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Mostrando postagens com o rótulo liberalismo

Queremos delegar ao Estado a tutela sobre a verdade?

Por Fernando Schüler Ainda no início deste ano, a AGU, sob a gestão de Jorge Messias, resolveu processar uma produtora de vídeos, com meio milhão de reais em indenização, por causa de um documentário sobre o julgamento de Maria da Penha, ocorrido há quarenta anos. Segundo a Advocacia-Geral da União, o filme traria “argumentos distorcidos” e “informações incompletas” sobre aquele episódio histórico. E isso justificaria o processo. Não por parte de alguém eventualmente ofendido, mas por parte do Estado. Estamos todos tranquilos com isso? Queremos mesmo delegar ao governo do momento a definição sobre a “completude” ou a “correção” de fatos ou interpretações em filmes e documentários? Se um governo de esquerda pode fazer isso com um filme “conservador”, um governo de direita poderia fazer o mesmo se achasse que alguma obra “progressista” ande distorcendo isso ou aquilo, logo ali adiante? Isto é absurdo. Não cabe ao governo usar a máquina jurídica do Estado para censurar cidadãos a partir d...

Charlie Kirk, o mártir da liberdade

Por Paulo Briguet Em “1984”, George Orwell descreve os Dois Minutos de Ódio, um ritual coletivo diário do qual os cidadãos de um país socialista são obrigados a participar: “Um êxtase horrendo de medo e vingança, um desejo de matar, de torturar, de esmagar rostos com um martelo, parecia percorrer todo o grupo de pessoas como uma corrente elétrica, transformando cada um, mesmo contra a vontade, num lunático carrancudo a berrar”. Esse trecho de Orwell representa com perfeição a atitude do militante esquerdista moderno. Tivemos uma clara demonstração de tal comportamento mimético após o assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk, na última quarta-feira. As manifestações de êxtase e júbilo pela morte de Kirk, um brilhante debatedor de apenas 31 anos, foram vistas por toda parte. Nos Estados Unidos e no Brasil, militantes e mídias de esquerda celebraram a morte de Kirk — sem compaixão, sem vergonha. Para eles, esse é o destino merecido de todo cristão ou judeu conservador. ...

O grande erro

A reinvenção do delito de opinião, nos últimos anos, fez mal ao país   Por Fernando Schüler   Muito já se escreveu a respeito daquela frase da ministra Cármen Lúcia sobre os “213 milhões de pequenos tiranos”. Acho que entendo o que ela quis dizer. Algo na linha: ninguém é bem dono de sua liberdade, então temos que regular. Está o.k., a liberdade de expressão é sempre regulada. Mesmo nos Estados Unidos, pátria da Primeira Emenda, há uma regra: ficam de fora discursos que geram um perigo “claro e imediato”. O que se protege são ideias, opiniões, ainda que bizarras ou “tirânicas”. E é aí que mora o problema. Se os cidadãos são de fato tiranos, então precisamos mesmo de um imenso Leviatã para dar conta da confusão. Agora com uma penca de big techs como tentáculos, fazendo o trabalho duro da censura, sob pena de responsabilização. Depois de anos amaldiçoando os algoritmos, quem sabe finalmente descobrimos que era exatamente de algoritmos que precisávamos. E com delegação of...

STF e governo Lula preparam-se para colocar em vigor censura mais dura que a dos militares

Por J. R. Guzzo O Brasil está prestes a se afundar no momento mais baixo jamais vivido pela liberdade de expressão em toda a sua história. O STF e o governo Lula, em parceria fechada, preparam-se para colocar em vigor um sistema de censura mais extenso, pervertido e violento de tudo o que já se fez neste país para impedir que o público diga, leia e ouça o que o Estado não quer que seja dito, lido e ouvido. É disso que se trata, e exclusivamente disso. Todo o resto é um oceano de mentiras, de hipocrisia e de trapaça com os fatos. O período mais infame de censura que o Brasil já sofreu até agora foi o da ditadura militar encerrada 45 anos atrás. Este jornal, naqueles dias de treva, foi um dos mais agredidos pela violência do estado policial então em vigor. O atual regime STF-Lula pretende fazer pior. A censura dos militares visava apenas os jornalistas. A censura que querem agora se destina a calar a voz de dezenas de milhões de brasileiros que se manifestam e se informam nas redes soc...

