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O racismo irracional

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Em 2007, a Revista Veja contou o curioso caso dos gêmeos idênticos Alex e Alan que recorreram ao sistema de cotas raciais na hora de fazer a inscrição no vestibular. Para comissão, Alex era branco e Alan negro. Depois do escândalo, a universidade recuou e passou a reconhecer os gêmeos como pardos/negros sem distinção. O tempo passou e no ano passado, dezesseis anos depois, Alan - aquele que em 2007 era o negro dos irmãos - foi reprovado em um concurso público , pois a comissão de heteroidentificação olhou para cara dele e decidiu que ele é branco. É isto. Não precisa de comentário nenhum. Os fatos falam por si próprios.

Racismo reverso

 Por Leandro Ruschel O Ministério Público de São Paulo acabou de decidir, ao arrepio da Lei, que não existe crime de racismo contra brancos, paulistas ou europeus. Eis o resultado de décadas de aparelhamento, e de infiltração do extremismo de esquerda na máquina pública, incluindo aí a Justiça. O caso envolve as postagens em redes sociais de uma assessora da ministra da Igualdade Racial, que escreveu o seguinte: "torcida branca, que não canta, descendente de europeu safade... pior de tudo pauliste". A promotora Maria Fernanda Balsalobre Pinto pediu o arquivamento do caso, pois segundo ela "não é qualquer ódio exteriorizado que encontra tipicidade penal, mas apenas aqueles voltados contra determinados grupos vulneráveis no contexto histórico-sociológico". Em outras palavras, está liberado o discurso de ódio contra integrantes de grupos considerados "historicamente, amplamente hegemônicos e dominantes, jamais experimentando qualquer violação sistemática de direit...

Racismos

  Por Wilson Gomes, professor da UFBA   Racismo é um tipo de preconceito social que, supondo que os humanos se dividem em raça, como outros bichos, considera que pelo menos uma delas é composta por humanos inferiores. Me parece banal, não? Acho que esta é mais ou menos a compreensão comum de racismo. E bem sensata.   Os identitários e os complacentes que os cercam tomaram há alguns anos a decisão de que, não, racismo não era mais isso. E criaram um conceito alternativo com dois objetivos: dar uma excludente de ilicitude para membros de certos grupos e atribuir o monopólio do racismo a outro grupo.   Há alguns dias pedi que me dessem um fundamento racional para o dogma segundo o qual é impossível a qualquer outro grupo, exceto os brancos, ser racista e agir com racismo. Em suma, pedi que conceito de racismo é esse em que só um tipo de humano pode praticar e o outro, sofrer.   Sem respostas. Citaram uma interpretação da lei brasileira, mas eu não p...

Os bebês são racistas agora?

Por Frank Furedi O pensamento racial adquiriu um impulso perigoso. Tudo, ao que parece, agora é sobre raça. Os principais defensores dessa visão hoje não são racistas antiquados. São autoproclamados antirracistas. E eles estão aparentemente determinados a atribuir pensamentos racistas até mesmo a bebês e crianças pequenas. Veja o Islington Council, administrado pelos trabalhistas, no norte de Londres, que acaba de produzir uma campanha de pôsteres alegando que os bebês podem ser racialmente tendenciosos. O cartaz diz ao público que “aos três meses, os bebês olham mais para rostos que combinam com a raça de seus cuidadores”. Sem dúvida, porque eles procuram rostos que combinem com os dos adultos que cuidam deles. Ver esse comportamento infantil como evidência de "preconceito racial" é desequilibrado. Isso cheira a um compromisso irracional de interpretar quase todo comportamento humano através do prisma do racismo. Depois, há o governo trabalhista galês, que, ao lado da Câmara...

Mais sobre racismo (negro)

Novo episódio ridículo de nossa caminhada rumo ao novo racismo.  Jornalista da Globo News teve que pedir desculpas, ao vivo e em rede nacional, porque utilizou em sua fala o verbo "denegrir". Supostamente, seria uma fala preconceituosa contra negros. Toda a lógica, ciência e racionalidade se curva à ideologia regressista.  Reproduzo um texto elucidativo que vi do linguista Rafael Rigolon, da UFV: Sobre ‘denegrir’ e outros termos denegridos Virou palavra tabu. Não adianta mais explicar que esse verbo não faz referência alguma aos humanos de pele escura, que nenhum dicionário (antigo ou atual) apresenta essa relação, que ninguém o utiliza correlacionando seu sentido de ‘manchar, aviltar’ a um grupo étnico.   Não faz mais diferença mostrar que a escuridão, as trevas, a noite e as cores escuras são usadas como metáfora, no mundo todo, desde os primórdios da civilização e que é natural se sentir desconfortável quando não há claridade, visibilidade.   Parece já perda de te...

