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Capitalismo e cristianismo

Por Olavo de Carvalho.  Artigo publicado originalmente na revista República – edição de dezembro de 1998. Uma tolice notável que circula de boca em boca contra os males do capitalismo é a identificação do capitalista moderno com o usurário medieval, que enriquecia com o empobrecimento alheio. Lugar-comum da retórica socialista, essa ideiazinha foi no entanto criação autêntica daquela entidade que, para o guru supremo Antonio Gramsci, era a inimiga número um da revolução proletária: a Igreja Católica. Desde o século XVIII, e com freqüência obsessivamente crescente ao longo do século XIX, isto é, em plena Revolução Industrial, os papas não cessam de verberar o liberalismo econômico como um regime fundado no egoísmo de poucos que ganham com a miséria de muitos. Mas que os ricos se tornem mais ricos à custa de empobrecer os pobres é coisa que só é possível no quadro de uma economia estática, onde uma quantidade mais ou menos fixa de bens e serviços tem de ser dividida como um bolo de a...

Resenha: Confissões

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  Uma obra absolutamente atemporal e que trata do que é mais caro ao ser humano: a sua relação com Deus. Não quero ser presunçoso a ponto de tecer comentários e formular análises sobre este grande marco da literatura, pois isso já foi feito por grandes mestres no decorrer dos séculos. Quero apenas destacar algumas impressões pessoais que ressoaram no fundo da alma: O itinerário para Deus é universal. Esta talvez seja a mensagem mais cativante da obra e que tanto inspirou leitores na história. Como diz o próprio Santo Agostinho: “Estavas comigo, mas eu não estava contigo”. Deus é de onde provém todas as coisas e está sempre conosco, embora conceda e respeite o livre-arbítrio aos homens. Estes é que se dirigem para longe Dele. Mas, mesmo nesta situação, está os chamando e, em certo momento, ilumina a sua inteligência. Os vícios da humanidade são perenes ao longo da história. A obra foi escrita há mais de mil e seiscentos anos. Mesmo assim, descreve disposições do ser humano que são a...

Por que Nossa Senhora aparece chorando em La Salette?

Em 19 de setembro de 1846, a Virgem Santíssima apareceu a Mélanie e a Maximin na montanha francesa de La Salette. Consigo a Mãe de Deus trazia uma mensagem, que ela revelou entre lágrimas. Por Pe. Paulo Ricardo Nossa Senhora apareceu em La Salette, no dia 19 de setembro de 1846, por causa de “duas coisas” principais, que estavam tornando pesado o braço de seu divino Filho. Ouçamos o que ela tem a revelar, entre lágrimas, a Mélanie, a Maximin e, através deles, a toda a humanidade: Se meu povo não quer se submeter, sou forçada a deixar cair a mão de meu Filho. Ela é tão forte e pesada que não posso mais retê-la. Há quanto tempo sofro por vocês! Se quero que meu Filho não os abandone, sou obrigada a suplicá-lo incessantemente. E vocês nem se importam com isso. Por mais que rezem, por mais que façam, jamais poderão recompensar a aflição que tenho sofrido por vocês. (1) Dei-lhes seis dias para trabalhar, e reservei-me o sétimo, e não me querem concedê-lo. É o que faz pesar tanto o braço de ...

Novos tempos (ou não)

Por Padre Paulo Ricardo Quando olhamos para a situação atual da Igreja, temos a impressão de estar diante de um cenário de guerra, marcado por destruição, incerteza e medo. Humanamente falando, o que vemos é desolador: → As verdades de fé, pelas quais os santos e mártires deram a vida, sendo tratadas como meras opiniões ultrapassadas.  → Um silêncio ensurdecedor acerca da necessidade de conversão e de abandono do pecado.  → A distorção dos conceitos de amor e misericórdia, como forma de relativizar o pecado e suas consequências para a alma.  → Uma constante preocupação com temas totalmente alheios à missão da Igreja, em detrimento do zelo pela salvação das almas.  → Uma visão imanente de Igreja, inclusive submetendo-a à ação de organismos internacionais anticristãos, que, por sua vez, aproveitam para impor suas pautas dentro da Igreja.  → A substituição da coerência teológica por um espontaneísmo argumentativo, que trata de temas complexos como quem, de forma in...

