Democracia doente
A Constituição de 1988 conferiu aos cidadãos uma ampla gama de direitos fundamentais, mas o constituinte não se preocupou com a modelagem do sistema político. O que temos é um sistema pouco representativo (voto proporcional em lista aberta). O cidadão não sabe em quem está votando, a minoria dos parlamentares foi eleita pelo voto direto. Em consequência, impera o clientelismo e a pressão de grupos de interesse pouco empenhados no bem-estar do país. Há também uma falta de freios e contrapesos aos poderes da república. O judiciário não tem controle algum, faz os próprios orçamentos e os seus integrantes só podem ser julgados por seus pares, praticamente. A alta cúpula, então, comporta-se como se estivesse acima das leis e da constituição. O executivo é repleto de poderes orçamentários e de iniciativa legislativa, mas sua atuação está engessada por uma infinidade de regras constitucionais. Não há margem de manobra para lidar com os conflitos políticos e para adequar as demandas orçamentár...