Por Flávio Gordon “Todos os que me odeiam amam a morte.” (Provérbios, 8,36) Era o alvorecer do século 4.º, e as coisas não iam bem para o imperador Constantino, cujo exército padecia de fome e doença. Alistado à força nas legiões aos 20 anos de idade, o tebano Pacômio testemunhava com perplexidade a atitude de alguns de seus companheiros, que contrariava os costumes e a moral da época. O jovem soldado via-os oferecer comida e assistência aos necessitados, inclusive inimigos, socorrendo-os de forma indiscriminada, fosse qual fosse sua procedência. Curioso por saber que gente era aquela, descobriu-os cristãos. Interessado em saber mais sobre a natureza de tão excêntrica religião, capaz de inspirar tamanha compaixão – sentimento estranho à filosofia moral pagã, mesmo entre aqueles, como os estoicos, inclinados à prática de alguma caridade –, Pacômio começou a instruir-se na fé e, mais cedo do que imaginava, já havia tomado o caminho da conversão. Logo nos primeiros séculos da era cristã, ...