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Mostrando postagens de 2026
Gilmar mendes e a sociedade aberta
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Por Wallace Oliveira É imperativo reconhecer, que no Brasil habita hoje uma cátedra jurídica cujas fundações foram meticulosamente desenhadas por Gilmar Mendes. O decano não é apenas um magistrado; é o arquiteto-mor de um sistema normativo tão singular que conseguiu a proeza de tornar a letra da lei um mero detalhe diante da "vontade constitucional". Com a precisão de um engenheiro social, GM transformou o STF no epicentro de gravidade de todos os conflitos nacionais, convertendo o que deveria ser um colegiado de juízes em um sínodo de semideuses da interpretação. A gênese desse fenômeno remonta à sua formação em Münster, na Alemanha. Ao importar o modelo de Direito Constitucional alemão para o solo tropical, GM não trouxe apenas doutrina, mas uma verdadeira "praga" para a tradição da legalidade estrita. Sob o pretexto de conferir "força normativa" à Constituição, ele substituiu o positivismo — onde a lei é a ultima ratio — por um subjetivismo tr...
Guerra aos homens: a masculinidade sob ataque
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Por trás da desconstrução do homem, esconde-se o objetivo mais amplo: destruir a cultura ocidental Nine Borges Nunca se demandou tanto que homens duvidassem de si mesmos. Instigados a revisitar constantemente a sua própria identidade, são lançados numa busca incessante por fragmentos de problematização. A palavra woke, do inglês "acordado" ou "desperto", emerge justamente desse campo semântico de vigilância permanente. Trata-se de um regime do qual nada escapa: o próprio indivíduo, suas relações, as instituições, o conhecimento herdado, e até mesmo a linguagem passam a existir sob suspeita. É nesse escopo que se inicia um processo amplo de desconstrução, no qual ganha destaque uma tendência cultural de desvalorizar características tradicionais ligadas à masculinidade, como força, liderança, objetividade e proteção. Homens passam a ser incentivados a acreditar que sua masculinidade é tóxica e sua virilidade, sinônimo de opressão. Corpos andróginos e emotividade a...
O Caso Monark: uma grande vergonha brasileira
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Por Fernando Schüler Monark estava apenas “expondo sua (equivocada) compreensão sobre o alcance da liberdade de expressão”, escreveu o Promotor Marcelo Ramos, do Ministério Público, em sua decisão encerrando o bizarro caso de censura contra o antigo apresentador do Flow, no Youtube. Muitas vezes, no Brasil dos últimos anos, foi necessário escrever a mais perfeita obviedade. Só isso já seria um sintoma do mal-estar brasileiro. Ou da simples “maluquice”, como gosta de me resumir, meio sem paciência, um bom colega. O promotor poderia ter evitado a observação “equivocada”. Você e eu, cidadãos comuns, podemos opinar sobre isso. Faz parte de nossa liberdade “pública” de opinião. Quem representa o Estado, em uma decisão oficial, não deveria se aventurar por estes juízos. Mas entendo o Promotor. Fez um aceno aos recalcitrantes. Sua decisão é correta e nos dá alguma esperança neste País. Não conheço Monark, nem escutava o seu programa (o que talvez me faça ...
A economia da regressão: como o Brasil se tornou hostil à prosperidade
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Por Marcos Degaut O debate sobre a herança econômica recente do Brasil, precipitado pela saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, exige abandonar tanto a retórica superficial quanto o tecnocratismo anestesiante que serviu de álibi intelectual a três anos de demolição fiscal. O que se observa hoje não é apenas um conjunto de indicadores deteriorados, mas a consolidação de um modelo coerente em sua lógica interna indigente, porém anacrônico, asfixiante e pauperizante em seus efeitos externos, que combina expansão fiscal, hipertrofia tributária, hostilidade progressiva ao ambiente de geração de riqueza e uma recusa ideológica de incorporar ao aparato produtivo do país as ferramentas tecnológicas que estão redesenhando a economia global. Sob a condução de Haddad, esse modelo atingiu sua forma mais explícita e acabada. A marca distintiva da gestão não é apenas o aumento de gastos, mas a naturalização de sua expansão como princípio organizador da política econômica, ...
