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Nossa herança comum

Fernando Schuler, Veja - 21/02/2025 J.D. Vance fez um discurso inusitado na Conferência de Segurança europeia, em Munique. Plateia repleta de líderes do continente, grande expectativa, esperava-se que ele falasse de Putin, da guerra, mas Vance não se abalou: “O problema de vocês não são as ameaças que vêm da Rússia nem a China, mas o perigo que vem de dentro”, disse. E completou: “O recuo da Europa em seus valores mais fundamentais, que são os mesmos dos Estados Unidos”. Generosidade dele. Os valores europeus nunca foram os mesmos que os da formação americana. A inspiração que veio de Locke, Milton e do liberalismo inglês, que andava na cabeça dos fundadores da América, sempre foi um recorte muito específico da tradição europeia. O Velho Continente nunca teve nada semelhante à Primeira Emenda, garantindo a liberdade de expressão. E vem daí a raiva provocada pela fala de Vance. Na prática, ele deu um sermão na liderança europeia com base em deuses ou, ao menos, em credos não tão comun...

Armadilha Identitária

 Por Fernando Schüler ”Ansiosa para ser presa quando voltar ao berço do iluminismo escocês”, escreveu J.K. Row­ling, autora de Harry Potter, em um tuíte. Row­ling fazia referência à nova “lei de crime de ódio” que entrou em vigor na Escócia, este ano. A lei menciona uma lista de grupos “protegidos”, ligados a gênero, idade, orientação sexual etc., e diz que atitudes “que uma pessoa razoável consideraria ameaçadora” são passíveis de punição. Caberá à polícia e aos juízes dizer exatamente o que isso significa, e não é difícil imaginar a confusão que a nova lei está causando. Ela é um bom exemplo de um traço de nossa época, definido como “safetyismo” pela psicóloga Pamela Paresky. A ideia de que nos tornamos subitamente frágeis — ou, ao menos, seletivamente frágeis. E que, portanto, precisamos ser protegidos. Pelo Estado, pelas empresas, pela polícia, como agora faz a Escócia. E protegidos não apenas da violência, mas das palavras, piadas, estátuas ou personagens da Fantástica Fábrica...

A fúria 'woke' nas empresas e universidades é um fato de nossa época

Por Fernando Schüler Ela foi demitida por e-mail. “Pedimos que você deixe sua posição, imediatamente”, dizia o texto. O trabalho era voluntário. A demitida era Fran Itkoff, uma senhora de 90 anos, que há sessenta se dedicava à Sociedade Nacional de Esclerose Múltipla (MS Society). O marido havia se tratado lá, e ela também, além de ter recebido prêmios pelo seu trabalho. Não adiantou. Seu pecado foi ter se atrapalhado no uso dos pronomes, conforme definido pela área DEI (“Diversidade, Equidade e Inclusão”) da instituição. “Não conseguia entender”, disse ela, “quais os termos podiam ou não ser usados”. Resumindo: foi para a rua. “É irônico”, disse sua filha, “porque eles se dizem inclusivos, mas excluem uma mulher deficiente de 90 anos, voluntária há sessenta”. O caso veio a público, causou comoção, muitos apoiadores da MS Society ameaçaram retirar suas doações, e a entidade voltou atrás. Tem sido a regra. Se um caso como este vem à tona, a fúria woke é contida. Ao menos por algum tempo...

O ataque de 7 de outubro não foi só contra Judeus, mas contra a própria Civilização

Por Leandro Ruschel Terroristas do Hamas invadiram o território com um único objetivo: matar, torturar e estuprar o maior número possível de pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos, tirando a vida de mais de 1400 israelenses e estrangeiros. Além disso, fizeram mais de 200 reféns. É o maior extermínio de judeus desde o Holocausto. O Hamas deixou muito claro o seu objetivo genocida. Na semana passada, um representante do grupo disse que o 7 de outubro é um modelo de ataque a ser repetido, até que Israel seja varrido do mapa, junto com o seu povo. As ações dos terroristas correspondem ao que existe de pior no ser humano, demonstrando total incompatibilidade com a Civilização. Infelizmente, esse tipo de barbárie é relativamente comum no mundo islâmico. O que surpreende não é isso, mas sim o nível de apoio que os terroristas têm no Ocidente, não só entre seus irmãos de fé que estão nas capitais europeias e americanas, mas também dos militantes de extrema-esquerda, que abraçaram a vio...