Palmitagem

Recentemente, descobri o significado do termo "palmitagem". "Palmitagem" é um neologismo criado pelo movimento racista negro para designar, pejorativamente, aqueles indivíduos negros que se relacionam com brancos. De forma mais específica, é o "negão que gosta de branquinhas", ou o "negro de alma branca". O termo, da forma como é utilizado, remete a essas ideologias "regressistas" que assolam a sociedade. Indubitável que essa discussão, ridícula, possui um quê de dramática. Escancara toda a hipocrisia do pessoal politicamente correto. E o pior: nem os integrantes do movimento escapam desse novo racismo. Tome, como exemplo, a Djamila Ribeiro , árdua ativista negra e defensora dessas ideias. Há pouco tempo atrás, assumiu o relacionamento com um branco. Foi execrada nas redes sociais. Não tive compadecimento. A pessoa sustenta abertamente, em seus livros, que o negro tem que rejeitar a branquitude e criar uma identidade afrocentrada; fala ...

A opinião embargada

Por Demétrio Magnoli Investigando o "declínio" da língua inglesa, George Orwell escreveu: "ela torna-se feia e imprecisa porque nossos pensamentos são tolos, mas o desmazelo de nossa linguagem facilita-nos desenvolver pensamentos estúpidos". O raciocínio aplica-se ao português e especificamente à Folha, que escolheu a palavra "embargo" para noticiar o advento da censura interna de opinião (13/5). A preferência pelo eufemismo é um traço clássico da linguagem estatal-burocrática. Num jornal de extensa tradição, é coisa incomum. Não contente com um eufemismo, a Folha dobrou a dose, batizando uma PIP (Polícia Identitária do Pensamento) como Comitê de Inclusão e Equidade, composto por 17 jornalistas anônimos (mas identificados por cor e gênero). Imprecisa, a notícia nada esclarece sobre a extensão da influência da PIP nas decisões de censura interna. Fica claro, porém, que as duas iniciativas procedem da mesma fonte: o clamor da IRUD (Igreja Racialista dos Últ...

Seitas

Defender a diversidade ou os dogmas identitários? Por Leandro Narloch Discriminação e desigualdade racial e de gênero são problemas complexos. Por "complexos", entende-se que têm causas de difícil diagnóstico e que as propostas para solucioná-los ainda estão em debate. Infelizmente não sabemos muito bem quais ações funcionam, se pioram o problema em vez de resolvê-lo, ou quais têm custo de oportunidade maior que o benefício. Tamanha dificuldade exige que a roda de conjecturas e refutações da ciência funcionem. Hipóteses das mais diversas precisam ser apresentadas, testadas e discutidas. A imprensa ajuda, se comunicar essas dúvidas e complexidade ao leitor, de modo que a sociedade consiga selecionar os melhores diagnósticos e propostas. No entanto boa parte dos acadêmicos, ativistas e jornalistas que tratam do tema se comporta como se estivessem diante de problemas simples com soluções conhecidas. Tão certos de que estão certos, não se interessam por abordagens diferentes e mu...

Neorracismo

Risério tem razão Por Flavio Gordon 19/01/2022 00:01 No último sábado, 15 de janeiro, meu colega antropólogo Antônio Risério publicou na Folha de S. Paulo um artigo corajoso abordando um tema tabu no debate público contemporâneo: o racismo de negros contra brancos, um fenômeno que, embora ignorado ou deliberadamente ocultado pela grande imprensa em geral, vem se intensificando na medida em que a extrema-esquerda identitária (da qual essa mesma imprensa atua como porta-voz) galga posições de poder e influência na sociedade. Partindo de vários casos ocorridos nos EUA – e, sintomaticamente, naturalizados ou suprimidos do noticiário –, Risério afirma que os episódios se sucedem, “mas a ordem unida ideológica manda fingir que nada aconteceu”. E conclui: “Engana-se, mesmo com relação ao Brasil, quem não quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno à loucura supremacista aparece, agora, com discurso de esquerda... O neorracismo identitário é exceç...

Racismo e cerveja

Na última semana, ficou conhecida no meio cervejeiro a história da "Cervejaria Implicantes", de Porto Alegre, cuja proposta de financiamento coletivo foi boicotada por supostos racistas. No caso, a cervejaria foi duramente criticada nas redes sociais por se considerar a "primeira cervejaria negra do Brasil" e utilizar "black money". Como resposta, muitos "antirracistas" vieram em sua defesa. Horrorizados pelas manifestações nas redes, apressaram-se em declamar o "privilégio branco" no mercado cervejeiro, querendo levar a questão racial para tal universo. Questionaram o lugar de fala do branco nas referidas críticas e toda a problemática do "brancocentrismo" do mercado. Não faltaram também episódios de vitimismo coletivo que as considerou como manifestações do racismo estrutural, de pessoas brancas ressentidas, que não suportam ver o negro bem-sucedido.  O episódio lamentável nos revela duas coisas:  1 - Num aspecto mais restri...