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Mostrando postagens com o rótulo sociedade

Alexandre de Moraes, o Apolônio de Tiana do Estado Democrático de Direito

Por Flávio Gordon   “Eles me odiaram sem razão” (Salmos 35,19)   O escritor Ruy Castro virou o ano com um travo amargo na boca. Sua primeira coluna de 2026, publicada na Folha de S. Paulo, chama a atenção menos por aquilo que diz expressamente do que pelo que revela involuntariamente sobre o clima espiritual do Brasil, um país sob feitiço. Jair Bolsonaro está preso, politicamente derrotado, fisicamente debilitado, submetido a sucessivas cirurgias – e, ainda assim, o ódio não arrefece. Não há compaixão, nem mesmo a curiosidade humana diante da fragilidade. Há apenas a exigência de que a vítima continue sendo vítima. Esse ódio que sobrevive à derrota, à doença e à neutralização do adversário é sempre um sintoma. Ele indica que não estamos diante de um conflito político comum, mas de algo mais antigo e mais profundo: a persistência de um ritual sacrificial.   Sim, Ruy Castro é um enfeitiçado. E aqui precisamos recorrer a René Girard. Segundo o antropólogo francês...

Ser brasileiro

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O Mercado não é um projeto social

Por Natália Beauty Tem gente que acredita que o mundo dos negócios é uma espécie de ONG disfarçada. Que o investidor tem a obrigação de financiar seus sonhos. Que o sucesso alheio é ofensivo. Que a desigualdade é uma desculpa pronta para a explicação do fracasso próprio. Mas aqui vai uma notícia: ninguém te deve nada. O mercado não liga para sua história, sua origem ou sua dor. O mercado quer resultado. E ponto. Enquanto uns perdem tempo culpando o sistema, tem gente lá fora acordando às 5h, estudando, errando, tentando de novo, se reinventando e, claro, vencendo. Não porque nasceram ricos. Mas porque decidiram parar de reclamar e começar a agir. Gente que entende que a vida não tem botão de feedback social, tem entrega. O problema não é falta de oportunidade. É o excesso de narrativa. Todo mundo quer palco, holofote e reconhecimento, mas poucos estão querendo ralar no escuro, sem aplauso, até fazer acontecer. Vivemos uma epidemia de profissionais indignados que acreditam que b...

Caixa de som

Por Alex da Matta S e o sujeito que coloca som alto na praia tivesse um mínimo de reflexão, pensaria: "Isso pode incomodar quem não gosta. Se eu estivesse no lugar dessas pessoas, iria querer que desligassem a caixa de som. Logo, mesmo gostando de barulho, deveria me abster disso em respeito aos outros." E então, desligaria a caixa. Mas isso exige três coisas que nem todo mundo tem: capacidade de abstração (se colocar no lugar do outro), ideia de universalidade (o que espero dos outros também deve valer para mim) e algum senso de dever (fazer o que é certo, independentemente do gosto pessoal ou das consequências). Se a pessoa é burra, não chega a essa conclusão. Se age como um animal, buscando apenas prazer e evitando dor sem qualquer consideração moral, também não. E como há muita gente burra e/ou imoral, a sociedade precisa criar leis, gastar recursos e mobilizar fiscais para punir algo que não deveria sequer existir. O pensamento tribal está entre nós desde sempre. No pass...

A fórmula para enlouquecer o mundo

Olavo de Carvalho Diário do Comércio, 11 de junho de 2007 Adam Smith observa que em toda sociedade coexistem dois sistemas morais: um, rigidamente conservador, para os pobres; outro, flexível e permissivo, para os ricos e elegantes. A história confirma abundantemente essa generalização, mas ainda podemos extrair dela muita substância que não existia no tempo de Adam Smith. O que aconteceu foi que o advento da moderna democracia modificou bastante a convivência entre os dois códigos. Primeiro elevou até à classe dominante o moralismo dos pobres: na América do século XIX vemos surgir pela primeira vez na História uma casta de governantes que admitem ser julgados pelas mesmas regras vigentes entre o resto da população. No século seguinte, as proporções se invertem: a permissividade não só se instala de novo entre a classe chique, mas daí desce e contamina o povão. É verdade que não o faz por completo: metade da nação americana ainda se compreende e se julga segundo os preceitos da Bíblia....

