Pobres...
Pobres de nós, brasileiros, que deixamos nosso destino nas mãos de populistas demagogos, arrivistas ignorantes e bandidos da pior espécie.
Será que não poderíamos ter produzido nada de melhor?
Há alguns anos, lá pelos idos da década passada, ainda havia certa esperança. As pessoas foram às ruas, puseram suas reinvindicações à mesa. Ainda havia a crença de que a política, de que o sistema político inaugurado em 1988, poderia resolver os problemas do país. As pessoas queriam ser ouvidas pela classe política que elegeu. Queriam melhores condições de vida, queriam respeito à lei, queriam oportunidades para prosperar.
No entanto, qualquer idealização de melhora ruiu nos anos seguintes. O dito sistema político fracassou flagrantemente. Qualquer tipo de transformação não passou de miragem.
O que se viu foi o seguinte: a inabilidade e podridão da classe política, beneficiando-se a si própria por meio desse sistema, que não representa os interesses da maioria desorganizada; ao revés, favorece somente minorias que conseguem exercer seu poderoso lobby. A “Constituição Cidadã” não resistiu ao teste do tempo e se tornou a Constituição dos Sanguessugas.
Para além disso, concorreram as tensões políticas existentes pré-88. Estas não foram resolvidas e, delas, surgiu uma elite urbana ressentida e vingativa, que sorveu do caldo das ideologias vermelhas. As novas gerações, que sequer vivenciaram os anos de chumbo, também consumiram desse caldo e, agora ocupando posições de poder, utilizam-no para calar dissidentes e impor goela abaixo suas vãs aspirações.
Vide o que se tornou o direito hoje (com minúscula mesmo): um nada. Reduzido a mero instrumento do jogo de poder, como se fosse inteiramente dominado pela política e pelos mais baixos apetites humanos (não é isso que sustentam os vermelhos?), foi dilacerado. Direito ao livre pensar, direito de manifestação, devido processo legal: garantias básicas do exercício democrático jogadas no lixo pelas próprias instituições que juraram defendê-las, como o judiciário e o ministério público (em minúsculo mesmo, reitero), dois centros de poder deformados por ideologias e politicagem.
E qual foi a reação a esse descalabro? A emergência de um populismo demagógico, hipócrita e obsceno. Tanto à esquerda quanto à direita (se é que podemos utilizar esses termos hoje).
De um lado, o populismo vermelho se beneficiou desse sistema e corroeu a democracia por dentro. Sim, ninguém com dois neurônios acredita mais na mentira de que o populismo vermelho é sinônimo de democracia. Os militantes, sim, mas estes não têm mais do que dois neurônios.
Do outro, o populismo cinzento de “direita”. Direita entre aspas porque o que chamam de direita não possui qualquer ideologia ou baliza. É um agrupamento heterogêneo de seres humanos, tocado por oligarquias antigas e novos arrivistas que se beneficiaram do sentimento antiesquerda, por meio de marketing de rede social. Despreparados, sem visão e sem norte – em sua maioria, pois há gente boa entremeando-se.
A epítome desse estado de coisas veio no “debate” de ontem, em que dois homens, minúsculos como o resto do país, optaram por trocar socos em um ringue de palavras a discutir os rumos da nação. Um, senil como suas ideias, o outro, um sofista que se amparou em espantalhos e é dado às milícias. Um espetáculo grotesco, uma elegia à decadência do Brasil (e do Ocidente como um todo).
Pobres de nós.
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