que nada supera a normalização da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Falamos de alguém que foi condenado por corrupção em dois processos, com um conjunto probatório farto, tendo ambas as condenações confirmadas por unanimidade no tribunal revisor e uma delas, também de forma unânime, mantida no Superior Tribunal de Justiça, atestando a ausência de ilegalidades processuais. E esse alguém só voltou a se tornar um ficha-limpa porque a principal corte do país inventou – e a palavra é essa mesma – um “problema de CEP”, revertendo decisões que ela mesma havia tomado sobre quem deveria julgar Lula; e uma suspeição absurda que anulou todos os atos processuais do então juiz Sergio Moro, garantindo que Lula jamais tivesse de pagar novamente pelos atos que o levaram à prisão em 2018. Por fim, essa pessoa não apenas disputou a Presidência, mas o ...

Um censor é um censor é um censor

 Por Flávio Gordon “A liberdade não é uma recompensa nem uma condecoração que se festeja com champanhe … Ah, não! É uma corrida de longa distância, bastante solitária e muito desgastante.” (Albert Camus) “Uma rosa é uma rosa é uma rosa” – versou celebremente Gertrude Stein. Embora mais talentosa para organizar convescotes de intelectuais e artistas do que palavras numa oração, a modernista americana foi até bem nesse versinho. Assim também, inspirado por Gertrude, digo que um censor é um censor é um censor. Por mais elaborado seja o seu disfarce, e mais grandiloquentes os seus pretextos, censor é quem censura comete. Quem comete censura é, pois, um censor, e como tal deve ser tratado. Uma sociedade sadia não aplaude censores. Execra-os. Nos casos em que o execrável tenha meios de se impor pela força, às vezes, lamentavelmente, será preciso acatar-lhe as ordens. Mas apenas como quem acata as ordens de um assaltante que, no sinal de trânsito, aponta-nos a pistola e exige-nos a cartei...

Graças à censura do TSE, o processo eleitoral está irremediavelmente sujo

Por J. R. Guzzo A censura é um câncer e, sendo câncer, pode gerar metástase – a infecção sai do lugar onde começou e começa a invadir, passo por passo, o organismo inteiro. É o que está acontecendo com os atos de repressão do ministro Alexandre Moraes e seus imitadores no Tribunal Superior Eleitoral contra órgãos de imprensa. Dia após dia, violam de maneira cada vez mais maligna a liberdade de expressão, estabelecida com palavras indiscutíveis na Constituição Federal do Brasil - e proíbem os veículos de comunicação de publicarem qualquer coisa que o ex-presidente Lula, candidato nas eleições do dia 30 de outubro, não quer que seja publicada. A primeira agressão foi contra a Gazeta do Povo, censurada pelo TSE por informar, com base em fatos escandalosamente públicos, que Lula e o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, são aliados políticos e admiradores um do outro. Lula acha que isso pode lhe custar votos. Exigiu então que a Gazeta não publicasse nada a esse respeito e foi atendido na ho...

Censura II

Quem ainda nutria algum tipo de dúvida sobre o ânimo censor que move os ministros do Tribunal Superior Eleitoral nestas eleições passará a ter apenas certezas ao ler a mais recente decisão de Benedito Gonçalves, atendendo parcialmente a pedido da coligação do ex-presidente, ex-presidiário e ex-condenado Lula. O integrante do Tribunal Superior Eleitoral entrou em um dos poucos territórios ainda por desbravar no campo dos ataques à liberdade de expressão neste pleito de 2022: o da censura prévia. A vítima é a produtora de conteúdo Brasil Paralelo e seu documentário Quem mandou matar Jair Bolsonaro?, que tinha estreia prevista para os próximos dias. Até então, todas as decisões de censura oriundas da corte eleitoral visavam conteúdos que já haviam sido publicados; a censura prévia, no entanto, ressuscita os tempos sombrios da ditadura militar. O pedido de investigação feito pelos advogados de Lula já era uma peça de índole praticamente totalitária, a julgar pela quantidade e variedade dos...