Do que adianta?

Alguns tentam justificar o injustificável. Outros ainda tentam lutar. Do que adianta? As pessoas teimam em entender o Brasil atual pelo pensamento pequeno-burguês, em que a lei a ordem ainda são valores consideráveis. Não percebem que isso já foi surrupiado dessas bandas há muito tempo.  Não há mais estado de direito, democracia, livre-mercado, livre-iniciativa. Isso nunca existiu de fato neste país, que sequer se conseguiu se inserir na onda liberal do Século XVIII. Isso aqui sempre foi um arremedo de modernidade. Mas, agora, a ilusão de que tais ideais poderiam ser buscados não existe mais. O que há é puro suco do socialismo ditatorial, não apenas sob o aspecto institucional, mas também socialmente arraigado.  A situação que vivemos atualmente não veio da noite para o dia. Foi resultado de lenta transformação social e cultural, incutindo nas pessoas a mentalidade socialista. Ninguém mais se importa com direitos e garantias de índole liberal. O que importa agora é o planejame...

A fúria 'woke' nas empresas e universidades é um fato de nossa época

Por Fernando Schüler Ela foi demitida por e-mail. “Pedimos que você deixe sua posição, imediatamente”, dizia o texto. O trabalho era voluntário. A demitida era Fran Itkoff, uma senhora de 90 anos, que há sessenta se dedicava à Sociedade Nacional de Esclerose Múltipla (MS Society). O marido havia se tratado lá, e ela também, além de ter recebido prêmios pelo seu trabalho. Não adiantou. Seu pecado foi ter se atrapalhado no uso dos pronomes, conforme definido pela área DEI (“Diversidade, Equidade e Inclusão”) da instituição. “Não conseguia entender”, disse ela, “quais os termos podiam ou não ser usados”. Resumindo: foi para a rua. “É irônico”, disse sua filha, “porque eles se dizem inclusivos, mas excluem uma mulher deficiente de 90 anos, voluntária há sessenta”. O caso veio a público, causou comoção, muitos apoiadores da MS Society ameaçaram retirar suas doações, e a entidade voltou atrás. Tem sido a regra. Se um caso como este vem à tona, a fúria woke é contida. Ao menos por algum tempo...

Poder

Por Edu Perez “Fulano tá mudado depois que assumiu o cargo”. Não mudou, sempre foi assim. Poder, incluso dinheiro, dá liberdade. O fraco, em regra, não tem escolha além da gentileza. É no forte que a gentileza é opção. Diz o ditado que você deve se atentar a como alguém trata o garçom. Ter poder demonstra o caráter da pessoa, porque confere liberdade. Há quem, quando chega a uma boa posição, passa a destratar os que considera inferiores ou que não lhe trarão qualquer vantagem. Coríntios nos lembra que tudo é permitido, mas nem tudo convém. A regra, porém, é o abuso. Não por acaso Lord Acton cita que “o poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente”, e por isso “homens poderosos são quase sempre maus”. Quem pode muito tem como única contenção sua consciência. Quem faz tudo para o poder não tem moral ou ética alguma. Robert Ingersoll, ao elogiar Abe Lincoln, disse que “se você quer saber quem é o homem, dê-lhe poder. Qualquer homem pode suportar a adversidade, mas ape...

Racismos

  Por Wilson Gomes, professor da UFBA   Racismo é um tipo de preconceito social que, supondo que os humanos se dividem em raça, como outros bichos, considera que pelo menos uma delas é composta por humanos inferiores. Me parece banal, não? Acho que esta é mais ou menos a compreensão comum de racismo. E bem sensata.   Os identitários e os complacentes que os cercam tomaram há alguns anos a decisão de que, não, racismo não era mais isso. E criaram um conceito alternativo com dois objetivos: dar uma excludente de ilicitude para membros de certos grupos e atribuir o monopólio do racismo a outro grupo.   Há alguns dias pedi que me dessem um fundamento racional para o dogma segundo o qual é impossível a qualquer outro grupo, exceto os brancos, ser racista e agir com racismo. Em suma, pedi que conceito de racismo é esse em que só um tipo de humano pode praticar e o outro, sofrer.   Sem respostas. Citaram uma interpretação da lei brasileira, mas eu não p...

