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My University Sacrificed Ideas for Ideology. So Today I Quit.

The more I spoke out against the illiberalism that has swallowed Portland State University, the more retaliation I faced. By Peter Boghossian Dear Provost Susan Jeffords, ​​I’m writing to you today to resign as assistant professor of philosophy at Portland State University. Over the last decade, it has been my privilege to teach at the university. My specialties are critical thinking, ethics and the Socratic method, and I teach classes like Science and Pseudoscience and The Philosophy of Education. But in addition to exploring classic philosophers and traditional texts, I’ve invited a wide range of guest lecturers to address my classes, from Flat-Earthers to Christian apologists to global climate skeptics to Occupy Wall Street advocates. I’m proud of my work. I invited those speakers not because I agreed with their worldviews, but primarily because I didn’t. From those messy and difficult conversations, I’ve seen the best of what our students can achieve: questioning beliefs ...

Finlândia

 Por Gustavo Bertoche O projeto educacional finlandês é o exato oposto do brasileiro. No Brasil, os "especialistas" querem que as crianças fiquem mais tempo nas escolas, com mais deveres de casa, com um currículo enorme, sem sentido e engessado.   Na Finlândia, o desafio é outro: é deixar as crianças o menor tempo possível na escola, somente a partir dos sete anos, sem um currículo nacional, praticamente sem dever de casa, sem provas, sem vestibular; cada professor (há somente um por turma!) prepara o currículo específico adequado àqueles alunos e àquelas circunstâncias sociais. Os professores finlandeses são muito bem pagos; a Finlândia sabe que a educação de qualidade é necessariamente cara, e que educação barata é fraude. Quem não tem no mínimo um mestrado em Ciências da Educação não pode nem pensar em concorrer às vagas do magistério – que são disputadíssimas. Por aqui, os nossos professores recebem salários de fome. Não têm sequer como comprar livros. A conseqüência: a c...

Educação e leitura

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Escola e escolarização

Por Gustavo Bertoche Amigos, comecei a dar aulas no Ensino Médio em 1999, quando estava no segundo ano da graduação em Filosofia. Ou seja: há mais de vinte anos passei a freqüentar a sala de professores. Nesse ambiente, quase não presenciei discussões sobre processo pedagógico, sobre currículo, sobre métodos de ensino. Em lugar disso, ouvi com enorme regularidade reclamações quanto a prazos para entrega de notas, quanto a salários baixos, quanto a alunos “mal-educados”, quanto a resultados de jogos de futebol. A conclusão é inevitável: há algo de podre na nossa escola. * * * Um professor é um intelectual. O seu principal instrumento profissional é o seu pensamento – o que inclui a sua memória, a sua erudição e a sua capacidade de reflexão. Por isso, supõe-se que ele seja capaz de refletir sobre o seu trabalho, isto é: sobre o sentido da Educação, sobre a meta do processo pedagógico, sobre os métodos adequados ou inadequados para que essa meta seja alcançada. Todavia, raríssimas vezes e...

País do futuro

Por Gustavo Bertoche Como acabar com o mito de que a educação brasileira dos anos 50 tinha boa qualidade... Em 1951, o físico norte-americano Richard Feynman (que posteriormente receberia o Nobel de Física) veio lecionar no Rio de Janeiro (ele tinha uma simpatia genuína pelo Brasil: aprendeu a falar português para melhor se comunicar com os seus alunos e chegou a tocar percussão numa escola de samba). Dessa experiência Feynman tirou uma conclusão: os brasileiros acreditavam ter no Brasil instituições de Ensino Superior, mas estavam enganados. Na realidade não havia universidade, não havia ciência, não havia Educação por aqui: o que existia era uma imitação desajeitada e sem propósito do que se fazia em outros países. Abaixo, trecho da autobiografia de Feynman. Ele avalia o período em que lecionou aqui. A sua conclusão é tão válida hoje como era há 70 anos. * * * "Em relação à educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante. Eu estava dando aulas para um grupo de estuda...

Leitura

Por Gustavo Bertoche Por alguns anos ensinei a disciplina “Metodologia da Pesquisa” numa universidade. A primeira lição nas minhas aulas de Metodologia sempre foi: aprender a ler. Isso pode parecer infantil, mas conheço pessoas com mestrado e doutorado que lêem muito mal. Há diferentes técnicas de leitura de um texto dissertativo: a leitura skimming, perpendicular, rápida, em que somente se apreende o objeto geral do texto; a leitura tipo scanning, também rápida, em que não se entende nada do texto, mas se busca, com atenção, termos ou expressões-chave; a leitura de compreensão, em que se busca efetivamente apreender a tese e os argumentos do texto; a leitura analítica, em que se busca obter as referências do autor e os seus passos lógicos; e a leitura crítica, em que se procura pelas falhas argumentativas, contradições, erros conceituais, equívocos nas referências a outros autores. * * * De fato, há algumas regras básicas para a compreensão de um texto argumentativo - seja um livro, u...

QI, educação e literatura

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 Por Gustavo Bertoche O QI médio em praticamente todos os países do mundo cresceu muito nos últimos 100 anos. Na Alemanha e nos EUA, o crescimento do QI médio foi de mais de 30 pontos. No Quênia e na Argentina, foi de cerca de 25 pontos. Na Estônia e no Sudão, foi cerca de 12 pontos. Fonte: https://ourworldindata.org/.../change-in-average... No Brasil aconteceu justamente o contrário. A queda do QI foi de quase 10 pontos nos últimos 100 anos. Talvez esse emburrecimento generalizado seja único na história da humanidade. O nosso QI médio é de 87, o que nos coloca, na média, no limite da deficiência intelectual. * * * Esse fenômeno bizarro tem tudo a ver com o nosso modelo de (des)educação escolar. Nada a ver com Paulo Freire, amigos. A coisa vem de muito antes. Em 1915, Lima Barreto revelava a cultura das aparências no Brasil: ao saber que Policarpo Quaresma possuía uma biblioteca particular, o doutor Segadas pergunta para que tantos livros, se não era nem formado. Não lhe ocorre que...