Censura

Como relata a matéria abaixo, do site 'O Antagonista', os grandes órgãos de mídia começam finalmente a se dar conta, mesmo de forma tímida e quase reverencial, de que os urubus de toga já foram longe demais. Sabem como é: conforme a água da panela começa a ferver, o sapo, após refastelar-se na água morna, fica cada vez mais desconfortável. Esperemos que não seja tarde demais... ****************** TSE foi longe demais Por Claudio Dantas "Editorial do jornal O Globo de hoje condena de forma clara a censura imposta pelo T-S-E na semana passada ao site O Antagonista, à rádio Jovem Pan e ao jornal Gazeta do Povo, por veicularem matérias consideradas, pela campanha de Lvla, desabonadoras ao candidato. “Está cada vez mais evidente que, no afã de combater a desinformação, o T-S-E vem cometendo exageros que configuram censura descabida a veículos de imprensa, proibida pela Constituição.” Como registra o jornal, o combate à desinformação nas eleições não se confunde com a “intromiss...

Apoiadores de Bolsonaro deram resposta pelo voto, não pelo golpe

Clandestino, o bolsonarismo se esconde nos esgotos, mas sabe muito bem manipular as estratégias de guerrilha Por Luiz Felipe Pondé O que podemos aprender passado o primeiro turno das eleições? De forma imediata, que as pesquisas não capturam o voto bolsonarista. Não erram tudo, mas de modo específico. E não capturam porque, apesar de a esquerda fazer discurso de resistência, os bolsonaristas é que estão na clandestinidade. Votam em segredo em quem querem e viram as costas para falas de risco de golpe. Há muito a esquerda perdeu a noção da realidade, tornando-se uma igreja dos belos e dos bons. Quando uma ideologia fala abertamente que os "homens brancos não prestam" e que o Brasil estaria melhor se fosse só feito de negros e mulheres, ela está indo para guerra fingindo-se de santa. A agressividade bolsonarista é explícita, seu voto é invisível e silencioso. A agressividade petista é invisível, seu voto é confesso e orgulhoso. Como toda clandestinidade, o bolsonarismo se escon...

Reflexões da ressaca política

Ontem, todo o establishment já dava como certa a eleição de Lula. Políticos, artistas, intelectuais, militantes, mídia, institutos de pesquisa... todos estavam no clima do "já ganhou". A expectativa era de uma volta triunfal da esquerda brasileira ao poder, seja no executivo, seja no legislativo. Então, a tragédia. Os institutos de pesquisa estavam errados (mais uma vez). Há que se perguntar e investigar por que tais institutos equivocam-se tanto: trata-se de uma questão meramente metodológica ou algo mais? A justificativa do "voto volúvel" dos eleitores não satisfaz. Os erros são tão grosseiros que até repercutiram na imprensa internacional .  Os esquerdoides acreditavam piamente numa vitória ainda no primeiro turno e na ocupação dos espaços de poder. Para seu desespero, viram que o Brasil se tornou ainda mais alinhado ao bolsonarismo do que em 2018 . Até hoje, não entenderam nada.  Fica o questionamento: dizem que Bolsonaro não aceitará uma derrota nas urnas. Mas,...

Voto inútil

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Artigo de Alexandre Schwartsman para a Folha de São Paulo. Opinião da qual compartilho parcialmente. 

O que esperar de 2022?

Tirem as crianças da sala. E vamos falar de 2026. Por Alexandre Borges Duzentos dias nos separam do primeiro turno das próximas eleições. O que pode acontecer? Tudo, mas é preciso que conversemos, com urgência, sobre como o cenário está se desenhando. E o que fazer a respeito. O retrato do momento atual, acredito que qualquer observador intelectualmente honesto concorde, é que Lula tem uma vantagem muito folgada e relativamente sólida, seguido de longe por Bolsonaro que luta, com tudo que sua caneta pode fazer junto com a criatividade de Valdemar Costa Neto, Arthur Lira e Ciro Nogueira, para conseguir que haja ao menos um segundo turno. As candidaturas da terceira via hoje são um sonho de verão, até agora meras distrações. Ciro Gomes continua circunscrito a um dígito nas pesquisas, uma situação mais que constrangedora para um político com uma carreira tão extensa e com o marqueteiro mais caro e polêmico do país. Sua tentativa de rejuvenescimento de imagem nas redes sociais, até agora, ...