A Guerra contra o Ocidente

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Thomas Sowell

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Thomas Sowell, que hoje completa 93 anos, é um dos mais brilhantes economistas em atividade e um destacado defensor da economia de mercado. Graduou-se em Harvard, obteve o título de mestre na Universidade de Columbia e o de doutor na Universidade de Chicago. Escreveu mais de 30 livros, alguns dos quais são leitura obrigatória para os liberais. Vida longa a este gigante. Segue uma seleção de suas melhores citações: "Quando você quer ajudar as pessoas, você diz a verdade. Quando você quer se ajudar, você diz a eles o que eles querem ouvir." "O fato de tantos políticos bem-sucedidos serem mentirosos descarados não é apenas uma reflexão sobre eles, é também uma reflexão sobre nós. Quando as pessoas querem o impossível, apenas os mentirosos podem satisfazê-las." "É difícil imaginar uma maneira mais estúpida ou mais perigosa de tomar decisões do que colocar essas decisões nas mãos de pessoas que não pagam preço por estarem erradas." "O vocabulário da esq...

A nova religião

Não é exagero observar que os Teóricos da Justiça Social criaram uma nova religião, uma tradição de fé que é ativamente hostil à razão, à refutação, ao desmentido e à discordância de qualquer tipo. Na verdade, todo projeto pós-moderno agora parece, em retrospecto, uma tentativa inconsciente de desconstrução das velhas metanarrativas do pensamento ocidental - ciência e razão, juntamente com religião e sistemas econômicos capitalistas - para abrir espaço para uma religião totalmente nova, uma fé pós-moderna baseada em um Deus morto, que vê misteriosas forças mundanas em sistemas de poder e privilégio e que santifica a vitimização. Cada vez mais, essa é a religião fundamentalista da esquerda teoricamente secular. (PUCKROSE, Helen; LINDSAY, James. Teorias Cínicas. São Paulo: Faro Editorial, 2021, p. 221).  

A sacralização cristã da vida humana e os inevitáveis efeitos de sua recusa

Por Flávio Gordon “Todos os que me odeiam amam a morte.” (Provérbios, 8,36) Era o alvorecer do século 4.º, e as coisas não iam bem para o imperador Constantino, cujo exército padecia de fome e doença. Alistado à força nas legiões aos 20 anos de idade, o tebano Pacômio testemunhava com perplexidade a atitude de alguns de seus companheiros, que contrariava os costumes e a moral da época. O jovem soldado via-os oferecer comida e assistência aos necessitados, inclusive inimigos, socorrendo-os de forma indiscriminada, fosse qual fosse sua procedência. Curioso por saber que gente era aquela, descobriu-os cristãos. Interessado em saber mais sobre a natureza de tão excêntrica religião, capaz de inspirar tamanha compaixão – sentimento estranho à filosofia moral pagã, mesmo entre aqueles, como os estoicos, inclinados à prática de alguma caridade –, Pacômio começou a instruir-se na fé e, mais cedo do que imaginava, já havia tomado o caminho da conversão. Logo nos primeiros séculos da era cristã, ...

Terroristas

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Por Edu Perez Terroristas (pq chamar de eco?) depredaram a Fontana di Trevi, em Roma, patrimônio da humanidade, jogando tinta preta para “protestar” contra o uso de combustíveis fósseis. Last Generation é um grupo ambiental de ideal socialista especializado em atacar patrimônio histórico. P. ex., já se colaram a uma estátua no Vaticano e jogaram tinta preta numa obra de Klimt. São terroristas que deveriam ser presos. Essa gente não liga para meio-ambiente. A maioria é jovem, na faixa dos 20 anos, que não tem ideia de como o mundo funciona, mas quer mudá-lo na base da violência e do grito, impondo sua ideologia. A verdade é que não estão nem aí pro urso ou pra baleia, como os grupos congêneres não estão nem aí para as minorias ou os miseráveis. O foco é odiar e destruir, não proteger e construir. Amar toma tempo. Odiar é fácil. As ideologias do ódio arrastam multidões, embasam ditaduras. O bem junta meia dúzia. O negócio dessa gente é acabar com o bom e o belo. São como os orcs do Senho...

