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Entendendo o conflito árabe-israelense

Por Rodrigo da Silva (Spotniks) Com os ataques terroristas promovidos pelo Hamas contra civis e militares em Israel, nesse final de semana, produzi um guia para explicar as origens do conflito Israel-Palestina, e contar quem são os principais atores envolvidos nesse evento. Este é um beabá de uma história complexa que evidentemente não se encerra aqui. E ele é dedicado a quem não faz a menor ideia do que acontece nessa região do mundo. 1. O que significa ser um judeu? Essa definitivamente não é uma pergunta irrelevante. O termo "judeu" pode significar duas coisas: 1) ser um adepto do judaísmo; 2) ser um membro da etnia judaica. O judaísmo é a religião dos judeus. Diz respeito a uma crença em um Deus único que segue as escrituras da Tanakh (que são, a grosso modo, o que os cristãos chamam de Antigo Testamento). Mas a identidade judaica também pode ser entendida em termos étnicos. Etnicidade diz respeito a um grupo de pessoas que compartilham uma herança cultural comum – que p...

Terroristas

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Por Edu Perez Terroristas (pq chamar de eco?) depredaram a Fontana di Trevi, em Roma, patrimônio da humanidade, jogando tinta preta para “protestar” contra o uso de combustíveis fósseis. Last Generation é um grupo ambiental de ideal socialista especializado em atacar patrimônio histórico. P. ex., já se colaram a uma estátua no Vaticano e jogaram tinta preta numa obra de Klimt. São terroristas que deveriam ser presos. Essa gente não liga para meio-ambiente. A maioria é jovem, na faixa dos 20 anos, que não tem ideia de como o mundo funciona, mas quer mudá-lo na base da violência e do grito, impondo sua ideologia. A verdade é que não estão nem aí pro urso ou pra baleia, como os grupos congêneres não estão nem aí para as minorias ou os miseráveis. O foco é odiar e destruir, não proteger e construir. Amar toma tempo. Odiar é fácil. As ideologias do ódio arrastam multidões, embasam ditaduras. O bem junta meia dúzia. O negócio dessa gente é acabar com o bom e o belo. São como os orcs do Senho...

Capitalismo

Abaixo, trechos da fantástica entrevista do historiador Rainer Zitelmann, veiculada no Estadão. E: O sr. afirma que o capitalismo não é o problema, é a solução. O que o leva a dizer isso de forma tão categórica? RZ: Vou lhe dar só um dado, mas posso lhe dar outros. Há 200 anos, por volta de 1820, antes do capitalismo, 90% da população mundial viviam na pobreza extrema. Hoje, são menos de 10%. Mais da metade da queda se deu nos últimos 35 anos. Veja o que aconteceu na China. No fim dos anos 1950, 45 milhões de pessoas morreram como resultado do chamado “Grande Salto para a Frente” empreendido por Mao Tsé-Tung. Em 1981, cinco anos depois da morte de Mao, 88% da população chinesa ainda viviam em extrema pobreza. Foi mais ou menos quando eles começaram a introduzir a propriedade privada e as reformas pró-mercado no país. Hoje, menos de 1% estão nesta situação. Isso nunca aconteceu na história. Nunca tantas pessoas saíram do estado de extrema pobreza em tão pouco tempo como resultado de r...

Sobre emancipação e justiça social

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  (Roger Scruton, 2018)

Narcisismo

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O mito de Narciso nasceu na antiguidade clássica e conta a história de um rapaz que, de tão belo, apaixonou-se por si mesmo, indiferente aos amores externos. Ficou a admirar seu reflexo nas águas até morrer. Mais tarde, tal mito deu nome a um transtorno de personalidade: o narcisismo.  Viver com um narcisista é uma experiência nefasta. Não há reciprocidade, somente sujeição ao seu arbítrio. Camuflando sua insegurança interior por meio da arrogância, do controle e do desdém, o narcisista é quase um psicopata, pois, assim como este último, não possui empatia, exceto quando há um ganho pessoal envolvido. Acredita que a vida é um jogo de dominância e, por isso, tentará te rebaixar de toda maneira, até vê-lo como um ser insignificante. É a forma que encontra para afirmar-se como superior. Não importam as emoções e necessidades dos outros, mas somente as dele.  O remédio está apenas no interior daquele que é afetado pelo Narciso, pois este talvez nunca mudará sua essência quebrada. ...

Resenha: O Povo contra a Democracia

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Leia com cautela O Povo contra a Democracia é o terceiro livro de um dos autores mais aclamados pelo “mainstream” midiático no momento, Yascha Mounk. Doutor em Harvard e professor da John Hopkins, Mounk de fato alia rigor acadêmico a um verniz de honestidade intelectual para tentar explicar a nova dinâmica política que ocorre hoje no Ocidente.  Sua principal tese é a de que a democracia liberal vem se desconsolidando nas últimas décadas. Refutando o antigo consenso de estabilidade dos regimes democráticos, o autor demonstra que os atuais movimentos políticos estão tendentes a assumir posturas extremistas. O resultado seria a degeneração do regime democrático-liberal em dois outros intermediários no caminho até o autoritarismo: a democracia iliberal e o liberalismo antidemocrático.  O autor assume a hipótese de que as condições nas quais a democracia liberal vicejou não estão mais presentes, quais sejam, a homogeneidade étnica, o crescimento econômico contínuo e o...

