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Finlândia

 Por Gustavo Bertoche O projeto educacional finlandês é o exato oposto do brasileiro. No Brasil, os "especialistas" querem que as crianças fiquem mais tempo nas escolas, com mais deveres de casa, com um currículo enorme, sem sentido e engessado.   Na Finlândia, o desafio é outro: é deixar as crianças o menor tempo possível na escola, somente a partir dos sete anos, sem um currículo nacional, praticamente sem dever de casa, sem provas, sem vestibular; cada professor (há somente um por turma!) prepara o currículo específico adequado àqueles alunos e àquelas circunstâncias sociais. Os professores finlandeses são muito bem pagos; a Finlândia sabe que a educação de qualidade é necessariamente cara, e que educação barata é fraude. Quem não tem no mínimo um mestrado em Ciências da Educação não pode nem pensar em concorrer às vagas do magistério – que são disputadíssimas. Por aqui, os nossos professores recebem salários de fome. Não têm sequer como comprar livros. A conseqüência: a c...

Educação e leitura

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Escola e escolarização

Por Gustavo Bertoche Amigos, comecei a dar aulas no Ensino Médio em 1999, quando estava no segundo ano da graduação em Filosofia. Ou seja: há mais de vinte anos passei a freqüentar a sala de professores. Nesse ambiente, quase não presenciei discussões sobre processo pedagógico, sobre currículo, sobre métodos de ensino. Em lugar disso, ouvi com enorme regularidade reclamações quanto a prazos para entrega de notas, quanto a salários baixos, quanto a alunos “mal-educados”, quanto a resultados de jogos de futebol. A conclusão é inevitável: há algo de podre na nossa escola. * * * Um professor é um intelectual. O seu principal instrumento profissional é o seu pensamento – o que inclui a sua memória, a sua erudição e a sua capacidade de reflexão. Por isso, supõe-se que ele seja capaz de refletir sobre o seu trabalho, isto é: sobre o sentido da Educação, sobre a meta do processo pedagógico, sobre os métodos adequados ou inadequados para que essa meta seja alcançada. Todavia, raríssimas vezes e...

País do futuro

Por Gustavo Bertoche Como acabar com o mito de que a educação brasileira dos anos 50 tinha boa qualidade... Em 1951, o físico norte-americano Richard Feynman (que posteriormente receberia o Nobel de Física) veio lecionar no Rio de Janeiro (ele tinha uma simpatia genuína pelo Brasil: aprendeu a falar português para melhor se comunicar com os seus alunos e chegou a tocar percussão numa escola de samba). Dessa experiência Feynman tirou uma conclusão: os brasileiros acreditavam ter no Brasil instituições de Ensino Superior, mas estavam enganados. Na realidade não havia universidade, não havia ciência, não havia Educação por aqui: o que existia era uma imitação desajeitada e sem propósito do que se fazia em outros países. Abaixo, trecho da autobiografia de Feynman. Ele avalia o período em que lecionou aqui. A sua conclusão é tão válida hoje como era há 70 anos. * * * "Em relação à educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante. Eu estava dando aulas para um grupo de estuda...

Leitura

Por Gustavo Bertoche Por alguns anos ensinei a disciplina “Metodologia da Pesquisa” numa universidade. A primeira lição nas minhas aulas de Metodologia sempre foi: aprender a ler. Isso pode parecer infantil, mas conheço pessoas com mestrado e doutorado que lêem muito mal. Há diferentes técnicas de leitura de um texto dissertativo: a leitura skimming, perpendicular, rápida, em que somente se apreende o objeto geral do texto; a leitura tipo scanning, também rápida, em que não se entende nada do texto, mas se busca, com atenção, termos ou expressões-chave; a leitura de compreensão, em que se busca efetivamente apreender a tese e os argumentos do texto; a leitura analítica, em que se busca obter as referências do autor e os seus passos lógicos; e a leitura crítica, em que se procura pelas falhas argumentativas, contradições, erros conceituais, equívocos nas referências a outros autores. * * * De fato, há algumas regras básicas para a compreensão de um texto argumentativo - seja um livro, u...

QI, educação e literatura

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 Por Gustavo Bertoche O QI médio em praticamente todos os países do mundo cresceu muito nos últimos 100 anos. Na Alemanha e nos EUA, o crescimento do QI médio foi de mais de 30 pontos. No Quênia e na Argentina, foi de cerca de 25 pontos. Na Estônia e no Sudão, foi cerca de 12 pontos. Fonte: https://ourworldindata.org/.../change-in-average... No Brasil aconteceu justamente o contrário. A queda do QI foi de quase 10 pontos nos últimos 100 anos. Talvez esse emburrecimento generalizado seja único na história da humanidade. O nosso QI médio é de 87, o que nos coloca, na média, no limite da deficiência intelectual. * * * Esse fenômeno bizarro tem tudo a ver com o nosso modelo de (des)educação escolar. Nada a ver com Paulo Freire, amigos. A coisa vem de muito antes. Em 1915, Lima Barreto revelava a cultura das aparências no Brasil: ao saber que Policarpo Quaresma possuía uma biblioteca particular, o doutor Segadas pergunta para que tantos livros, se não era nem formado. Não lhe ocorre que...