A inflação moral progressista
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Progressistas buscam pureza e se afastam de pessoas comuns Os setores populares que seguem sem entender inteiramente as novas regras morais vão acumulando o ressentimento cotidiano Por Pablo Ortellado O progressismo está no caminho errado. Convencido de que seus valores são tão evidentes que discuti-los seria rebaixar-se, trocou o convencimento pela interdição — censura nas mídias sociais, Direito Penal para os infratores. Enquanto se ocupa de purificar o mundo por meio de atos de força, as pessoas comuns seguem seu caminho influenciadas por quem ainda se dispõe a conversar com elas. O progressismo está preso a uma armadilha moral. Sua desconexão com o mundo advém de ter sido tomado por um ativismo difuso, que vive em alarme permanente e não consegue mais enxergar gradação nas condutas, porque proporção e nuance são vistas como complacência ou como delito. O exagero é premiado, e a ponderação punida. Essa cultura adotou diagnósticos grandiloquentes que não admitem contestação. Somo...
Democracia esfarrapada: a ascensão da Juristocracia no Brasil
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Por Leonardo Coutinho Os brasileiros caíram em uma armadilha. O debate público foi capturado pela imagem do golpe clássico, com homens fardados, tanques, uma “turba de descontentes” em marcha e a ruptura explícita. Essa miragem serviu para chamar de golpe a rebelião de 8 de janeiro de 2023, por exemplo. Enquanto quase todo mundo olhava para o lado errado, a ruptura real, a que reconfigura o regime por dentro, estava se dando sob a toga da defesa da democracia. Não é exagerado pensar que o regime que rege o Brasil é a juristocracia. Não é apenas a judicialização normal da vida institucional, que seria aquela em que o Judiciário cumpre sua função de conter abusos e zelar pela Constituição. É a substituição gradual da política por decisões judiciais com efeito legislativo; é a transformação do Supremo em “instância de governo”; é a troca da soberania popular por decisões judiciais. A substituição do governo do povo pelo governo dos juízes foi gradual e tolerada como excepcional e provisó...
Lula na Sapucaí: desfile não foi a favor do petista, foi contra você
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Por Alexandre Borges O espetáculo degradante protagonizado pela Acadêmicos de Niterói ontem, em uma leitura apressada, pode parecer apenas uma parada norte-coreana de culto ao líder supremo, com direito a mitificação da trajetória, demonização de adversários e estátua para reverência ao final. Foi isso e muito mais. A comissão de frente trouxe Jair Bolsonaro representado como o palhaço Bozo, um xingamento infantil baseado em um trocadilho descerebrado. O ex-presidente apareceu novamente, em um carro alegórico horrendo, como um enorme monstro aprisionado, um King Kong acorrentado para deleite do público. Na história original, o animal se livra das correntes. Outro carro apresentou a oposição a Lula como um bloco composto pelo agronegócio, mulheres de classe alta, defensores da ditadura militar e cristãos. Todos aqueles que esquecem, por vezes, que têm um alvo na testa por revolucionários de todas as eras. Outra ala baseada em trocadilho infantil foi intitulada "Neoconservadores em...
O STF futebol clube não respeita as regras do jogo
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Massacre no Canadá levanta perguntas que podem dar cadeia no Brasil
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Por Alexandre Borges Um ataque a tiros numa pequena comunidade do interior do Canadá reacendeu um debate que parte da cobertura internacional prefere evitar. A autora da tragédia desta terça-feira tinha 18 anos. Era um homem biológico que iniciou transição de gênero aos 12. Seu histórico médico incluía diagnósticos de depressão, autismo e transtorno obsessivo-compulsivo, além de internações sucessivas. Anos antes, durante um surto psicótico, incendiou o próprio quarto. A adolescente matou a própria mãe e o irmão de 11 anos ainda dentro de casa. Em seguida, caminhou armada até a escola onde havia estudado, no interior da Colúmbia Britânica, e abriu fogo contra alunos e funcionários. O atentado deixou mais oito mortos, entre eles cinco crianças entre 12 e 13 anos, além de dezenas de feridos. Após o atentado terrorista, tirou a própria vida. Parte da cobertura internacional evitou destacar que ela havia iniciado a transição na entrada da puberdade. A revista Newsweek preferiu enfatizar a ...
Por que os juízes do STF acham que não devem satisfação a ninguém
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Porque não vivemos em uma democracia, mas em autocracia comandada pelos juízes do STF, que não têm controle externo e se recusam a ter Por Mario Sabino Uma democracia em que há um grupo de pessoas que concentra poder político e se sente desobrigado a prestar satisfação por seus atos não é democracia. É autocracia. No caso brasileiro, a autocracia é dos juízes do STF. Na prática, as decisões e os comportamentos desse grupo não têm controle externo nenhum. Além disso, críticas e denúncias provenientes de cidadãos e instituições são passíveis de punição, mesmo quando feitas dentro dos limites da Constituição em vigor. Explica-se: em uma autocracia, a Constituição é apenas formalidade. São os autocratas que definem o que é legal ou ilegal, ao sabor das suas conveniências políticas e pessoais. O resto é, forçosamente, silêncio. É assim que começa outro ano judiciário: com Dias Toffoli e Alexandre de Moraes em silêncio sobre as ligações deles com o Banco Master, o que só mostra o d...