Resenha: Teorias Cínicas

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A obra “Teorias Cínicas”, de Helen Puckrose e James Lindsay, cuida-se de um compêndio explicativo sobre um aspecto bem particular da cultura dos países ocidentais e que se tornou mais óbvio em tempos recentes: trata-se do tema “Justiça Social”, em letras maiúsculas, que se diferencia do lugar-comum “justiça social”, a ideia corrente de equidade ou isonomia. “Justiça Social”, em letras maiúsculas, é toda uma nova cultura que nasceu dos movimentos “woke”, objeto de estudo dos autores. Eles traçam um panorama do que se tornou hoje a intelectualidade e o ativismo da esquerda, embasada pela “Justiça Social”: um conjunto difuso de abordagens baseadas no pós-modernismo/pós-estruturalismo da década de 1970 que se coalesceu num movimento quase religioso, a “Teoria da Justiça Social”. Inicialmente, explica-se o desenvolvimento histórico e teórico desse movimento que nasceu da insatisfação com as grandes narrativas, sobretudo o marxismo, a ciência e as religiões tradicionais. Tomando por base ...

A nova religião

Não é exagero observar que os Teóricos da Justiça Social criaram uma nova religião, uma tradição de fé que é ativamente hostil à razão, à refutação, ao desmentido e à discordância de qualquer tipo. Na verdade, todo projeto pós-moderno agora parece, em retrospecto, uma tentativa inconsciente de desconstrução das velhas metanarrativas do pensamento ocidental - ciência e razão, juntamente com religião e sistemas econômicos capitalistas - para abrir espaço para uma religião totalmente nova, uma fé pós-moderna baseada em um Deus morto, que vê misteriosas forças mundanas em sistemas de poder e privilégio e que santifica a vitimização. Cada vez mais, essa é a religião fundamentalista da esquerda teoricamente secular. (PUCKROSE, Helen; LINDSAY, James. Teorias Cínicas. São Paulo: Faro Editorial, 2021, p. 221).  

A sacralização cristã da vida humana e os inevitáveis efeitos de sua recusa

Por Flávio Gordon “Todos os que me odeiam amam a morte.” (Provérbios, 8,36) Era o alvorecer do século 4.º, e as coisas não iam bem para o imperador Constantino, cujo exército padecia de fome e doença. Alistado à força nas legiões aos 20 anos de idade, o tebano Pacômio testemunhava com perplexidade a atitude de alguns de seus companheiros, que contrariava os costumes e a moral da época. O jovem soldado via-os oferecer comida e assistência aos necessitados, inclusive inimigos, socorrendo-os de forma indiscriminada, fosse qual fosse sua procedência. Curioso por saber que gente era aquela, descobriu-os cristãos. Interessado em saber mais sobre a natureza de tão excêntrica religião, capaz de inspirar tamanha compaixão – sentimento estranho à filosofia moral pagã, mesmo entre aqueles, como os estoicos, inclinados à prática de alguma caridade –, Pacômio começou a instruir-se na fé e, mais cedo do que imaginava, já havia tomado o caminho da conversão. Logo nos primeiros séculos da era cristã, ...

O novo incêndio do Reichstag

 Por Gustavo Bertoche Daqui de longe vi os acontecimentos do último domingo. Pessoas adultas, com profissão, com família, decidiram dar um "golpe" e instaurar uma "guerra civil" - a despeito da hostilidade dos meios de comunicação, da indiferença dos militares, da inexistência de uma liderança, da ausência de apoio internacional, da falta de treinamento armado -, baseadas somente no "sentimento", na "crença", na "esperança" de que no momento exato, sem haver nada combinado previamente, os generais surgiriam, como um deus ex machina, e executariam uma ruptura institucional. A confiança na Providência para a resolução do problema, e a conseqüente decepção quando ficou claro que ninguém apareceria para salvá-los, é reveladora: trata-se de um movimento antes religioso que político - uma comunidade de irmãos conectados pelas redes sociais a uma congregação virtual, na qual todos, ligados a um messianismo de um messias imaginário, diariamente...

Resumo: 12 Regras para a Vida

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Um Antídoto para o Caos O livro tem como problema geral a discussão acerca dos rumos da cultura ocidental: por um lado, como evitar o conflito eterno entre sistemas de valores e, por outro, o niilismo social irresponsável (p. XXXIII da Introdução)? Segundo Peterson, a resposta se daria através do desenvolvimento do indivíduo e de sua responsabilidade individual e coletiva: o aprimoramento do “Ser”. É a tarefa primordial de toda pessoa quando está perante o mundo e seu sofrimento. Em tempos nos quais os jovens aprendem que o valor da tolerância é o único aceitável e a moral é considerada opressora – considerações puramente ideológicas e simplistas – Peterson resgata a tradição humana obtida ao longo de séculos para mostrar o que é virtude, visando, assim, remediar a difusão do desespero e do conflito.  Relembre as regras utilizando o próprio corpo Lista de regras: 1. Costas eretas, ombros para trás. 2. Cuide de si mesmo como cuidaria de alguém so...