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O sentido de uma república
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Por Fernando Schüler Leio que a União move uma ação contra uma produtora de vídeos. A razão é um documentário sobre o julgamento de Maria da Penha, vítima de duas tentativas de homicídio, nos anos 1980. O caso foi julgado em 1991, com a condenação de seu ex-marido. Em 2006, foi votada a lei no Congresso que leva o seu nome. A história é bastante conhecida, e não vai aqui juízo de mérito sobre os argumentos em jogo. A ação diz que o documentário traz “argumentos distorcidos” e “informações incompletas”, que seus autores não consideraram “apropriadamente” as alegações do processo judicial e que o material não atende a “critérios de veracidade”. Raras vezes li, mesmo no estranho Brasil dos últimos anos, um documento oficial que afirmasse de modo tão claro a ideia do Estado disciplinador da verdade. Não deveria me impressionar muito com essas coisas, me dizem. Há muito teria se perdido, no Brasil, a ideia simples de que a sociedade é diversa, que documentários, assim como filmes e livros, ...
O que Trump custou à América
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Por Thomas Friedman Quando se tem um país do tamanho da China — 1,4 bilhão de pessoas — com o talento, a infraestrutura e a poupança que possui, a única maneira de negociar é com alavancagem do nosso lado da mesa. E a melhor maneira de conseguir essa alavancagem teria sido Trump reunir nossos aliados na União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Brasil, Vietnã, Canadá, México, Índia, Austrália e Indonésia em uma frente unida. Transformar a negociação em o mundo todo contra a China. Então, você diz a Pequim: 'Todos nós vamos aumentar gradualmente nossas tarifas sobre suas exportações nos próximos dois anos para pressioná-los a fazer a transição de uma economia voltada à exportação para uma mais orientada ao mercado interno. Mas também vamos convidá-los a construir fábricas e cadeias de suprimento em nossos países — empreendimentos conjuntos 50-50 — para que sua expertise seja transferida de volta para nós, da mesma forma que vocês nos forçaram a fazer por vocês. Não queremos u...
Democratas
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Por Alex da Matta Esse show de pânico moral com presidenciáveis de direita subindo no palanque pela anistia mostra como boa parte do que se chama de "moderação" e "democracia" no Brasil é, na prática, uma ideologia intolerante e radical. Há um ano, uma pesquisa do Datafolha mostrou que dois terços dos brasileiros viam o 8 de janeiro mais como vandalismo do que como tentativa de golpe. Em dezembro, outra pesquisa do mesmo instituto apontou que um terço dos brasileiros apoiava a anistia. É coerente: a ideia de que aquilo foi um golpe não colou, mas as imagens da destruição ficaram. As pessoas ainda querem punição para os vândalos. O caso da Débora ganhou força porque, aos poucos, muita gente percebeu que até quem não quebrou nada está pegando 14 anos de cadeia. Isso não parece razoável. E aposto que as próximas pesquisas deve mostrar crescimento no apoio à anistia. Para quem parte dessas premissas, e são muitos, anistiar depois de dois anos de prisão parece ju...
O Mercado não é um projeto social
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Por Natália Beauty Tem gente que acredita que o mundo dos negócios é uma espécie de ONG disfarçada. Que o investidor tem a obrigação de financiar seus sonhos. Que o sucesso alheio é ofensivo. Que a desigualdade é uma desculpa pronta para a explicação do fracasso próprio. Mas aqui vai uma notícia: ninguém te deve nada. O mercado não liga para sua história, sua origem ou sua dor. O mercado quer resultado. E ponto. Enquanto uns perdem tempo culpando o sistema, tem gente lá fora acordando às 5h, estudando, errando, tentando de novo, se reinventando e, claro, vencendo. Não porque nasceram ricos. Mas porque decidiram parar de reclamar e começar a agir. Gente que entende que a vida não tem botão de feedback social, tem entrega. O problema não é falta de oportunidade. É o excesso de narrativa. Todo mundo quer palco, holofote e reconhecimento, mas poucos estão querendo ralar no escuro, sem aplauso, até fazer acontecer. Vivemos uma epidemia de profissionais indignados que acreditam que b...
Simplesmente brilhante
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Por Stephen Kanitz Trump foi simplesmente brilhante Se você criticou o “jeito” de Trump sem entender a complexa arte da negociação, pare agora e apague o que escreveu—caso contrário, só estará expondo sua ignorância. Se você não tem um MBA ou sequer um curso básico de Negociação Estratégica, você é a última pessoa que deveria opinar sobre o assunto. Trump, por outro lado, já negociou centenas de vezes ao longo da vida, tem formação sólida e até escreveu The Art of The Deal. Ele sabe que uma boa negociação não pode ser um jogo de soma zero, precisa ser um ganha-ganha, pois, do contrário, o acordo jamais será cumprido. Zelensky, um comediante sem experiência real em negócios ou diplomacia, não percebeu o que estava acontecendo. Trump estava articulando um substituto para a OTAN, garantindo a segurança da Ucrânia sem amarrar os EUA em um conflito sem fim. O acordo comercial que poderia ter sido assinado ontem mesmo foi sabotad...