O Fim do Brasil

Devo desculpas aos otimistas, mas a chamada do texto é exatamente a forma como eu penso. O espírito de nossa época está carregado de desesperança e por diversas razões. Não vou gastar linhas com palavreado intelectual; basta dizer que a percepção comum é a de que caminhamos para o caos. O Ocidente está perdendo suas bases estruturais. As pessoas ressentem-se a todo momento. As redes (anti)sociais inflam os ânimos. No Brasil, isso se torna verdade quando se acompanha o noticiário político. Pode-se culpar quem quer que seja. Pode-se esbravejar contra seus adversários, contra a outra bolha da qual você não faz parte. Nada disso lhe ajudará enquanto pessoa nem ajudará a comunidade no todo. Somente aqueles que conseguem se situar acima dessas paixões entendem o verdadeiro desespero: um país que cambaleia para o abismo. O ódio brota a cada esquina. O diálogo se mostra inviável. No cenário mais amplo, questões importantes são deixadas de lado pelo apego ao poder, à vingança, à ideologia cega...

Dia D

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"Os impérios do futuro serão os impérios da mente" (Winston Churchill, 1943) Há exatos setenta e cinco anos, ocorria a maior invasão por mar que o mundo já conheceu. Bravos soldados deram suas vidas para combater o regime e a ideologia nazi-fascista. Venceram. Livraram o Ocidente de uma de suas maiores ameaças. Outra delas permaneceu incólume por décadas. Uns dizem que feneceu. Para mim, isso está longe de acontecer. Os intrépidos soldados, ao pisar nas areias da França, concederam a toda uma geração a liberdade.  Esta, mal agradecida, nutriu (e ainda nutre) devaneios utópicos. Quer a destruição do mundo liberal. Rejeita o fracasso de suas ideias. Contaminou as mentes de seus sucessores com ódio e ressentimento.  Até quando? Não deixemos que a herança dos destemidos homens irreconhecidos seja apagada. Honremo-los. 

Resenha: A Corrupção da Inteligência

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O mal-estar dos intelectuais Corrupção da Inteligência é a mais nova obra do antropólogo e analista político Flávio Gordon. Com maestria, ele descreve e critica a tragédia cultural que se abateu sobre o Brasil desde o início dos anos 1960, caracterizada pela hegemonia do imaginário político-ideológico das esquerdas. Sob arguta análise filosófica e antropológica, o autor demonstra como se deu a “guerra de posição” dos socialistas nos últimos cinquenta anos, os quais, abandonando a luta armada e política, mais visível, decidiram ocupar espaços culturais diversos (em especial a Academia), numa transfiguração silenciosa das instituições ocidentais. Conforme esclarece Gordon, a nova esquerda, agora influenciada por autores da Escola de Frankfurt e pelo italiano Antonio Gramsci, obteve grande sucesso em tal empreitada, principalmente no Brasil, país em que as instituições nunca foram fortes.  O resultado dessa estratégia foi a degradação da intelectualidade brasileira. Tomada ...

O que é ser um conservador?

A verdadeira postura conservadora pode surpreender a maioria Ser um conservador em nada se relaciona com um suposto saudosismo de eras passadas, ou com a manutenção de um sistema ético-moral baseado em tradições ancestrais. Ser conservador é ser prático: é admitir que o Ocidente moderno só obteve sucesso em difundir sua cultura e, no processo, dominar o mundo, tendo como base três pilares fundamentais: Capitalismo, Ciência e Estado Democrático de Direito.  Os dois primeiros foram resultado de um longo processo ocorrido ao longo de séculos, que incutiu na sociedade a ideia de progresso: o mundo pode ser melhor no futuro, desde que os seres humanos procurem o conhecimento. A aquisição de conhecimento gera confiança no futuro. Mais confiança significa que mais crédito pode ser disponibilizado, mais empreendimentos podem ser realizados e mais conhecimento pode ser produzido. A sociedade enriquece, num ciclo virtuoso ininterrupto. O terceiro pilar, Estado Democrático de Dir...

Castelo de cartas

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Alguma vez você já parou para se perguntar como é que a humanidade deu certo? Que raios aconteceu nos últimos milhões de anos para que criássemos isso que chamamos de sociedade? O mundo estava muito bem sem nós, obrigado. Sem mais nem menos, um bando de primatas com cérebros hiperdesenvolvidos começa a andar nas duas pernas, fabricar lanças, cozinhar, falar, inventar histórias por aí... Voilà! Temos uma sociedade: uma multidão indistinta, constituída de seres semelhantes na constituição física, mas que pensam radicalmente diferente entre si. Mesmo assim, conseguem se reunir e cooperar em torno de coisas que só existem dentro de suas respectivas cabeças. Com o passar do tempo, criaram um castelo de cartas imaginário, o qual ainda se mantém de pé, apesar de tudo. Até onde ele pode se sustentar?

A falácia do determinismo e a natureza da cultura humana

Teorias como a do materialismo histórico simplesmente estão equivocadas Qualquer construção teórica que pretende explicar a história e a cultura por vias deterministas está fadada ao fracasso, à incoerência e à injustiça. Por que? Yuval Noah Harari, doutor em história por Oxford e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, apresenta a resposta em seu livro "Sapiens". Em poucas linhas, refuta as ideologias que surgiram de tal visão determinista. In verbis : O determinismo é atraente porque implica que nosso mundo e nossas crenças são um produto natural e inevitável da história. [...] Reconhecer que a história não é determinista é reconhecer que não passa de uma coincidência o fato de que a maioria das pessoas, hoje em dia, acredita em nacionalismo, capitalismo e direitos humanos.  A história não pode ser explicada de forma determinista e não pode ser prevista porque é caótica. Tantas forças estão em ação, e suas interações são tão complexas, que variações extrem...