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Descartáveis

Somos todos descartáveis? A sociedade atual quer sempre mais, mais e mais. O consumismo impera, de forma que até os seres humanos tornam-se bens de consumo. Das modelos novas em roupas caras aos trabalhadores braçais, todos não passam de mercadorias.  Até os relacionamentos: não está satisfeito com o seu atual? Ele está aquém das suas elevadas expectativas? Basta procurar outro no mercado! E assim se procede, não importa a sua posição, gênero, classe, idade... Todos são descartáveis. 

Carta aos enclausurados

Tenho um recado a todos os enclausurados nesta crise. É simples e direto: não saiam de casa.  Quem tiver o privilégio de ficar somente em casa, fique. É difícil apartar-nos de quem amamos. É difícil viver uma vida de isolamento. As oportunidades diminuem. Os conflitos se agravam. Contudo, não sejamos estúpidos e egoístas: toda vez que entramos em contato com outrem, corremos o risco de levar a peste para dentro do próprio lar. Gostariam que seus entes queridos contraíssem a moléstia? Imagino que não. Lembrem-se da responsabilidade para com quem nos é importante. Sejamos menos egoístas. Nossa carência não é relevante. Nossa obtusidade é o mal do mundo. Ninguém se importa com nossos sentimentos. Ninguém dá a mínima. Mas podemos utilizá-los para proteger quem amamos. Pensem nisso. Pensem nos corpos acumulados na porta de cada hospital. Pensem, por um segundo, que poderiam ser um de vocês... ou alguém que amam.  Imaginem a cena, na podridão da sua alma. Humilh...

Sacrifício

"Nem todos os sacrifícios têm a mesma qualidade. Além do mais, geralmente parece que sacrifícios de qualidade aparentemente maior não são recompensados com um futuro melhor - e não fica claro o porquê". Jordan B. Peterson

A insignificância do homem

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Hoje faz um dia cinza. A rua está deserta. As praças, fechadas. As pessoas têm medo. Mas tenhamos fé: a situação há de melhorar!  Resgatei esta foto das brumas do tempo (ajudado pelo Google). No primeiro plano, a Paróquia de Nsa. Sra. de Fátima (Igreja da Assembleia). Ao fundo, as luzes da cidade acenam para o céu decorado com a lua crescente em conjunção com Vênus.  Um lampejo para nos relembrar o quanto somos minúsculos, não temos poder sobre nada e todos os nossos dramas equiparam-se à agonia de insetos. No entanto, o tempo continua sua caminhada implacável, atropelando as preocupações humanas. Paciência, pois nada perdura para sempre.

A estratégia de Jair Bolsonaro

Chegou-se à derradeira provação da República. O sistema político cunhado em 1988 terá, na crise que ora se passa, o seu maior teste. O presidente, sempre com sua estratégia beligerante, está isolado. O diálogo com o Congresso foi perdido. Setores da classe média, os quais só votaram em Bolsonaro por aversão à esquerda radical, ressentiram-se de sua patética condução da crise e do escárnio em relação ao vírus. Inúmeras vidas estão em jogo e o pânico assoma.  Diante disso, o mandatário da cadeira mais importante da República proclamou, em rede nacional, discurso virulento e recriminatório que chocou muita gente. Os gritos de irresponsável e psicopata emanaram das janelas e dos celulares. No entanto, engana-se quem acredita na sua queda imediata. Bolsonaro tem mais cartas na manga que os incautos podem imaginar. Na verdade, sua aposta foi alta e ele pode sair da crise mais forte ainda. Surpreso? Então, entenda: o Brasil não tem condições de sustentar um lockdown de gr...

Conto: O ocaso do homem

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Olhava pela janela sem muito entusiasmo, enquanto fumava um cigarro barato. As luzes da cidade reluziam lá embaixo, uma garoa fina caía sob o céu plúmbeo. Ansioso, decidiu deitar no chão mesmo. Olhava para o teto e soltava baforadas sem qualquer cadência. A fumaça serpenteava pelo cômodo lúgubre.  Sacando o celular, reprisava pela enésima vez as mesmas notícias: quarentena e isolamento. Para ele, aquilo era um suplício. Sentia-se numa prisão. Acostumado a andar a esmo pela urbe, desgarrado de tudo e de todos, a reclusão lhe proporcionava o pior dos mundos. Publicava coisas sem nexo nas redes sociais em busca de um pouco de atenção. Ninguém se importava, deixando-o mais inquieto ainda. Vestindo a surrada jaqueta de couro, decidiu agir. Saindo do quarto, não deu satisfações à família, que estava em pânico. Silenciosamente abriu a porta de entrada e deu o fora, tomando a rua após descer as escadas.  Caminhou pelas avenidas desertas. Não havia alma viva, exceto po...

Justiça Social

"Quando os argumentos se desenvolvem em nome da justiça social, é, por certo, difícil vencer o fascínio que eles provocam, principalmente quando vêm revestidos pelo vigor da cultura e pela elegância da forma". Aroldo Plínio Gonçalves