Massada nunca mais

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A Guerra contra o Ocidente

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A nova religião

Não é exagero observar que os Teóricos da Justiça Social criaram uma nova religião, uma tradição de fé que é ativamente hostil à razão, à refutação, ao desmentido e à discordância de qualquer tipo. Na verdade, todo projeto pós-moderno agora parece, em retrospecto, uma tentativa inconsciente de desconstrução das velhas metanarrativas do pensamento ocidental - ciência e razão, juntamente com religião e sistemas econômicos capitalistas - para abrir espaço para uma religião totalmente nova, uma fé pós-moderna baseada em um Deus morto, que vê misteriosas forças mundanas em sistemas de poder e privilégio e que santifica a vitimização. Cada vez mais, essa é a religião fundamentalista da esquerda teoricamente secular. (PUCKROSE, Helen; LINDSAY, James. Teorias Cínicas. São Paulo: Faro Editorial, 2021, p. 221).  

Conflito entre gerações: dinheiro e investimento

Por Leandro Ávila Acredito que vivemos um conflito, talvez uma verdadeira guerra entre gerações. Ela já está produzindo consequências com relação ao consumo, dinheiro, investimentos e funcionamento dos governos e das empresas. Cada vez mais essas novas gerações assumirão o controle de empresas, instituições financeiras e postos do governo e as consequências serão difíceis de prever. Se você trabalha duro, poupa e investe para conquistar a sua independência financeira ( como descrevi nesse livro ), você deve se preparar para o mundo que nos espera. Vamos entender isso melhor. De forma genérica, se costuma classificar as gerações como apresentado logo abaixo. Isso não significa que todas as pessoas carregam as mesmas características de sua geração. Muitas se identificam com gerações anteriores ou possuem características mais ou menos acentuadas de sua geração. De qualquer forma, entender o “espírito” que permeia a mente de uma geração nos ajuda a refletir. Baby Boomers: nascidos entre o ...

Como o conceito de "democracia" foi sequestrado pela esquerda

Por Leonardo Coutinho Quer vencer uma guerra? Conquiste o conceito. O Brasil, a América Latina e, por que não, o Ocidente viraram um campo de batalha onde quem ganha é quem primeiro captura a palavra-chave, consenso ou ideia que lhe permite uma situação próxima à invulnerabilidade. O tema da vez é a democracia. Mas, no passado, já foi a ética, a vida e a paz, entre tantos outros exemplos possíveis. Todos os dias brotam de qualquer esquina um manifesto, um movimento, um discurso, uma organização em defesa da democracia. O negócio ficou tão banalizado que – se até o PSOL, PT, PCdoB e PDT, partidos brasileiros que abertamente defendem ditaduras com longo prontuário de censura, prisões arbitrárias, torturas e execuções sumárias se sentem à vontade para se colocarem como os arautos da democracia – ninguém deveria se assombrar se aparecesse um manifesto dos frequentadores da Cracolândia em defesa de um valor tão universal. O negócio é transformar o mundo em um tabuleiro de peças brancas e ne...

A verdadeira resistência

Como o Ocidente se apaixonou pelo fracasso e como salvá-lo de si mesmo Não gosto de gráficos, muito comumente são chatos e tendem a quantificar coisas que, por vezes, são inquantificáveis; a indefinição da vida humana me parece muito mais promissora que seus cálculos econométricos e curvas exatas. Mas até eu tenho que me render ao gráfico do Our World Data sobre o nível de extrema pobreza do mundo de 1820 até 2018. Para termos uma noção de como o crescimento econômico no Ocidente foi gigantesco e arrebatador, o economista Angus Maddison calculou em seu livro The Rise and Fall of Americam Growth, que do ano 1 ao 1820 a economia mundial cresceu apenas 0,06%; Deirdre McCloskey, em Bourgeois Dignity, afirma que até o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, quase todo mundo vivia com no máximo 3 dólares por dia. Mas algo assustador e magnífico ocorreu entre os séculos XVI e XVIII, gerando um boom de prosperidade que redesenhou as capacidades racionais, políticas e sociais, bem com...

Ação e reação

Por Maurício Loup Nada fica impune. A Ucrânia, cansada dos políticos (o que é compreensível), votou no Danilo Gentili deles. Sim, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, é um humorista famoso que protagonizou uma série de TV onde um professor, acidentalmente, se tornava presidente do país. A vida imita a arte? Não. A vida quase sempre imita um enlatado americano feito para TV. Hoje os ucranianos se perguntam em uníssono: o stand up vai suportar a pressão da Rússia? Por outro lado a América, cada vez mais infantilizada e frágil, escolheu como presidente um idoso já quase senil e que já possui um dos piores índices de aprovação da história do país, isto porque o sujeito está apenas há um ano no cargo, porém o estrago, mesmo no curto espaço de tempo, é gritante. É isto que ocorre quando a população eleva Lady Gaga, Tom Hanks, Eddie Vedder, e outros imbecis, ao nível de influenciadores sobre geopolítica. A América hoje está mais preocupada em cumprir a agenda do progressismo, colocand...