Postagens

Mostrando postagens com o rótulo jornalismo

Alguém precisa dizer o óbvio

Imagem
 

Globo

 Por Leandro Narloch Eu cresci, como muitos brasileiros, assistindo Jornal Nacional e Jornal da Globo. Quando me mudei pra SP, percebi que assistir o JN me fazia matar as saudades de casa: ele era parte da normalidade, da rotina reconfortante da casa da minha mãe. Mas hoje, como muitos brasileiros, eu não suporto os jornais da Globo ou da GloboNews. Quem mudou? Provavelmente ambos, mas deixa eu tentar entender por que o jornalismo da Globo me irrita tanto. Um primeiro motivo é a confusão entre jornalismo e lição de moral. Os jornais da Globo não querem apenas "informar o Homer Simpson", mas catequizá-lo. Não dão apenas notícias como antigamente (é legal assistir programas antigos pra ver a diferença). Também defendem a moral e os bons costumes politicamente corretos da época. A reportagem sobre pessoas na praia durante a pandemia não informa apenas que há pessoas na praia durante a pandemia - o repórter tem que fazer uma cara exagerada e artificial de reprovação. Volta para o...

Nas baladas da vida

Por Flávio Gordon “Finda a luta, quando, sedento, esfomeado, exausto, por causa do furor com que lutara, apoiado me achava em minha espada, chegou-se-me um senhor mui bem vestido, tão guapo quanto um noivo, a barba feita como campo de sega após a festa (...) Louco me deixava vê-lo assim tão casquilho e perfumado, a falar, tal qual uma camareira, de tiros de canhão, tambor e golpes” (Shakespeare, Henrique IV, Parte I, Ato I, Cena III) *** Mesmo após o início do novo regime no país, continua azeitado o mecanismo de “cancelamento” de artistas de algum modo associados ao candidato derrotado Jair Bolsonaro. Não passa um dia sem que, por exemplo, algum representante do “consórcio” de propaganda, difamação e guerra psicológica – daquilo que, enfim, costumava se chamar imprensa – não dedique manchetes maledicentes contra Regina Duarte ou Cássia Kiss, permanentemente acusadas do “crime” de bolsonarismo. Sim, no país em que o beautiful people dos estúdios e redações estendem o tapete vermelho pa...

Triste fim do jornalismo

Irmãos assumem incesto, e a mídia acha “controverso” Por Luciano Trigo 05/09/2022 09:36 Desde o início da civilização, a proibição de relações sexuais entre membros consanguíneos da mesma família é, com pequenas variações, um elemento comum a todas as formações sociais e culturais humanas. Freud dedicou um longo ensaio ao tema, “O horror do incesto”, incluído no livro “Totem e Tabu” (1913), no qual examina a vigência milenar dessa norma já entre os aborígenes australianos e diferentes sociedades primitivas das ilhas do Pacífico e do continente africano. Freud voltaria a abordar o assunto em outro ensaio, “As origens da família e do clã”, de 1922, desta vez investigando o tabu do incesto como necessário mecanismo de prevenção dos efeitos biológicos nocivos das relações íntimas entre parentes. Para Freud, a interdição do incesto – como, aliás, a proibição do parricídio – é um marco fundador da cultura, algo que está na própria raiz da civilização. O título do seu ensaio já traduz a reaçã...