Finlândia

 Por Gustavo Bertoche O projeto educacional finlandês é o exato oposto do brasileiro. No Brasil, os "especialistas" querem que as crianças fiquem mais tempo nas escolas, com mais deveres de casa, com um currículo enorme, sem sentido e engessado.   Na Finlândia, o desafio é outro: é deixar as crianças o menor tempo possível na escola, somente a partir dos sete anos, sem um currículo nacional, praticamente sem dever de casa, sem provas, sem vestibular; cada professor (há somente um por turma!) prepara o currículo específico adequado àqueles alunos e àquelas circunstâncias sociais. Os professores finlandeses são muito bem pagos; a Finlândia sabe que a educação de qualidade é necessariamente cara, e que educação barata é fraude. Quem não tem no mínimo um mestrado em Ciências da Educação não pode nem pensar em concorrer às vagas do magistério – que são disputadíssimas. Por aqui, os nossos professores recebem salários de fome. Não têm sequer como comprar livros. A conseqüência: a c...

Educação e leitura

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Realidade

Muita gente se pergunta: como os horrores dos regimes nazista e comunista puderam acontecer? Como milhões de compatriotas foram perseguidos e assassinados em campos de concentração e Gulags? Hoje em dia fica mais fácil de entender. Veja o entusiasmo com que muitos defendem as arbitrariedades em curso, o fim dos direitos mais básicos e o banimento da liberdade de expressão. É pelo bem da sociedade, dizem... repetindo o mesmo discurso dos totalitários do passado. A única diferença é que hoje não é mais necessário criar os campos de concentração: através da tecnologia, é possível escravizar uma sociedade inteira sem disparar um único tiro.  Leandro Ruschel     

Liberdade de expressão

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Bibliotecas

 Por Gustavo Bertoche Uma biblioteca não é simplesmente um lugar em que podemos ler livros. Cada biblioteca é uma praça de resistência. É uma das últimas instituições em que qualquer pessoa pode entrar e ter livre acesso a bens de alto valor econômico sem que ninguém queira cobrar-lhe alguma coisa. * * * Em "Fahrenheit 451", Ray Bradbury descreve uma distopia em que os livros são proibidos. Lá as telas, a televisão, o entretenimento interativo tomam todo o lugar da cultura literária. Conseqüentemente a população se torna mansa e estúpida - e passa a odiar os livros como se fossem “armas carregadas”: "Nada mais simples e fácil de explicar! Com a escola formando mais corredores, saltadores, remendadores, agarradores, detetives, aviadores e nadadores em lugar de examinadores, críticos, conhecedores e criadores imaginativos, a palavra 'intelectual', é claro, tornou-se o palavrão que merecia ser. Sempre se teme o que não é familiar. Por certo você se lembra do menino ...

Tabus do Século 21

O deputado Nikolas Ferreira exerceu seu direito à livre expressão parlamentar (art. 53 da Constituição Federal) para criticar os movimentos queer ou a chamada "ideologia de gênero". Todavia, foi sumariamente cancelado pelo establishment , que pede sua cassação em completo desprezo pelas normas constitucionais.  Temas como o suscitado pelo parlamentar não são passíveis de críticas no mundo atual. Criou-se uma espiral de silêncio quanto a questões fundamentais sobre o modo de ser da sociedade e dos indivíduos. Por isso mesmo, deveriam ser debatidas, tanto na seara das ideias, quanto no âmbito político. Contudo, em virtude de certos movimentos antidemocráticos, tornaram-se tabus. É impossível hoje discutir a extensão dos direitos das "minorias" ou mesmo debater o resultado prático das ideologias que fomentam tais movimentos. Criticar a invasão dos transgêneros masculinizados no esporte e nos banheiros femininos? Absurdo! Você só pode ser um fascista transfóbico. Repree...