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A nova Gestapo

Por Leandro Ruschel PT retira a Abin das mãos dos militares e a coloca sob controle dos companheiros O comissário Octávio Guedes, da Globo, postou matéria no G1 explicando a mudança. É um texto fantástico para entender tanto o papel da emissora no novo regime brasileiro, quanto o nível radical de esquerdismo e autoritarismo do novo arranjo de poder.  Sob a chamada "Nova Abin vai monitorar grupos extremistas nas redes sociais", Guedes explica que "uma das prioridades da nova Agência Brasileira de Inteligência (Abin) será a de identificar e monitorar grupos extremistas nas redes sociais para se antecipar a ataques à democracia, como os ocorridos no dia 8 de janeiro. Os financiadores de grupos de disseminação do discurso de ódio vão merecer atenção especial da inteligência". Ele comemora o fato da agência sair do controle militar, e informa que "o mundo acadêmico será ouvido na reformulação da atual estratégia", e conclui: "a Abin vai deixar de bisbilhot...

Resenha: O Povo contra a Democracia

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Leia com cautela O Povo contra a Democracia é o terceiro livro de um dos autores mais aclamados pelo “mainstream” midiático no momento, Yascha Mounk. Doutor em Harvard e professor da John Hopkins, Mounk de fato alia rigor acadêmico a um verniz de honestidade intelectual para tentar explicar a nova dinâmica política que ocorre hoje no Ocidente.  Sua principal tese é a de que a democracia liberal vem se desconsolidando nas últimas décadas. Refutando o antigo consenso de estabilidade dos regimes democráticos, o autor demonstra que os atuais movimentos políticos estão tendentes a assumir posturas extremistas. O resultado seria a degeneração do regime democrático-liberal em dois outros intermediários no caminho até o autoritarismo: a democracia iliberal e o liberalismo antidemocrático.  O autor assume a hipótese de que as condições nas quais a democracia liberal vicejou não estão mais presentes, quais sejam, a homogeneidade étnica, o crescimento econômico contínuo e o...

O Fim do Brasil

Devo desculpas aos otimistas, mas a chamada do texto é exatamente a forma como eu penso. O espírito de nossa época está carregado de desesperança e por diversas razões. Não vou gastar linhas com palavreado intelectual; basta dizer que a percepção comum é a de que caminhamos para o caos. O Ocidente está perdendo suas bases estruturais. As pessoas ressentem-se a todo momento. As redes (anti)sociais inflam os ânimos. No Brasil, isso se torna verdade quando se acompanha o noticiário político. Pode-se culpar quem quer que seja. Pode-se esbravejar contra seus adversários, contra a outra bolha da qual você não faz parte. Nada disso lhe ajudará enquanto pessoa nem ajudará a comunidade no todo. Somente aqueles que conseguem se situar acima dessas paixões entendem o verdadeiro desespero: um país que cambaleia para o abismo. O ódio brota a cada esquina. O diálogo se mostra inviável. No cenário mais amplo, questões importantes são deixadas de lado pelo apego ao poder, à vingança, à ideologia cega...

Tudo ou nada

Fomos às ruas. Chamaram-nos de fascistas, de golpistas. Mas aqui estamos. A maioria não entende o que está ocorrendo. Acreditam em narrativas mentirosas ou deixam-se dominar pelos sentimentos de repugnância que o atual governante lhes traz. Uns poucos entendem e querem deliberadamente tirar proveito do caos, da desordem. Contra estes que lutamos. O Presidente Bolsonaro foi eleito porque representava uma resposta ao projeto de sociedade da esquerda. Também, condensava a revolta do cidadão comum contra o sistema de poder vigente, contra as políticas falidas que levaram o país à sua derrocada econômica, fiscal e moral. Vendeu-se a imagem de outsider . Os críticos sérios dizem que foi apenas discurso de campanha, que o candidato já estava integrado ao sistema, haja vista as duas décadas como parlamentar de pequena influência e as estranhas narrativas envolvendo sua família. Não estão de todo errados; todavia, os argumentos não são suficientes para aplacar as reivindicações populares. ...

O grande acordo e seus inimigos

Após a tempestade pouco amena das eleições de 2018, é de se perguntar qual será o rumo do país daí em diante, para além das narrativas de campanha. Há, no presente, a urgência de se solver o Estado Brasileiro. Durante as eleições, pouco se debateu a respeito, mas impera resolver a questão fiscal e econômica do Brasil. Este caminha para se tornar uma nova Grécia caso nada seja feito, pois a previdência (tanto a do regime geral quanto a dos servidores públicos) é inviável no longo prazo. Não há, também, de onde tirar mais recursos da sociedade, sufocada pelo complexo sistema tributário brasileiro, o que leva a crescentes déficits na esfera pública. Por isso, deve haver um grande acordo nacional. Sem capacidade de diálogo e de transigência, os diversos grupamentos políticos podem arrastar o país para o abismo. No entanto, existem problemáticas que obstam o prosseguimento do acordo. Uma delas é a animosidade que ainda viceja da campanha eleitoral. De um lado, boa parte da populaçã...

O horizonte político brasileiro

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Debate entre economistas deixa claro que o Brasil passará por enormes turbulências num futuro próximo A excelente entrevista realizada pela Globo News com os economistas Marcos Lisboa, Delfim Netto e Laura Carvalho foi estarrecedora. Não apenas pela qualidade do conteúdo (que em muito superou o dos debates entre os presidenciáveis), mas também pela conclusão que figurou ao final do programa: o Brasil não tem futuro. Abandonando as paixões políticas e ideológicas (pelo menos em parte), os referidos economistas expuseram a situação caótica das contas públicas e a completa incapacidade de se formar um governo decente nos próximos anos, dada a conjectura infame do debate público brasileiro e a falência de nossas instituições. Escancarou-se o fracasso do projeto político, institucional e jurídico de 1988. A chamada "Constituição Cidadã" relegou aos cidadãos brasileiros um sistema caótico, mesmo que tenha princípios humanos louváveis. Como bem mencionou Marcos Lisboa, há ...

Percepção política em 2018

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Como se situam ideologicamente os candidatos à presidência? Elaborei um gráfico, utilizando o Political Compass, para demonstrar a tendência ideológica dos principais candidatos à Presidência da República em 2018.  Utilizei, basicamente, a percepção política que cada um deles provoca no eleitorado, bem como compêndios com as principais propostas contidas nos respectivos planos de governo. Obviamente, este gráfico relaciona-se mais estritamente à minha visão subjetiva sobre cada um dos candidatos, pois não realizei um trabalho de pesquisa rigoroso sobre suas propostas ou identidades políticas. Mas, creio eu, é uma visão que grande parte do eleitorado compartilha. Em suma, aqui está: Algumas observações: 1) Jair Bolsonaro poderia ter sua posição no eixo "x" (economia) deslocada para o meio do gráfico, visto que vê com moderação a necessidade de ajuste fiscal, bem como já adotou posturas anti-liberais. Contudo, a inclusão de Paulo Guedes numa possí...