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Capitalismo e cristianismo

Por Olavo de Carvalho.  Artigo publicado originalmente na revista República – edição de dezembro de 1998. Uma tolice notável que circula de boca em boca contra os males do capitalismo é a identificação do capitalista moderno com o usurário medieval, que enriquecia com o empobrecimento alheio. Lugar-comum da retórica socialista, essa ideiazinha foi no entanto criação autêntica daquela entidade que, para o guru supremo Antonio Gramsci, era a inimiga número um da revolução proletária: a Igreja Católica. Desde o século XVIII, e com freqüência obsessivamente crescente ao longo do século XIX, isto é, em plena Revolução Industrial, os papas não cessam de verberar o liberalismo econômico como um regime fundado no egoísmo de poucos que ganham com a miséria de muitos. Mas que os ricos se tornem mais ricos à custa de empobrecer os pobres é coisa que só é possível no quadro de uma economia estática, onde uma quantidade mais ou menos fixa de bens e serviços tem de ser dividida como um bolo de a...

Mas Pelé foi melhor do que Maradona

Por Flávio Gordon “Não podemos esperar por outra tragédia mundial, como a Segunda Grande Guerra, para só então construir sobre seus escombros uma nova governança global” – disse Lula na Assembleia Geral da ONU. Na Big Apple, depois dos sucessivos vexames referentes à fala inexistente (caso do desencontro com Joe Biden) e à fala interrompida (caso do microfone cortado na Cúpula do Futuro), o descondenado-em-chefe pôde, finalmente, protagonizar o seu vexame predileto, o da fala realizada, quando desfiou seu rosário habitual de platitudes, vitimismo, autoestereotipia macunaímica e conversa de boteco. Para quem não compreende a mensagem que o mandatário brasileiro quer dizer ao usar o termo “governança global” – um eufemismo globalista para governo mundial –, eu traduzo: entreguismo puro e simples, que consiste em acabar de vez com a soberania brasileira, bem como com qualquer resquício de democracia representativa, e fazer do país uma reles colônia das organizações internacionais. Faço qu...

Neocomunismo e a escatologização da democracia

Por Gustavo Maultasch Os "defensores da democracia" não desejam a democracia; eles desejam a utopia progressista. Se essa utopia vier pela democracia, ótimo, um trabalho a menos; mas se o povão insistir em ter valores diferentes, aí parte-se para a censura e para a retirada da liberdade de quem ousar pensar diferente. Tudo isso, claro, chamando o autoritarismo deles de "defesa da democracia", porque assim fica mais fácil de enganar muita gente (além de dar uma saída honrosa àqueles que querem ser enganados e precisam de um álibi para manter a auto-estima diante da própria passividade). Precisamos evitar a manipulação que impede as pessoas de terem a opinião certa! E qual a opinião certa? A dos escolarizados urbanos, que hoje compõem a maior parte das lideranças das instituições (academia, mídia, governo etc) e que foram fanatizados na visão de mundo do progressismo. A opinião "certa" do progressismo é a única possível; quem não concorda é porque foi alvo d...

Fundo do poço

As declarações de uma fugitiva do regime ditatorial norte-coreano sobre sua experiência universitária nos EUA mostram bem o ovo da serpente que se tornou o ambiente acadêmico americano. Em entrevista reveladora à Fox News, Yeonmi Park disse que a sociedade americana perdeu o bom senso “a um ponto em que eu, como norte-coreana, não consigo compreender.” “Eu esperava gastar toda essa fortuna, todo esse tempo e energia para aprender a pensar. Mas eles estão forçando você a pensar da maneira que eles querem que você pense”, disse Park, descrevendo a situação como loucura. “Achei que a América fosse diferente, mas vi tantas semelhanças com o que vi na Coreia do Norte que comecei a me preocupar.” Durante a entrevista, Parks contou que foi repreendida por uma orientadora da universidade simplesmente por dizer que gostava de literatura clássica. “Achei que era uma coisa boa. Mas ela me disse ‘você sabe que estes escritores tem uma mentalidade colonial? Eles eram racistas e intolerantes e estã...

Capitalismo

Abaixo, trechos da fantástica entrevista do historiador Rainer Zitelmann, veiculada no Estadão. E: O sr. afirma que o capitalismo não é o problema, é a solução. O que o leva a dizer isso de forma tão categórica? RZ: Vou lhe dar só um dado, mas posso lhe dar outros. Há 200 anos, por volta de 1820, antes do capitalismo, 90% da população mundial viviam na pobreza extrema. Hoje, são menos de 10%. Mais da metade da queda se deu nos últimos 35 anos. Veja o que aconteceu na China. No fim dos anos 1950, 45 milhões de pessoas morreram como resultado do chamado “Grande Salto para a Frente” empreendido por Mao Tsé-Tung. Em 1981, cinco anos depois da morte de Mao, 88% da população chinesa ainda viviam em extrema pobreza. Foi mais ou menos quando eles começaram a introduzir a propriedade privada e as reformas pró-mercado no país. Hoje, menos de 1% estão nesta situação. Isso nunca aconteceu na história. Nunca tantas pessoas saíram do estado de extrema pobreza em tão pouco tempo como resultado de r...

Ação e reação

Por Maurício Loup Nada fica impune. A Ucrânia, cansada dos políticos (o que é compreensível), votou no Danilo Gentili deles. Sim, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, é um humorista famoso que protagonizou uma série de TV onde um professor, acidentalmente, se tornava presidente do país. A vida imita a arte? Não. A vida quase sempre imita um enlatado americano feito para TV. Hoje os ucranianos se perguntam em uníssono: o stand up vai suportar a pressão da Rússia? Por outro lado a América, cada vez mais infantilizada e frágil, escolheu como presidente um idoso já quase senil e que já possui um dos piores índices de aprovação da história do país, isto porque o sujeito está apenas há um ano no cargo, porém o estrago, mesmo no curto espaço de tempo, é gritante. É isto que ocorre quando a população eleva Lady Gaga, Tom Hanks, Eddie Vedder, e outros imbecis, ao nível de influenciadores sobre geopolítica. A América hoje está mais preocupada em cumprir a agenda do progressismo, colocand...

Hipocrisia

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Sou a favor da liberdade de expressão irrestrita - segundo Popper, a sociedade aberta admite quaisquer ideias e nenhuma delas deve ser reprimida. Por outro lado, a liberdade de associação em prol de determinadas ideologias deve ser combatida, pois ultrapassa o plano discursivo. E isso deveria valer para todos.  Ocorre que não é bem assim na prática. O comunismo, por exemplo, é aceito - por vezes, idolatrado - e possui aparato institucional. Seu primo pós-modernista também. Na polêmica toda do tal do Monark, não faltou comunista e afins indo às redes sociais para executar o cara, mas sem o menor pudor de suscitar Stalin. Veja o Twitter da Jandira Feghali, do Jones Manoel e outros.  A manifestação deles não é recriminada, pelo contrário, endossada. O que leva a crer que a nossa sociedade já inverteu tanto os valores, é tão hipócrita, que não será surpresa se, no futuro próximo, defenderem o genocídio de um grupo de pessoas para fins de justiça social - o fato ainda será festejad...