A estrada totalitária

Por J. R. Guzzo   O regime Lula-STF, para ir direto ao centro do assunto e não ficar gastando o tempo do leitor com esses não-me-toques das mentes civilizadas, tem uma tarefa vital para a execução do único projeto que realmente lhe interessa: ficar no governo para sempre. Essa tarefa é a censura policial ao que milhões de brasileiros dizem hoje na praça livre das redes sociais. Pode ser uma busca inútil, malfeita e idiota. Talvez seja impossível. Mas Lula, o seu culto e os ministros do Supremo enfiaram na cabeça, definitivamente, que não há mais lugar no Brasil para eles e para a liberdade de expressão ao mesmo tempo. Sua opção, naturalmente, é pela própria sobrevivência.   A combinação de horror e ódio que o consórcio foi formando em relação à internet passou o limite da política e já está hoje, abertamente, na área da neurose. Há alguma dificuldade, em relação a qualquer coisa, no governo? A culpa é jogada automaticamente em cima da “terra sem lei” que existiria nas ...

A Suprema Inquisição de Flávio Dino

Por André Marsiglia  Por decisão monocrática, o ministro Flávio Dino mandou, na 6ª feira (1º.nov.2024), serem excluídos de livros trechos que continham potenciais ofensas contra minorias LGBTQIA+. O que Dino não sabe é que livros não ofendem porque não existe debate ofensivo, ofensivo é não haver debate. Se os trechos contêm burrice intelectual, muito mais burra é a sociedade que os manda excluir. E como antídoto a esse tipo de censura, tenho 2 argumentos: um filosófico e outro jurídico. O argumento filosófico: acreditar que a inexistência de livros resultará na inexistência de ideias indigestas é um pensamento mágico e infantil. Acreditar que essas ideias colocam em risco os valores reais de uma nação é digno de uma sociedade fraca, frouxa e medrosa. Ou de uma nação sem valores reais. E temos vivido essa democracia covarde no Brasil, desde que o STF se tornou síndico do debate público, com os inquéritos das fake news. Pelo medo de a democracia ser ameaçada, não permitimos seu que...

Capitalismo e cristianismo

Por Olavo de Carvalho.  Artigo publicado originalmente na revista República – edição de dezembro de 1998. Uma tolice notável que circula de boca em boca contra os males do capitalismo é a identificação do capitalista moderno com o usurário medieval, que enriquecia com o empobrecimento alheio. Lugar-comum da retórica socialista, essa ideiazinha foi no entanto criação autêntica daquela entidade que, para o guru supremo Antonio Gramsci, era a inimiga número um da revolução proletária: a Igreja Católica. Desde o século XVIII, e com freqüência obsessivamente crescente ao longo do século XIX, isto é, em plena Revolução Industrial, os papas não cessam de verberar o liberalismo econômico como um regime fundado no egoísmo de poucos que ganham com a miséria de muitos. Mas que os ricos se tornem mais ricos à custa de empobrecer os pobres é coisa que só é possível no quadro de uma economia estática, onde uma quantidade mais ou menos fixa de bens e serviços tem de ser dividida como um bolo de a...

Mas Pelé foi melhor do que Maradona

Por Flávio Gordon “Não podemos esperar por outra tragédia mundial, como a Segunda Grande Guerra, para só então construir sobre seus escombros uma nova governança global” – disse Lula na Assembleia Geral da ONU. Na Big Apple, depois dos sucessivos vexames referentes à fala inexistente (caso do desencontro com Joe Biden) e à fala interrompida (caso do microfone cortado na Cúpula do Futuro), o descondenado-em-chefe pôde, finalmente, protagonizar o seu vexame predileto, o da fala realizada, quando desfiou seu rosário habitual de platitudes, vitimismo, autoestereotipia macunaímica e conversa de boteco. Para quem não compreende a mensagem que o mandatário brasileiro quer dizer ao usar o termo “governança global” – um eufemismo globalista para governo mundial –, eu traduzo: entreguismo puro e simples, que consiste em acabar de vez com a soberania brasileira, bem como com qualquer resquício de democracia representativa, e fazer do país uma reles colônia das organizações internacionais. Faço qu...

