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Trump e a Rússia

Por Rodrigo da Silva Muita gente me pergunta se o governo Trump entregará a Ucrânia de bandeja para Vladimir Putin. Passei muito tempo da minha vida pesquisando sobre a relação de Trump com a Rússia – o que inclui escrever um livro a respeito que já me consumiu, até aqui, mais de um ano de trabalho, 500 páginas e mais de 1.600 fontes anexadas. Não faço a menor ideia de quantas horas já dediquei a esse assunto. Se é humanamente impossível ler tudo o que já foi produzido a respeito desse tema, certamente consumi boa parte do que há de mais relevante sobre ele – livros, relatórios de inteligência, documentos oficiais, depoimentos de ex-assessores e ex-secretários, reportagens, documentários, papers, gravações. Tendo acessado tudo isso, o que posso dizer sobre a possibilidade de Trump entregar a Ucrânia de bandeja para Putin é um imenso: “talvez”. Não tenho qualquer dúvida razoável que a Rússia enxerga Trump como um asset e que há quase 40 anos – desde que ele visitou a União Sovié...

Negacionismo de esquerda

Por J. R. Guzzo A derrota arrasadora que a esquerda americana, brasileira e mundial acaba de sofrer na eleição presidencial nos Estados Unidos só pode ser comparada às análises dos seus pensadores sobre a torrefação da Grande Esperança Negra que inventaram para perder. Não conseguiram, até agora, deixar de pé um único pensamento coerente sobre o naufrágio. Estão em estado de choque, e tudo o que têm a apresentar é uma maçaroca de exclamações desesperadas, irracionais e sobretudo cegas. Não há obviamente como comentar uma derrota desse tamanho sem examinar o que há de errado na conduta de quem perdeu. A esquerda resolveu jogar a culpa nos vencedores. Ninguém está vendo o que anos seguidos da estratégia única de tratar Donald Trump como um demônio, em vez de um oponente político, produziram na vida real. Não parece ser nenhum fenômeno sobrenatural. O eleitor americano ficou exausto de ouvir coisas em que não acredita, basicamente por não fazerem nexo – e reagiu devolvendo a Presidê...

Os democratas não entendem o que é ser latino

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  Por Rodrigo da Silva Não tenho o hábito de comentar sobre minha vida pessoal neste espaço, mas hoje vou abrir uma exceção. Eu não moro no Brasil. Por conta disso, há algum tempo, adicionei à minha identidade uma nova condição – a de um imigrante. Mais do que isso: a de um imigrante latino-americano. Até então, eu acreditava nunca ter renegado minha latinidade. Fui criado num lar onde Márquez, Llosa, Borges e Cortázar disputavam a tapa o espaço na estante. Cresci ouvindo Buena Vista Social Club, Omara Portuondo, Tito Puente e Juan Luis Guerra. Mas enquanto brasileiro, sempre estive preso num paradoxo: ter nascido no maior país da América Latina e não ser reconhecido como um latino-americano. Não sou o único a conviver com essa incoerência. A nossa relação com os nossos vizinhos é, no máximo, cordial. O Brasil é o único lugar da América em que a língua oficial é o português. Mas ao mesmo tempo em que estamos cercados de falantes de espanhol, não convivemos com eles. Um sujeito ...