Resenha: O Povo contra a Democracia

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Leia com cautela O Povo contra a Democracia é o terceiro livro de um dos autores mais aclamados pelo “mainstream” midiático no momento, Yascha Mounk. Doutor em Harvard e professor da John Hopkins, Mounk de fato alia rigor acadêmico a um verniz de honestidade intelectual para tentar explicar a nova dinâmica política que ocorre hoje no Ocidente.  Sua principal tese é a de que a democracia liberal vem se desconsolidando nas últimas décadas. Refutando o antigo consenso de estabilidade dos regimes democráticos, o autor demonstra que os atuais movimentos políticos estão tendentes a assumir posturas extremistas. O resultado seria a degeneração do regime democrático-liberal em dois outros intermediários no caminho até o autoritarismo: a democracia iliberal e o liberalismo antidemocrático.  O autor assume a hipótese de que as condições nas quais a democracia liberal vicejou não estão mais presentes, quais sejam, a homogeneidade étnica, o crescimento econômico contínuo e o...

O grito de independência do brasileiro

As eleições mais importantes da Nova República se aproximam, mas o que realmente está em jogo? Os grandes problemas nacionais são conhecidos (ou deveriam ser). Há gigantescos gargalos estruturais, tanto na economia como nas finanças públicas. O próximo presidente deverá, imediatamente após eleito, tecer relações amistosas com as forças políticas constituídas e alcançar um consenso para sanar tais questões. A alternativa é a derrocada financeira do Estado e a estagnação do país na pobreza. Mas há, ainda, um outro conflito a ser superado: a independência moral e ética da sociedade brasileira frente ao  establishment cultural. Por muito tempo ficou a nossa sociedade refém da moral e dos costumes marxistas e de uma cultura que privilegia a destruição das principais instituições construídas ao longo dos séculos pela humanidade.  Estado de Direito, Democracia, Capitalismo, Família, Ética Judaico-Cristã, Filosofia Clássica. Todo o legado da civilização ocidental corre perigo...

O que será do Brasil?

A democracia brasileira por um triz Faltam poucas semanas para as eleições de outubro, eleições estas que provavelmente serão as mais importantes da Nova República, capazes de definir a situação do país não só nos próximos anos, mas talvez nas próximas décadas e gerações. O que há de se considerar, primeiramente, é que o estado brasileiro está em ruínas. O modelo político e institucional de 1988 falhou. As contas públicas beiram a anarquia, tanto a nível federal como estadual. As instituições servem a poucas classes e setores que se beneficiam do acesso ao poder (servidores públicos da elite e mega empresários, por exemplo), enquanto a maior parte da população é asfixiada pela enormidade de normas e obrigações para com o Estado. Com a morte da sociedade, também morre o próprio Estado e isto poucos parecem perceber. Diante desse cenário, resultado de inúmeros fatores históricos e institucionais, deu-se a reação da sociedade (des)organizada. Desorganizada porque só a visão de...

O horizonte político brasileiro

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Debate entre economistas deixa claro que o Brasil passará por enormes turbulências num futuro próximo A excelente entrevista realizada pela Globo News com os economistas Marcos Lisboa, Delfim Netto e Laura Carvalho foi estarrecedora. Não apenas pela qualidade do conteúdo (que em muito superou o dos debates entre os presidenciáveis), mas também pela conclusão que figurou ao final do programa: o Brasil não tem futuro. Abandonando as paixões políticas e ideológicas (pelo menos em parte), os referidos economistas expuseram a situação caótica das contas públicas e a completa incapacidade de se formar um governo decente nos próximos anos, dada a conjectura infame do debate público brasileiro e a falência de nossas instituições. Escancarou-se o fracasso do projeto político, institucional e jurídico de 1988. A chamada "Constituição Cidadã" relegou aos cidadãos brasileiros um sistema caótico, mesmo que tenha princípios humanos louváveis. Como bem mencionou Marcos Lisboa, há ...

Percepção política em 2018

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Como se situam ideologicamente os candidatos à presidência? Elaborei um gráfico, utilizando o Political Compass, para demonstrar a tendência ideológica dos principais candidatos à Presidência da República em 2018.  Utilizei, basicamente, a percepção política que cada um deles provoca no eleitorado, bem como compêndios com as principais propostas contidas nos respectivos planos de governo. Obviamente, este gráfico relaciona-se mais estritamente à minha visão subjetiva sobre cada um dos candidatos, pois não realizei um trabalho de pesquisa rigoroso sobre suas propostas ou identidades políticas. Mas, creio eu, é uma visão que grande parte do eleitorado compartilha. Em suma, aqui está: Algumas observações: 1) Jair Bolsonaro poderia ter sua posição no eixo "x" (economia) deslocada para o meio do gráfico, visto que vê com moderação a necessidade de ajuste fiscal, bem como já adotou posturas anti-liberais. Contudo, a inclusão de Paulo Guedes numa possí...