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A "defesa da democracia"

Por Leandro Ruschel É impossível entender a expressão "defesa da democracia" sem saber o que ela significa para quem tem utilizado o termo na justificativa de todo tipo de arbitrariedade. Há poucos dias, assisti, pelo Youtube, a uma palestra ministrada na FFLCH, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, uma espécie de Meca da esquerda. O propósito do evento era avaliar os protestos de junho de 2013, e fazer uma defesa do movimento, acusado por parte da esquerda de ter despertado a marcha "fascista" que culminou com a eleição de Bolsonaro em 2018, e à "tentativa de golpe" em janeiro deste ano. De início, chama a atenção o uso de uma bandeira do PSOL no evento, deixando claro como a esquerda aparelhou completamente as universidades públicas, bancadas pelo dinheiro do pagador de impostos, servindo agora ao propósito de produzir militância de extrema-esquerda, e não conhecimento. Resumindo, os protestos de 2013 são tratados como eventos revol...

Hipocrisia

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Sou a favor da liberdade de expressão irrestrita - segundo Popper, a sociedade aberta admite quaisquer ideias e nenhuma delas deve ser reprimida. Por outro lado, a liberdade de associação em prol de determinadas ideologias deve ser combatida, pois ultrapassa o plano discursivo. E isso deveria valer para todos.  Ocorre que não é bem assim na prática. O comunismo, por exemplo, é aceito - por vezes, idolatrado - e possui aparato institucional. Seu primo pós-modernista também. Na polêmica toda do tal do Monark, não faltou comunista e afins indo às redes sociais para executar o cara, mas sem o menor pudor de suscitar Stalin. Veja o Twitter da Jandira Feghali, do Jones Manoel e outros.  A manifestação deles não é recriminada, pelo contrário, endossada. O que leva a crer que a nossa sociedade já inverteu tanto os valores, é tão hipócrita, que não será surpresa se, no futuro próximo, defenderem o genocídio de um grupo de pessoas para fins de justiça social - o fato ainda será festejad...

Sobre emancipação e justiça social

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  (Roger Scruton, 2018)

A sociedade da intransigência

Fernando Schüler, professor de ciência política do INSPER, escreveu artigo na Folha, nesta semana, intitulado "Cultura do cancelamento vem criando debate público avesso ao risco e à divergência". Sempre perspicaz, demonstrou como a liberdade de pensamento está sendo ameaçada no Ocidente e trouxe à lume o grande debate nas nações mais avançadas. Reproduzo aqui o artigo de notável lucidez.  Cultura do cancelamento vem criando debate público avesso ao risco e à divergência Por Fernando Schüler "Tentaram “cancelar” Steven Pinker. Ele é um intelectual com jeito de roqueiro das antigas. Linguista em Harvard, autor de alguns livros monumentais (“Os Anjos Bons de Nossa Natureza” e “Iluminismo Agora”). Sua ideia-força é a de que estamos melhorando, como civilização, seja na redução global da violência, respeito a direitos, incidência da guerra. Isso irrita muita gente. Uma carta assinada por um grupo de acadêmicos pedia à Associação Americana de Linguística (LSA) sua destituição ...

O grande acordo e seus inimigos

Após a tempestade pouco amena das eleições de 2018, é de se perguntar qual será o rumo do país daí em diante, para além das narrativas de campanha. Há, no presente, a urgência de se solver o Estado Brasileiro. Durante as eleições, pouco se debateu a respeito, mas impera resolver a questão fiscal e econômica do Brasil. Este caminha para se tornar uma nova Grécia caso nada seja feito, pois a previdência (tanto a do regime geral quanto a dos servidores públicos) é inviável no longo prazo. Não há, também, de onde tirar mais recursos da sociedade, sufocada pelo complexo sistema tributário brasileiro, o que leva a crescentes déficits na esfera pública. Por isso, deve haver um grande acordo nacional. Sem capacidade de diálogo e de transigência, os diversos grupamentos políticos podem arrastar o país para o abismo. No entanto, existem problemáticas que obstam o prosseguimento do acordo. Uma delas é a animosidade que ainda viceja da campanha eleitoral. De um lado, boa parte da populaçã...

O grito de independência do brasileiro

As eleições mais importantes da Nova República se aproximam, mas o que realmente está em jogo? Os grandes problemas nacionais são conhecidos (ou deveriam ser). Há gigantescos gargalos estruturais, tanto na economia como nas finanças públicas. O próximo presidente deverá, imediatamente após eleito, tecer relações amistosas com as forças políticas constituídas e alcançar um consenso para sanar tais questões. A alternativa é a derrocada financeira do Estado e a estagnação do país na pobreza. Mas há, ainda, um outro conflito a ser superado: a independência moral e ética da sociedade brasileira frente ao  establishment cultural. Por muito tempo ficou a nossa sociedade refém da moral e dos costumes marxistas e de uma cultura que privilegia a destruição das principais instituições construídas ao longo dos séculos pela humanidade.  Estado de Direito, Democracia, Capitalismo, Família, Ética Judaico-Cristã, Filosofia Clássica. Todo o legado da civilização ocidental corre perigo...

O que é ser um conservador?

A verdadeira postura conservadora pode surpreender a maioria Ser um conservador em nada se relaciona com um suposto saudosismo de eras passadas, ou com a manutenção de um sistema ético-moral baseado em tradições ancestrais. Ser conservador é ser prático: é admitir que o Ocidente moderno só obteve sucesso em difundir sua cultura e, no processo, dominar o mundo, tendo como base três pilares fundamentais: Capitalismo, Ciência e Estado Democrático de Direito.  Os dois primeiros foram resultado de um longo processo ocorrido ao longo de séculos, que incutiu na sociedade a ideia de progresso: o mundo pode ser melhor no futuro, desde que os seres humanos procurem o conhecimento. A aquisição de conhecimento gera confiança no futuro. Mais confiança significa que mais crédito pode ser disponibilizado, mais empreendimentos podem ser realizados e mais conhecimento pode ser produzido. A sociedade enriquece, num ciclo virtuoso ininterrupto. O terceiro pilar, Estado Democrático de Dir...

Por que ainda me iludo?

Da ausência de pluralidade de ideias na academia brasileira Esta semana, visitei conhecida feira de livros promovida por uma famosa universidade federal, cujo principal atrativo é o generoso desconto oferecido a todos os exemplares postos à venda. Esperava encontrar volumes e mais volumes de obras de variadas fontes, autores e referências. No entanto, esta expectativa raramente é correspondida nesse tipo de evento e ainda fico surpreso como posso me iludir a tal ponto. Como é sabido pelas pessoas que ainda não tiveram sua consciência corrompida, há muitas décadas que o ambiente cultural brasileiro (aí incluídas editoras de livros e a própria universidade) foi tomado de assalto pelo pensamento neomarxista e pelas políticas identitárias de cunho relativista. Travando uma verdadeira guerra de posição cultural, de forma a ocupar todos os espaços de produção e circulação de ideias, os militantes de tais ideologias, inspirados por Gramsci e outros autores, obtiveram grande êxito no...