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O horizonte político brasileiro

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Debate entre economistas deixa claro que o Brasil passará por enormes turbulências num futuro próximo A excelente entrevista realizada pela Globo News com os economistas Marcos Lisboa, Delfim Netto e Laura Carvalho foi estarrecedora. Não apenas pela qualidade do conteúdo (que em muito superou o dos debates entre os presidenciáveis), mas também pela conclusão que figurou ao final do programa: o Brasil não tem futuro. Abandonando as paixões políticas e ideológicas (pelo menos em parte), os referidos economistas expuseram a situação caótica das contas públicas e a completa incapacidade de se formar um governo decente nos próximos anos, dada a conjectura infame do debate público brasileiro e a falência de nossas instituições. Escancarou-se o fracasso do projeto político, institucional e jurídico de 1988. A chamada "Constituição Cidadã" relegou aos cidadãos brasileiros um sistema caótico, mesmo que tenha princípios humanos louváveis. Como bem mencionou Marcos Lisboa, há ...

Percepção política em 2018

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Como se situam ideologicamente os candidatos à presidência? Elaborei um gráfico, utilizando o Political Compass, para demonstrar a tendência ideológica dos principais candidatos à Presidência da República em 2018.  Utilizei, basicamente, a percepção política que cada um deles provoca no eleitorado, bem como compêndios com as principais propostas contidas nos respectivos planos de governo. Obviamente, este gráfico relaciona-se mais estritamente à minha visão subjetiva sobre cada um dos candidatos, pois não realizei um trabalho de pesquisa rigoroso sobre suas propostas ou identidades políticas. Mas, creio eu, é uma visão que grande parte do eleitorado compartilha. Em suma, aqui está: Algumas observações: 1) Jair Bolsonaro poderia ter sua posição no eixo "x" (economia) deslocada para o meio do gráfico, visto que vê com moderação a necessidade de ajuste fiscal, bem como já adotou posturas anti-liberais. Contudo, a inclusão de Paulo Guedes numa possí...

O que é ser um conservador?

A verdadeira postura conservadora pode surpreender a maioria Ser um conservador em nada se relaciona com um suposto saudosismo de eras passadas, ou com a manutenção de um sistema ético-moral baseado em tradições ancestrais. Ser conservador é ser prático: é admitir que o Ocidente moderno só obteve sucesso em difundir sua cultura e, no processo, dominar o mundo, tendo como base três pilares fundamentais: Capitalismo, Ciência e Estado Democrático de Direito.  Os dois primeiros foram resultado de um longo processo ocorrido ao longo de séculos, que incutiu na sociedade a ideia de progresso: o mundo pode ser melhor no futuro, desde que os seres humanos procurem o conhecimento. A aquisição de conhecimento gera confiança no futuro. Mais confiança significa que mais crédito pode ser disponibilizado, mais empreendimentos podem ser realizados e mais conhecimento pode ser produzido. A sociedade enriquece, num ciclo virtuoso ininterrupto. O terceiro pilar, Estado Democrático de Dir...

As escolhas de cada um

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Como pensam os criminosos? As escolhas dos indivíduos são pouco determinadas pelo meio em que vivem, mas sim pela sua própria consciência. Esta é a conclusão do professor Stanton Samenow, psicólogo forense americano, cuja vasta experiência prática com criminosos lhe rendeu material para o livro Inside the criminal mind . Nele, o autor discorre acerca da propensão de certas pessoas à criminalidade. Sugere, ao contrário do que afirmam os pensadores viciados pelas narrativas sócio-históricas, que o comportamento delituoso é produto de modelos de pensamento individuais. Isto é, criminosos constroem, desde cedo, uma personalidade voltada a agir de modo socialmente inaceitável e, portanto, sedimentam uma trajetória repleta de escolhas que convergem para esse fim, pouco importando o meio no qual estão inseridas. Não há exemplo mais eloquente de tal tese do que os criminosos de colarinho branco: há pessoas que ostentam uma condição social favorável que acabam por praticar toda...

Castelo de cartas

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Alguma vez você já parou para se perguntar como é que a humanidade deu certo? Que raios aconteceu nos últimos milhões de anos para que criássemos isso que chamamos de sociedade? O mundo estava muito bem sem nós, obrigado. Sem mais nem menos, um bando de primatas com cérebros hiperdesenvolvidos começa a andar nas duas pernas, fabricar lanças, cozinhar, falar, inventar histórias por aí... Voilà! Temos uma sociedade: uma multidão indistinta, constituída de seres semelhantes na constituição física, mas que pensam radicalmente diferente entre si. Mesmo assim, conseguem se reunir e cooperar em torno de coisas que só existem dentro de suas respectivas cabeças. Com o passar do tempo, criaram um castelo de cartas imaginário, o qual ainda se mantém de pé, apesar de tudo. Até onde ele pode se sustentar?

Um estranho numa terra estranha

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Se há uma certeza no relacionamento humano no Brasil é a dificuldade de interpretar as reais intenções dos indivíduos. A palavra aqui pouco vale: no intuito de parecer boa-praça e evitar conflitos, o homem cordial brasileiro (no melhor sentido sociológico de Sérgio Buarque de Holanda) esconde de todo modo suas intenções. Compromissos podem ser descumpridos e adiados ad infinitum , somente pela duvidosa necessidade de manter uma aparência, uma máscara, de cordialidade. É a negação da negação. O "não" é tido como uma ofensa pessoal irreparável. Quem descumprir esta regra é excluído do convívio social silenciosamente.  A conclusão desse aspecto singular do brasileiro leva a crer que a falsidade é regra e a verdade é exceção. Uma total inversão de valores. Aqueles que ousam remar contra a maré sentem-se deslocados, mas sabem que estão certos. São estranhos numa terra igualmente estranha.

Por que ainda me iludo?

Da ausência de pluralidade de ideias na academia brasileira Esta semana, visitei conhecida feira de livros promovida por uma famosa universidade federal, cujo principal atrativo é o generoso desconto oferecido a todos os exemplares postos à venda. Esperava encontrar volumes e mais volumes de obras de variadas fontes, autores e referências. No entanto, esta expectativa raramente é correspondida nesse tipo de evento e ainda fico surpreso como posso me iludir a tal ponto. Como é sabido pelas pessoas que ainda não tiveram sua consciência corrompida, há muitas décadas que o ambiente cultural brasileiro (aí incluídas editoras de livros e a própria universidade) foi tomado de assalto pelo pensamento neomarxista e pelas políticas identitárias de cunho relativista. Travando uma verdadeira guerra de posição cultural, de forma a ocupar todos os espaços de produção e circulação de ideias, os militantes de tais ideologias, inspirados por Gramsci e outros autores, obtiveram grande êxito no...