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Mostrando postagens com o rótulo século xxi

Resenha: Teorias Cínicas

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A obra “Teorias Cínicas”, de Helen Puckrose e James Lindsay, cuida-se de um compêndio explicativo sobre um aspecto bem particular da cultura dos países ocidentais e que se tornou mais óbvio em tempos recentes: trata-se do tema “Justiça Social”, em letras maiúsculas, que se diferencia do lugar-comum “justiça social”, a ideia corrente de equidade ou isonomia. “Justiça Social”, em letras maiúsculas, é toda uma nova cultura que nasceu dos movimentos “woke”, objeto de estudo dos autores. Eles traçam um panorama do que se tornou hoje a intelectualidade e o ativismo da esquerda, embasada pela “Justiça Social”: um conjunto difuso de abordagens baseadas no pós-modernismo/pós-estruturalismo da década de 1970 que se coalesceu num movimento quase religioso, a “Teoria da Justiça Social”. Inicialmente, explica-se o desenvolvimento histórico e teórico desse movimento que nasceu da insatisfação com as grandes narrativas, sobretudo o marxismo, a ciência e as religiões tradicionais. Tomando por base ...

Terroristas

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Por Edu Perez Terroristas (pq chamar de eco?) depredaram a Fontana di Trevi, em Roma, patrimônio da humanidade, jogando tinta preta para “protestar” contra o uso de combustíveis fósseis. Last Generation é um grupo ambiental de ideal socialista especializado em atacar patrimônio histórico. P. ex., já se colaram a uma estátua no Vaticano e jogaram tinta preta numa obra de Klimt. São terroristas que deveriam ser presos. Essa gente não liga para meio-ambiente. A maioria é jovem, na faixa dos 20 anos, que não tem ideia de como o mundo funciona, mas quer mudá-lo na base da violência e do grito, impondo sua ideologia. A verdade é que não estão nem aí pro urso ou pra baleia, como os grupos congêneres não estão nem aí para as minorias ou os miseráveis. O foco é odiar e destruir, não proteger e construir. Amar toma tempo. Odiar é fácil. As ideologias do ódio arrastam multidões, embasam ditaduras. O bem junta meia dúzia. O negócio dessa gente é acabar com o bom e o belo. São como os orcs do Senho...

Tolkien usurpado

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John Ronald Reuel Tolkien, J. R. R. Tolkien ou simplesmente Tolkien, foi o filólogo e romancista inglês responsável pela criação do épico de fantasia mais influente de todos os tempos, O Senhor dos Anéis . Uma obra rica e impressionante, foi pensada a partir de várias influências sociais, religiosas, místicas e linguísticas, tornando-se não só um marco da literatura de alta fantasia, mas também um ícone da cultura de massa da segunda metade do Século XX.  Após a morte de Tolkien, em 1973, os direitos autorais da obra foram reunidos sob seu espólio, cuja administração incumbia a Christopher John Reuel Tolkien, terceiro filho do falecido escritor. Ferrenho advogado da memória de seu pai, Christopher editou vários livros póstumos, com estórias inéditas e compilações de alguns de seus rascunhos sobre o mundo de Arda, os quais não haviam sido publicados durante a vida do autor.  Sua obstinação em manter a integridade da obra era notória, de modo que conseguiu afastar por décad...

Fundo do poço

As declarações de uma fugitiva do regime ditatorial norte-coreano sobre sua experiência universitária nos EUA mostram bem o ovo da serpente que se tornou o ambiente acadêmico americano. Em entrevista reveladora à Fox News, Yeonmi Park disse que a sociedade americana perdeu o bom senso “a um ponto em que eu, como norte-coreana, não consigo compreender.” “Eu esperava gastar toda essa fortuna, todo esse tempo e energia para aprender a pensar. Mas eles estão forçando você a pensar da maneira que eles querem que você pense”, disse Park, descrevendo a situação como loucura. “Achei que a América fosse diferente, mas vi tantas semelhanças com o que vi na Coreia do Norte que comecei a me preocupar.” Durante a entrevista, Parks contou que foi repreendida por uma orientadora da universidade simplesmente por dizer que gostava de literatura clássica. “Achei que era uma coisa boa. Mas ela me disse ‘você sabe que estes escritores tem uma mentalidade colonial? Eles eram racistas e intolerantes e estã...

Palmitagem

Recentemente, descobri o significado do termo "palmitagem". "Palmitagem" é um neologismo criado pelo movimento racista negro para designar, pejorativamente, aqueles indivíduos negros que se relacionam com brancos. De forma mais específica, é o "negão que gosta de branquinhas", ou o "negro de alma branca". O termo, da forma como é utilizado, remete a essas ideologias "regressistas" que assolam a sociedade. Indubitável que essa discussão, ridícula, possui um quê de dramática. Escancara toda a hipocrisia do pessoal politicamente correto. E o pior: nem os integrantes do movimento escapam desse novo racismo. Tome, como exemplo, a Djamila Ribeiro , árdua ativista negra e defensora dessas ideias. Há pouco tempo atrás, assumiu o relacionamento com um branco. Foi execrada nas redes sociais. Não tive compadecimento. A pessoa sustenta abertamente, em seus livros, que o negro tem que rejeitar a branquitude e criar uma identidade afrocentrada; fala ...