Cúpula do STF se põe contra o povo
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Por Fernando Gabeira Pensei em escrever um artigo sobre o discurso do primeiro-ministro do Canadá em Davos. Mark Carney acha que vivemos um momento de ruptura, e não de transição. A ordem internacional, que já não era grande coisa, se rompeu para dar lugar claramente à lei do mais forte. Nesse contexto, é preciso se preparar, pois quem não estiver na mesa estará no menu. Tema importante para o Brasil, mas posso voltar a ele, algumas vezes, antes das eleições. Neste momento, tenho de escrever sobre o escândalo do Banco Master. Não esperava, a esta altura da vida, aos 40 minutos do segundo tempo, encontrar nosso país nesta condição patética. A nota do ministro Edson Fachin, as manifestações do procurador-geral e o post de Gilmar Mendes confirmam a ideia de uma cúpula judiciária unida para se blindar. Usando a máscara de salvadores da democracia, querem impor uma situação marcada, como diz um jornal alemão, pela ganância que afunda o STF. No fundo, consideram ameaça à democracia questio...
O silêncio da esquerda sobre a luta por liberdade no Irã
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Por Lygia Maria O discurso antifascista e anti-imperialista de parte estridente da esquerda global é puro engodo. Quando Vladimir Putin dizima a Ucrânia, a culpa é da vítima. Quem mandou tentar se proteger de um autocrata expansionista? Quando quase mil civis israelenses foram assassinados e sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, muito barulho. Em apoio aos terroristas. Um dia após o ataque brutal, centenas se reuniram em Nova York louvando a resistência do povo palestino. Um dia. No Brasil, foram três. Em um mês, universidades nos EUA foram tomadas por protestos. Londres viu 300 mil manifestantes nas ruas em 11 de novembro. Mas as iranianas que rasgaram véus e se insurgiram contra o regime teocrático islâmico, em 2022, não tiveram direito a nenhum cartaz da esquerda que vive denunciando misoginia e dominação do patriarcado. É uma dissonância cognitiva que beira a patologia. A causa é o antiamericanismo da Guerra Fria que, aliado ao relativismo cultural pós-moderno,...
A contradição da esquerda
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Por Javier Milei O que está acontecendo nas redes sociais é um exemplo perfeito da hipocrisia progressista. Vejo venezuelanos por toda parte comemorando a queda do ditador narcoterrorista Maduro, mas também vejo todos os comunistas que vivem em democracias ocidentais (que estão se tornando cada vez menos) lamentando o inegável fracasso de sua ideologia, que levou a uma ditadura assassina. Os progressistas dizem amar a democracia, mas choram quando um ditador cai. Isso revela suas verdadeiras cores. Dizem defender o povo, mas detestam vê-lo celebrar sua liberdade (ou qualquer coisa que não lhes agrade). Além disso, o ex-ditador Maduro, que agora passará o resto da vida em uma prisão nos EUA por liderar uma organização narcoterrorista que deixou 90% dos venezuelanos na pobreza, forçando 8 milhões de pessoas a fugir do país para evitar a fome, e que fraudou as eleições para se manter no poder, sequestrou Nahuel Gallo, um cidadão argentino, e o mantém desaparecido desde então. Mas é claro,...
Alexandre de Moraes, o Apolônio de Tiana do Estado Democrático de Direito
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Por Flávio Gordon “Eles me odiaram sem razão” (Salmos 35,19) O escritor Ruy Castro virou o ano com um travo amargo na boca. Sua primeira coluna de 2026, publicada na Folha de S. Paulo, chama a atenção menos por aquilo que diz expressamente do que pelo que revela involuntariamente sobre o clima espiritual do Brasil, um país sob feitiço. Jair Bolsonaro está preso, politicamente derrotado, fisicamente debilitado, submetido a sucessivas cirurgias – e, ainda assim, o ódio não arrefece. Não há compaixão, nem mesmo a curiosidade humana diante da fragilidade. Há apenas a exigência de que a vítima continue sendo vítima. Esse ódio que sobrevive à derrota, à doença e à neutralização do adversário é sempre um sintoma. Ele indica que não estamos diante de um conflito político comum, mas de algo mais antigo e mais profundo: a persistência de um ritual sacrificial. Sim, Ruy Castro é um enfeitiçado. E aqui precisamos recorrer a René Girard. Segundo o antropólogo francês...