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A fórmula para enlouquecer o mundo

Olavo de Carvalho Diário do Comércio, 11 de junho de 2007 Adam Smith observa que em toda sociedade coexistem dois sistemas morais: um, rigidamente conservador, para os pobres; outro, flexível e permissivo, para os ricos e elegantes. A história confirma abundantemente essa generalização, mas ainda podemos extrair dela muita substância que não existia no tempo de Adam Smith. O que aconteceu foi que o advento da moderna democracia modificou bastante a convivência entre os dois códigos. Primeiro elevou até à classe dominante o moralismo dos pobres: na América do século XIX vemos surgir pela primeira vez na História uma casta de governantes que admitem ser julgados pelas mesmas regras vigentes entre o resto da população. No século seguinte, as proporções se invertem: a permissividade não só se instala de novo entre a classe chique, mas daí desce e contamina o povão. É verdade que não o faz por completo: metade da nação americana ainda se compreende e se julga segundo os preceitos da Bíblia....

Narcisismo

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O mito de Narciso nasceu na antiguidade clássica e conta a história de um rapaz que, de tão belo, apaixonou-se por si mesmo, indiferente aos amores externos. Ficou a admirar seu reflexo nas águas até morrer. Mais tarde, tal mito deu nome a um transtorno de personalidade: o narcisismo.  Viver com um narcisista é uma experiência nefasta. Não há reciprocidade, somente sujeição ao seu arbítrio. Camuflando sua insegurança interior por meio da arrogância, do controle e do desdém, o narcisista é quase um psicopata, pois, assim como este último, não possui empatia, exceto quando há um ganho pessoal envolvido. Acredita que a vida é um jogo de dominância e, por isso, tentará te rebaixar de toda maneira, até vê-lo como um ser insignificante. É a forma que encontra para afirmar-se como superior. Não importam as emoções e necessidades dos outros, mas somente as dele.  O remédio está apenas no interior daquele que é afetado pelo Narciso, pois este talvez nunca mudará sua essência quebrada. ...

O demoníaco feminino

Jung defendia que tanto homens quanto mulheres possuem energias masculina e feminina. A primeira é mais forte nos homens e a última, nas mulheres. O desequilíbrio dessa relação seria um ponto de conflito não só dentro das bases de um relacionamento, mas como em toda a sociedade. Dentro de tais energias, também se situam o bem e o mal. A melhor versão do masculino é protetora, assertiva, inspiradora. A do feminino, cuidadora, intuitiva, doadora.  A pior versão de cada um manifesta-se de maneiras diferentes. Na do masculino, por meio da agressividade ativa, o ressentimento e amargor. Na feminina, a agressão passiva, o sadismo, a vingança.  O feminino desajustado é algo feio de se ver e sentir. Oculta-se por meio de atitudes dissimuladas que demonstram um sadismo sobrenatural. A vontade é demoníaca: um prazer oculto em ver a vítima sofrer, deixando-a louca com suas insinuações. A verdade importa menos que as aparências. O cinismo prolifera sem pudor, assim como a ganância. Suga-s...