A verdadeira resistência

Como o Ocidente se apaixonou pelo fracasso e como salvá-lo de si mesmo Não gosto de gráficos, muito comumente são chatos e tendem a quantificar coisas que, por vezes, são inquantificáveis; a indefinição da vida humana me parece muito mais promissora que seus cálculos econométricos e curvas exatas. Mas até eu tenho que me render ao gráfico do Our World Data sobre o nível de extrema pobreza do mundo de 1820 até 2018. Para termos uma noção de como o crescimento econômico no Ocidente foi gigantesco e arrebatador, o economista Angus Maddison calculou em seu livro The Rise and Fall of Americam Growth, que do ano 1 ao 1820 a economia mundial cresceu apenas 0,06%; Deirdre McCloskey, em Bourgeois Dignity, afirma que até o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, quase todo mundo vivia com no máximo 3 dólares por dia. Mas algo assustador e magnífico ocorreu entre os séculos XVI e XVIII, gerando um boom de prosperidade que redesenhou as capacidades racionais, políticas e sociais, bem com...

Seitas

Defender a diversidade ou os dogmas identitários? Por Leandro Narloch Discriminação e desigualdade racial e de gênero são problemas complexos. Por "complexos", entende-se que têm causas de difícil diagnóstico e que as propostas para solucioná-los ainda estão em debate. Infelizmente não sabemos muito bem quais ações funcionam, se pioram o problema em vez de resolvê-lo, ou quais têm custo de oportunidade maior que o benefício. Tamanha dificuldade exige que a roda de conjecturas e refutações da ciência funcionem. Hipóteses das mais diversas precisam ser apresentadas, testadas e discutidas. A imprensa ajuda, se comunicar essas dúvidas e complexidade ao leitor, de modo que a sociedade consiga selecionar os melhores diagnósticos e propostas. No entanto boa parte dos acadêmicos, ativistas e jornalistas que tratam do tema se comporta como se estivessem diante de problemas simples com soluções conhecidas. Tão certos de que estão certos, não se interessam por abordagens diferentes e mu...

Retrato político

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  (PLUCKROSE, LINDSAY, 2021).

Racismo e cerveja

Na última semana, ficou conhecida no meio cervejeiro a história da "Cervejaria Implicantes", de Porto Alegre, cuja proposta de financiamento coletivo foi boicotada por supostos racistas. No caso, a cervejaria foi duramente criticada nas redes sociais por se considerar a "primeira cervejaria negra do Brasil" e utilizar "black money". Como resposta, muitos "antirracistas" vieram em sua defesa. Horrorizados pelas manifestações nas redes, apressaram-se em declamar o "privilégio branco" no mercado cervejeiro, querendo levar a questão racial para tal universo. Questionaram o lugar de fala do branco nas referidas críticas e toda a problemática do "brancocentrismo" do mercado. Não faltaram também episódios de vitimismo coletivo que as considerou como manifestações do racismo estrutural, de pessoas brancas ressentidas, que não suportam ver o negro bem-sucedido.  O episódio lamentável nos revela duas coisas:  1 - Num aspecto mais restri...

Mulheres

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Ah, as mulheres. Ao mesmo tempo, tão perfeitas e tão complicadas. A sociedade foi moldada ao redor delas, para desespero das feministas que só sabem vociferar contra o patriarcado. Explico: desde o início dos tempos, a vida na terra organizou-se sob um princípio básico, o da autopreservação, o de garantir a continuidade da espécie. Entre os mamíferos, as fêmeas são as genitoras da existência e, no nosso subconsciente de primatas, todo o bando deve, portanto, protegê-las do mundo. Assim, os machos são descartáveis. Se eles morrerem para protegê-las, sua função restará consumada.  Deste modo, a civilização seguiu. Os machos saíam para a caça, para as guerras. Garantiam a sobrevivência das fêmeas. Tinham que propiciar o ambiente necessário à reprodução e ao desenvolvimento da prole humana, naturalmente indefesa nos seus primeiros anos. Os mais aptos nessa tarefa é que mereciam o amor feminino.  No mundo atual, as coisas ainda são assim. A sociedade produziu obras nunca antes vist...

Mimados

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A geração mais jovem dos países ocidentais possivelmente é a mais mimada da história. Uma geração inteira que nasceu e cresceu num mundo de abundância material e de relativa paz. Fome, guerras, doenças, enfim, vários episódios que provocaram a morte de muitos no passado foram aparentemente superados, como se o mundo atual houvesse se tornado outro, alheio a todos os dramas humanos. E, como crianças mal-criadas, os jovens de hoje optaram por desprezar as lições dos antepassados. Tomaram o presente como injusto. Julgam-se melhores e moralmente superiores. Deleitam-se com a vaidade e com os prazeres. No fim, quando contestados, agarram-se a soluções fantasiosas, gritam, esperneiam, recorrem aos antidepressivos.  Mimados. Incapazes de lidar com frustrações. Reagem agressivamente a qualquer dificuldade.  Então, veio a pandemia.  Esta negou a "busca pela felicidade" a muitos. Trouxe limites. Os pais desta geração, que não conseguiram educá-la corretamente, deixaram a tarefa ao ...

Resenha: 21 lições para o século 21

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O sombrio futuro da humanidade (ou mais um conto niilista) Yuval Noah Harari nos impressiona mais uma vez com seu novo livro. Se nas obras anteriores o autor tratou de esquadrinhar o passado e delinear as tendências do futuro, nesta Harari se ocupa do presente e enumera os desafios da humanidade para as próximas décadas. O cenário não poderia ser mais sombrio. Didaticamente, Harari explica que o mundo do Século XXI caminha para a superação (um eufemismo para o completo colapso) das democracias liberais, não tanto por uma problemática externa, como foi no século passado, mas por conta da disrupção tecnológica constante no campo das ciências informacionais e biológicas e da própria incapacidade humana de gerir problemas em larga escala.  Parece enredo de ficção científica? Sim, mas tal fato está mais próximo do que pensamos, como demonstra o autor. As democracias liberais provavelmente serão solapadas por essa disrupção tecnológica que pode produzir massas de humanos ir...