A esquerda é dona da censura

Por André Marsiglia Tenho insistido que a perseguição às redes sociais promovida pelo establishment de esquerda do Estado nos últimos anos sedimentou no país uma visão moralista a respeito de conceitos como: liberdade de expressão, democracia, verdade e ciência. Moralizados, tais conceitos se tornaram verdadeiros dogmas inúteis para o debate, e muito úteis para a política que os manipula em favor de projetos autoritários de poder. Não à toa que, mesmo sem qualquer previsão legal, conceitos opostos ao de liberdade de expressão (como desinformação), ao de democracia (como conduta antidemocrática), ao de verdade (como fake news) e ao de ciência (como negacionismo) têm sido utilizados para condenar e banir discursos de opositores e até mesmo para prender críticos das autoridades do país. Nada mais conveniente à manipulação do que tornar crime o oposto a um conceito que sequer é jurídico, dando-lhe ares moralizantes, como se, dessa forma, se estivesse promovendo uma higienização do debate p...

Servidão voluntária

Por Fernando Schüler Eu andava pelo Chile quando o nosso X, o antigo Twitter, desapareceu. “Qué pasa en Brasil?”, me perguntam em um almoço com colegas acadêmicos. “Longa história”, respondi, “mas basicamente continuam salvando nossa democracia”. Algumas risadas, um certo espanto, e a conversa migrou para outros assuntos. De minha parte, sempre achei o Twitter (muito antes do Elon Musk) uma rede tóxica, mas ótima para informação. Nos últimos anos fui selecionando um punhado de intelectuais que gosto de seguir. Niall Ferguson, Jonathan Haidt, por aí. “Agora complicou”, fiquei matutando. É um pouco como as eleições americanas. Boa parte do debate acontece no X. O jeito é pedir ajuda. Alguém de algum país menos neurótico, na vizinhança, mandar uns prints do que estão falando. O almoço terminou e fui dar uma volta pelas ruas de Santiago, com aquela pergunta no ar: “Qué pasa en Brasil?”. A indagação era um pouco mais complicada: como fomos cair na conversa de que “os instrumentos da democra...

Três argumentos burros para defender a censura

Por André Marsiglia É bastante frustrante ver advogados, juízes, jornalistas, geralmente de esquerda, que chegaram a sofrer na pele a censura da ditadura militar, ignorarem, ou até comemorarem, hoje, a censura imposta a 22 milhões de usuários com a suspensão do X (ex-Twitter). Isso mostra que, para boa parte da intelectualidade brasileira, a defesa de princípios constitucionais não interessa. Está em jogo apenas a defesa de seus próprios interesses. Pensando no leitor comum, muitas vezes guiado por falsos argumentos destas pessoas, comento 3 deles para os esclarecer: 1- “O X é uma bolha, a liberdade de expressão não precisa dele”. Se há censura só quando não há mais lugares disponíveis para se expressar, devo acreditar que não há problema em serem suspensas as atividades do Estadão, da Folha de S. Paulo ou deste Poder360. Um absurdo. Além disso, também eram bolhas o Pasquim, o Congresso da UNE em Ibiúna (SP), a reunião da PUC em São Paulo, invadida pelo coronel Erasmo Dias, durante o ...

A liberdade sob ataque dos liberais

O texto a seguir é um editorial publicado ontem pela @TheEconomist, traduzido hoje pela @folha, sobre a escalada de censura no Brasil. Não mudo uma linha e convido a todos à leitura: "No Brasil, juízes bloquearam o acesso ao X, uma das redes sociais mais populares do país. Na França, promotores proibiram o chefe do Telegram de sair da nação enquanto investigam a plataforma de mensagens. No Reino Unido, juízes estão condenando usuários à prisão por mensagens publicadas durante recentes distúrbios. Nos Estados Unidos, há planos para banir o TikTok, um aplicativo popular de propriedade chinesa. À medida que governos reprimem o discurso online, argumentos sobre a liberdade de expressão começam a transbordar. Em alguns casos, a repressão é justificada. O caso da França contra o Telegram, um aplicativo fundado na Rússia que tem 50% mais usuários em todo o mundo do que o X, concentra-se no seu policiamento de conteúdo ilegal. O aplicativo, que tem apenas cerca de 50 funcionários, há mui...

