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Mostrando postagens com o rótulo economia

Guardei os recibos

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A miséria de um debate

Por Fernando Schuler Revista Veja - 12/07/2025 Lula resolveu dividir o país com sua campanha ricos contra pobres. É um teste para 2026. Discurso fácil, agita a militância, a turma invade o Itaú na Faria Lima, e gera algum frisson nas redes. O truque parece óbvio. A pauta dos últimos meses foi a crise fiscal. O ministro Haddad atrás de impostos, a dívida pública crescendo, o Instituto Fiscal Independente mostrando que o arcabouço fiscal é insustentável. E aí vem o troco: não há nenhuma crise fiscal, apenas ricos fugindo dos impostos. Mas não dava para fazer uma reforma na máquina pública? Cortar os supersalários, fazer reforma administrativa, rever incentivos? Esquece. É complicado, mexe com corporações, ninguém entende. O ex-presidente Michel Temer inventou essas reformas e saiu com 80% de rejeição. Melhor simplificar: a turma da Faria Lima não quer pagar mais IOF. Ponto. A guerra política expulsa a complexidade. Se vai funcionar, o futuro dirá. Sejamos claros: a pauta de xingar os mai...

Vamos acabar com os ricos (e com o Brasil junto)

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Por Stephen Kanitz Prepare-se: o Brasil viverá, nas próximas décadas, uma verdadeira caça aos ricos, tudo em nome de uma justiça social mal calculada e mal intencionada. O fenômeno já é visível nos Estados Unidos e na Europa, e por aqui não será diferente. Em vez de cortar gastos, eliminar desperdícios ou cobrar eficiência do Estado, a solução será simples e populista: aumentar os impostos para os que ganham mais. Tudo baseado em uma grande mentira: que os ricos “não pagam impostos”. Segundo essa ficção, eles escondem dinheiro em offshores, fazem “planejamento tributário agressivo”, têm contadores “criativos”. Mas a realidade é outra: essas estratégias apenas adiam impostos, não os eliminam, serão pagas e imediatamente gastas pelo governo. A verdade inconveniente? O 1% a 10% mais rico paga de 26% a 80% de todo o imposto arrecadado, dependendo de como se mede. Inversamente, 75% da população americana paga apenas 28% do total, e o Brasil segue padrão semelhante. Ou seja os mais r...

Voto de desconfiança

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Preparem-se para um longo inverno

Por Stephen Kanitz Meu artigo anterior, “As Portas Se Fecham”, viralizou porque disse em voz alta o que muitos sentem em silêncio. A janela de oportunidade para deixar o Brasil se fechou. Quem ficou, ficará. E agora? Agora é encarar a realidade. A crise à frente não será apenas política — será financeira, social, moral e talvez civilizacional. O Brasil caminha para um longo inverno. E ele será rigoroso. 1. O colapso fiscal é inevitável. A Previdência logo irá dar calote. O Tesouro Nacional não tem como sustentar um trilhão de reais por ano apenas em juros. O sistema vai ruir e com ele, a confiança geral de investir no Brasil. 2. A Direita, se pensasse estrategicamente, deixaria Lula vencer. Seria o sexto mandato do PT, o mandato da falência. Que administrem o naufrágio que ajudaram a construir. Mas nossa Direita é inexistente , sem quadros, sem contas, sem coragem. 3. Tarcísio não é a solução. Ele entende de engenharia de infraestrutura, irá construir rodovias mais rá...

