Postagens

A Queda da Bastilha Brasileira

Imagem
O episódio da Queda da Bastilha foi o ícone do desmoronamento do Ancien Régime francês. Simbolizou não só o marco inicial da Revolução Francesa, mas também a sucumbência da monarquia na França e de todo o sistema de servidão medieval no qual se apoiava. A ascensão dos princípios modernos pelos revoltosos pavimentou o caminho para que o Império de Napoleão os levasse aos povos conquistados, fomentando, por fim, o desaparecimento das relações servis em toda a Europa. A Modernidade, portanto, chegava a seu ápice. Contudo, não foi plenamente efetiva. Pelo contrário, os princípios modernos tardaram a chegar em vários locais do mundo. O Brasil é um exemplo. Muitos podem argumentar que a monarquia há muito desapareceu em Pindorama, mas há de se observar que as relações servis, patrimonialistas, perduraram. A cultura brasileira não absorveu bem os valores da liberdade, da ordem secular, do governo popular. Com efeito, há no imaginário nacional um completo disparate: o bem público é s...

A revolta das elites

Imagem
O Século XX foi caracterizado pela revolta das massas. Mas, hoje, vivemos a revolta das elites. Parece estranho o que escrevi? Bom, veja por esta perspectiva: por muito tempo, as elites controlaram o mundo, tanto no que diz respeito às riquezas materiais quanto em relação à cultura. A partir de determinado momento, no entanto, a Democracia, o Estado de Direito e o Capitalismo promoveram uma mudança de rumos: agora o povo poderia, teoricamente, controlar a política. Até certo ponto, isto é verdade. Contudo, o sistema nunca foi perfeito e vários se revoltaram contra aquilo que achavam uma farsa. Fizeram de tudo para destruir tal sistema, sobretudo uma pretensa elite intelectual que se dizia parte do povo. Assumiu, com petulância, a tarefa de guiá-lo contra os "opressores", negando o fato de que talvez ela mesma fosse parte do aparato "opressor". Essa narrativa prevaleceu por um bom período da história humana. Massas de indivíduos renunciaram à sua autoco...

O grito de independência do brasileiro

As eleições mais importantes da Nova República se aproximam, mas o que realmente está em jogo? Os grandes problemas nacionais são conhecidos (ou deveriam ser). Há gigantescos gargalos estruturais, tanto na economia como nas finanças públicas. O próximo presidente deverá, imediatamente após eleito, tecer relações amistosas com as forças políticas constituídas e alcançar um consenso para sanar tais questões. A alternativa é a derrocada financeira do Estado e a estagnação do país na pobreza. Mas há, ainda, um outro conflito a ser superado: a independência moral e ética da sociedade brasileira frente ao  establishment cultural. Por muito tempo ficou a nossa sociedade refém da moral e dos costumes marxistas e de uma cultura que privilegia a destruição das principais instituições construídas ao longo dos séculos pela humanidade.  Estado de Direito, Democracia, Capitalismo, Família, Ética Judaico-Cristã, Filosofia Clássica. Todo o legado da civilização ocidental corre perigo...

O que será do Brasil?

A democracia brasileira por um triz Faltam poucas semanas para as eleições de outubro, eleições estas que provavelmente serão as mais importantes da Nova República, capazes de definir a situação do país não só nos próximos anos, mas talvez nas próximas décadas e gerações. O que há de se considerar, primeiramente, é que o estado brasileiro está em ruínas. O modelo político e institucional de 1988 falhou. As contas públicas beiram a anarquia, tanto a nível federal como estadual. As instituições servem a poucas classes e setores que se beneficiam do acesso ao poder (servidores públicos da elite e mega empresários, por exemplo), enquanto a maior parte da população é asfixiada pela enormidade de normas e obrigações para com o Estado. Com a morte da sociedade, também morre o próprio Estado e isto poucos parecem perceber. Diante desse cenário, resultado de inúmeros fatores históricos e institucionais, deu-se a reação da sociedade (des)organizada. Desorganizada porque só a visão de...

Resenha: 21 lições para o século 21

Imagem
O sombrio futuro da humanidade (ou mais um conto niilista) Yuval Noah Harari nos impressiona mais uma vez com seu novo livro. Se nas obras anteriores o autor tratou de esquadrinhar o passado e delinear as tendências do futuro, nesta Harari se ocupa do presente e enumera os desafios da humanidade para as próximas décadas. O cenário não poderia ser mais sombrio. Didaticamente, Harari explica que o mundo do Século XXI caminha para a superação (um eufemismo para o completo colapso) das democracias liberais, não tanto por uma problemática externa, como foi no século passado, mas por conta da disrupção tecnológica constante no campo das ciências informacionais e biológicas e da própria incapacidade humana de gerir problemas em larga escala.  Parece enredo de ficção científica? Sim, mas tal fato está mais próximo do que pensamos, como demonstra o autor. As democracias liberais provavelmente serão solapadas por essa disrupção tecnológica que pode produzir massas de humanos ir...

Resenha: Um Cântico Para Leibowitz

Imagem
“Será que não temos escolha a não ser bancar a fênix e repetir sua interminável sequência de ascensões e quedas?”. Esta é a reflexão primordial da interessantíssima obra de Walter M. Miller Jr., ganhadora do Prêmio Hugo de 1961. Estaria a humanidade para sempre condenada a incorrer nos mesmos erros, desde que desceu do Éden e construiu sua morada na Terra? Por que Cesar e seus seguidores perverteram a obra de Deus e criaram a sua própria, fadada eternamente ao fracasso? “Minimizar o sofrimento e maximizar a segurança eram os propósitos naturais e adequados da sociedade de Cesar. Mas, depois, tornaram-se os únicos propósitos, de algum modo, e a única base da lei... uma verdadeira perversão. Inevitavelmente, portanto, ao buscá-los, encontramos somente seus opostos: o máximo sofrimento e uma segurança mínima”. Tais questões tem como pano de fundo o futuro distópico, pós-holocausto nuclear, vivido pelos monges da Ordem de São Leibowitz, os quais mantiveram o ideal de seu funda...

Resenha: A Corrupção da Inteligência

Imagem
O mal-estar dos intelectuais Corrupção da Inteligência é a mais nova obra do antropólogo e analista político Flávio Gordon. Com maestria, ele descreve e critica a tragédia cultural que se abateu sobre o Brasil desde o início dos anos 1960, caracterizada pela hegemonia do imaginário político-ideológico das esquerdas. Sob arguta análise filosófica e antropológica, o autor demonstra como se deu a “guerra de posição” dos socialistas nos últimos cinquenta anos, os quais, abandonando a luta armada e política, mais visível, decidiram ocupar espaços culturais diversos (em especial a Academia), numa transfiguração silenciosa das instituições ocidentais. Conforme esclarece Gordon, a nova esquerda, agora influenciada por autores da Escola de Frankfurt e pelo italiano Antonio Gramsci, obteve grande sucesso em tal empreitada, principalmente no Brasil, país em que as instituições nunca foram fortes.  O resultado dessa estratégia foi a degradação da intelectualidade brasileira. Tomada ...