Muskfobia

Por Fernando Schüler “Pratica atos satânicos”, diz Nicolás Maduro sobre Elon Musk, que entre outras coisas teria “hackeado o sistema eleitoral venezuelano”. O.k., não dá para levar o Maduro a sério. É apenas um exemplo pitoresco do haterismo global em torno de Musk. De um jornalista, leio que o dono do X, o antigo Twitter, “é o grande perigo para a democracia no planeta”. Assim, no seco. A razão principal seria que ele espalha “inverdades”, em sua conta, na rede. Além de ser dono da própria rede. Não entendi bem o que teria uma coisa a ver com a outra. Em algum momento, o sujeito diz que o problema seria manter uma “plataforma não mediada”. O risco à democracia viria do próprio excesso de liberdade. Sinal dos tempos. A lógica foi repetida por Edward Luce, do Financial Times. “As democracias não podem mais ignorar”, diz Luce, a “ameaça” de Musk. Suas reclamações incluem um vídeo satírico de Kamala Harris usando IA e muitos amigos de “direita”. E essa maldita Primeira Emenda, que permite...

Alguém precisa dizer o óbvio

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Armadilha Identitária

 Por Fernando Schüler ”Ansiosa para ser presa quando voltar ao berço do iluminismo escocês”, escreveu J.K. Row­ling, autora de Harry Potter, em um tuíte. Row­ling fazia referência à nova “lei de crime de ódio” que entrou em vigor na Escócia, este ano. A lei menciona uma lista de grupos “protegidos”, ligados a gênero, idade, orientação sexual etc., e diz que atitudes “que uma pessoa razoável consideraria ameaçadora” são passíveis de punição. Caberá à polícia e aos juízes dizer exatamente o que isso significa, e não é difícil imaginar a confusão que a nova lei está causando. Ela é um bom exemplo de um traço de nossa época, definido como “safetyismo” pela psicóloga Pamela Paresky. A ideia de que nos tornamos subitamente frágeis — ou, ao menos, seletivamente frágeis. E que, portanto, precisamos ser protegidos. Pelo Estado, pelas empresas, pela polícia, como agora faz a Escócia. E protegidos não apenas da violência, mas das palavras, piadas, estátuas ou personagens da Fantástica Fábrica...

O debate público e a imprensa

 Por Rodrigo da Silva Nós definitivamente experimentamos no Brasil uma crise no noticiário. Segundo o Reuters Institute, em 2015, 62% dos brasileiros confiavam na imprensa. Em 2023, esse número despencou para 43%. É uma queda muito rápida em muito pouco tempo. A Globo (TV Globo, GloboNews, G1) é a empresa de jornalismo com o maior índice de falta de confiança (31%). Quase um em cada três brasileiros não confia no trabalho do grupo. A mesma pesquisa diz que 41% dos brasileiros evitam o consumo de notícias e de conteúdo jornalístico – um número acima da média mundial, de 36%. Há um evidente aumento da falta de confiança do país com o trabalho da imprensa. E se dá para dizer que isso acontece, em parte, pelo aumento da polarização e da resistência que massas partidárias têm em encarar notícias que desagradam as suas visões ideológicas – e que há inúmeros jornalistas fundamentais para a saúde do debate público brasileiro – também dá pra sustentar que: 1) Parte dos nossos veículos não s...

Mais democracia e menos liberdade

Por J. R. Guzzo O Brasil vive hoje uma situação extraordinária: dedica uma parte cada vez maior do seu tempo e sua energia discutindo os meios mais indicados, virtuosos e patrióticos para reduzir a liberdade individual dos cidadãos. Nada revela tão bem essa experiência de engenharia social reversa quanto a última convicção das classes que se consideram progressistas, culturais e democráticas. A liberdade de expressão, no seu entender, tornou-se uma ameaça. É a pior inimiga da sociedade no século XXI. É um perigo público. Faz muito mal – como a pressão alta, o colesterol e os derrames cerebrais. Até há pouco tempo, o direito de se manifestar livremente o pensamento era uma das conquistas fundamentais da humanidade. Deixou de ser, para os que deram a si próprios a prerrogativa de pensar por todos e decidir como o resto dos cidadãos devem se comportar em suas vidas. Ao contrário, tem de ser regulado, reduzido e policiado ao máximo, para permitir a sobrevivência do “processo civilizatório”...