As portas se fecham para os brasileiros

Por Stephen Kanitz Quem tem muito dinheiro já foi embora. Quem ficou, ficará — para sempre. Os últimos a saírem ainda conseguiram um visto italiano, português, americano. Os que zombaram da política, que votaram “no que fala pouco”, agora vão entender o preço da omissão. No Brasil do futuro — que já começou — você somente obedecerá. Obedecerá calado. Pagará impostos cada vez mais pesados, aceitará uma saúde pública em colapso, verá seus filhos estudarem em escolas sucateadas. E ainda agradecerá, pois reclamar será crime. Desde o fim do regime militar, único período de crescimento sustentado, nossa renda per capita foi cortada pela metade. Dado escondido pelo IBGE, abafado pela imprensa. Caímos do 40º onde hoje está a Grécia, para o 81º lugar no ranking global de renda. Sim, caímos — e acreditamos todo este tempo estar subindo. Foram 40 anos de doutrinação. Nossos jornalistas, intelectuais e professores venceram: conseguiram fazer o país regredir em nome de justiça social — uma justiça ...

Arcabouço: o breve

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O que Trump custou à América

Por Thomas Friedman Quando se tem um país do tamanho da China — 1,4 bilhão de pessoas — com o talento, a infraestrutura e a poupança que possui, a única maneira de negociar é com alavancagem do nosso lado da mesa. E a melhor maneira de conseguir essa alavancagem teria sido Trump reunir nossos aliados na União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Brasil, Vietnã, Canadá, México, Índia, Austrália e Indonésia em uma frente unida. Transformar a negociação em o mundo todo contra a China. Então, você diz a Pequim: 'Todos nós vamos aumentar gradualmente nossas tarifas sobre suas exportações nos próximos dois anos para pressioná-los a fazer a transição de uma economia voltada à exportação para uma mais orientada ao mercado interno. Mas também vamos convidá-los a construir fábricas e cadeias de suprimento em nossos países — empreendimentos conjuntos 50-50 — para que sua expertise seja transferida de volta para nós, da mesma forma que vocês nos forçaram a fazer por vocês. Não queremos u...

O Mercado não é um projeto social

Por Natália Beauty Tem gente que acredita que o mundo dos negócios é uma espécie de ONG disfarçada. Que o investidor tem a obrigação de financiar seus sonhos. Que o sucesso alheio é ofensivo. Que a desigualdade é uma desculpa pronta para a explicação do fracasso próprio. Mas aqui vai uma notícia: ninguém te deve nada. O mercado não liga para sua história, sua origem ou sua dor. O mercado quer resultado. E ponto. Enquanto uns perdem tempo culpando o sistema, tem gente lá fora acordando às 5h, estudando, errando, tentando de novo, se reinventando e, claro, vencendo. Não porque nasceram ricos. Mas porque decidiram parar de reclamar e começar a agir. Gente que entende que a vida não tem botão de feedback social, tem entrega. O problema não é falta de oportunidade. É o excesso de narrativa. Todo mundo quer palco, holofote e reconhecimento, mas poucos estão querendo ralar no escuro, sem aplauso, até fazer acontecer. Vivemos uma epidemia de profissionais indignados que acreditam que b...

Ninguém aprendeu

Por Rodrigo da Silva A verdade é que ninguém suporta o serviço público brasileiro. Nós ainda não saímos de 2013.   Ninguém se sente seguro na maior parte das nossas grandes cidades.   Se você está doente, e não pode ser atendido por um bom plano de saúde, arrisca morrer na fila do hospital.   Ninguém tem a ingenuidade de acreditar que as nossas escolas públicas estão formando bons alunos para o mercado de trabalho. Muitas das nossas escolas não passam de restaurantes populares infantis.   As nossas grandes cidades estão cada dia mais imundas, com as regiões centrais abandonadas, entregues às cracolândias, entupidas de moradores de rua. E quando você sai delas, boa parte das nossas estradas estão em estado de decomposição.   A classe política lida com todos esses problemas da pior forma possível – quando não recorrendo a cartões corporativos sigilosos, demandando uma lista interminável de benefícios, mamatas e negociatas.   O governo ...

A mágica de Mr. M(inistro)

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A tragédia do novo arcabouço fiscal

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  Imagens que valem por mil palavras. Esse é um gráfico que representa o resultado contábil das contas públicas do governo federal, em função de % do PIB. Legenda: Em amarelo pontilhado: o prometido. Em vermelho pontilhado: o revisado.  Em azul pontilhado: expectativa do mercado.  Linha azul escura: A REALIDADE.  Qual é a chance de entregar?

Como é que alguém investe no Brasil?

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  A estratégia do Governo de arrecadar mais “por meio de mudança de regrinhas e contenciosos tributários” é muito ruim para o ambiente de negócios do País, diz o economista Marcos Lisboa. “Gera uma incerteza que contamina o investimento.” Em uma longa conversa com o Brazil Journal (https://www.instagram.com/braziljournal/) sobre a conjuntura brasileira, Lisboa detalhou as fragilidades do arcabouço fiscal diante da rigidez das despesas obrigatórias e das indexações dos gastos com saúde e educação. “Paradoxalmente, quanto maior a receita, mais inconsistente será o arcabouço,” disse Lisboa. “Então, do ponto de vista macro, como é que alguém investe? Será que os gastos do Governo vão continuar crescendo? Será com aumento de receita? Vai ter in ação? Isso prejudica o ambiente de negócios, prejudica o investimento, prejudica o crescimento econômico.” Para Lisboa, essa inconsistência fiscal se soma a um ambiente regulatório adverso, de governança frágil, com hiperjudicialização. “Esta...

O mercado fingiu que acreditava na responsabilidade fiscal do governo Lula. Chega de teatro ou será cúmplice na falência do país.

Por Mario Sabino Metrópoles 23/05/2024 Surpresa, surpresa, descobriram que o arcabouço fiscal era uma farsa lulista. Surpresa, surpresa, constataram que não haverá déficit zero nas contas do governo enquanto Lula for presidente da República. Surpresa, surpresa, era tudo mentira. Francamente, a quem essa gente — mercado, economistas, jornalistas especializados — acha que está enganando? Só se for a si própria. Todos eles, com as exceções de praxe, fingiram que acreditaram nas lorotas governamentais para jogar o problema mais para adiante, seja em nome da estabilidade política, seja para ter mais lucro individual. Só que o mais adiante não é tão longe assim. Nem mesmo os indicados pelo governo Lulapara o Banco Central ainda teimam em mostrar conforto com a situação fiscal de um governo que não corta despesas, só faz aumentar os gastos e não vai arrecadar o que projetou — fantasiosamente — para cobrir o buraco, porque o país continuará a ter crescimento econômico medíocre. Não é buraco, ...

Há um elefante na sala, de 550 bilhões, e ninguém quer ver

Por Fábio Giambiagi O Brasil é pródigo em gastos mal avaliados. Há uma responsabilidade coletiva nisso. A principal é do governo, mas a sociedade, em geral, e a imprensa, em particular, são também responsáveis por isso. Programas de TV e de rádio propagam a generalização da indignação com despesas tão injustificáveis quanto macroeconomicamente insignificantes, cujo único efeito é aumentar o desprezo popular pela política (na Argentina, Javier Milei foi o resultado disso), enquanto, a céu aberto, desenvolve-se um enredo ignorado por todos. Caro leitor, há um elefante na sala — e ninguém quer ver. A despesa do INSS em 2024 será da ordem de grandeza de R$ 920 bilhões e a do Loas, de aproximadamente R$ 105 bilhões. Em torno de 43% das despesas do INSS (algo como R$ 395 bilhões) são com benefícios de um salário mínimo (SM), parâmetro este que afeta a totalidade do gasto com Loas. Em outras palavras, R$ 500 bilhões de gastos são estritamente indexados ao SM (e nem estou considerando outras d...

Tirando o errado, está tudo certo

Por Alexandre Schwartsman  Em discurso recente o presidente Lula nos presenteou com a seguinte pérola: “se for necessário este país fazer o endividamento para crescer, qual é o problema? Qual o problema de você fazer uma dívida para produzir ativos produtivos para este país?” Visto que se trata de uma pergunta – retórica, eu bem sei – não resisto a dar uma resposta. A começar, não há um problema, mas uma legião, porque são muitos. Em um primeiro lugar porque o histórico de endividamento do país não reflete, nem de longe, uma política de investimentos que tenha resultado em aceleração do ritmo de crescimento. Pelo contrário, o gasto (deduzido o pagamento de juros, mas incluído o investimento) dos três níveis de governo do Brasil entre 2010 e 2022 atingiu pouco menos de 38% do PIB; no mesmo período o investimento do governo federal, de estados e municípios ficou ligeiramente abaixo de 2% do PIB. Vale dizer, 95% das despesas do governo não são investimento (a remuneração do funcionali...

Reforma tributária

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Por Roberto Motta “Reforma tributária” que não reduz impostos beneficia quem? “Reforma tributária” que cria o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) com a maior alíquota do mundo beneficia quem? “Reforma tributária” que privilegia alguns setores enquanto aumenta brutalmente impostos de serviços essenciais à população beneficia quem? “Reforma tributária” que promete simplificar, mas que vai complicar enormemente tudo até pelo menos 2032, beneficia quem? “Reforma tributária” que promete “unificação de impostos” mas cria um IVA duplo (CBS e IBS) e permite a criação de um novo imposto “do pecado” beneficia a quem? “Reforma tributária” que mexe em 5 impostos mas deixa de fora IPTU, IPVA, ITBI, ITCMD, Taxa de Incêndio, Imposto de Renda, Imposto de Importação, Imposto Sobre Operações Financeiras e muitos, muitos outros, beneficia quem? “Reforma tributária” que centraliza todas as decisões do imposto mais importante em um comitê politico, que não se sabe muito bem como funcionará, beneficia quem?...

Sem censo de realidade

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Por Bruno Cunha A autonomia financeira e orçamentária dos Tribunais e de outros órgãos da Administração Pública (MP, TCs, Defensoria, etc) é um verdadeiro câncer e ralo de dinheiro público. Hoje, no regime remuneratório na Administração Pública, tudo é válido e quem manda é o corporativismo. Não há limites para a alta burocracia jurídica, que vive em uma bolha dentro de uma realidade nacional de pais pobre que somos. Basta ver a "sensação" e percepção de um desses grupos da alta burocracia jurídica (magistrados) quanto aos seus ganhos. É uma distopia pura! Ilustrando, a tabela abaixo traz a remuneração bruta média de um juiz em início/fim de carreira nos 47 países europeus analisados pela Comissão para Eficiência da Justiça do Conselho da Europa. Traz, ainda, a razão entre tais remunerações e a remuneração bruta média no país. Interessante como é pequena a diferença da remuneração de um juiz e de outros trabalhadores em tais países. Estamos acostumados, aqui, a ver a renda de...

Por que Lula sabota a economia brasileira

Por Leandro Ruschel  A Folha afirma em editorial que Lula sabota o país, ao anunciar que o governo deixará de cumprir a meta fiscal, uma postura "incompreensível", segundo o jornal. Em primeiro lugar, é preciso lembrar do papel da Folha, e de praticamente toda a "imprensa", que se transformou em mero aparelho de esquerda, cujo único propósito é militar pela agenda socialista, ao mesmo tempo que promove a censura e a perseguição aos não alinhados. Fazem isso por ideologia, já que os jornalistas são formados em universidades dominadas pela esquerda há décadas, e por incentivos econômicos, pois recebem gordas verbas publicitárias dos governos esquerdistas, enquanto passaram fome durante o governo Bolsonaro. Por conta disso, a militância de redação de Globo, Folha, Estadão e afins atacaram sistematicamente o governo anterior, e chancelaram a operação de retirada de Lula da cadeia, alçando o descondenado pelo maior escândalo de corrupção da história à presidência, sob o ...