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A moral

"A primeira exigência da civilização é que os homens estejam dispostos a reprimir seus instintos e apetites mais baixos: falhar nisso faz deles, precisamente porque são inteligentes, muito piores que meras bestas". Theodore Dalryple

O resgate

Estava num mar de trevas quando você apareceu. De repente, vi a luz e tive esperança. O que seria de mim sem você? Não gostaria de ser assim, fraco. Mas é o que sinto. Para mim, um milagre aconteceu. Para muitos, algo corriqueiro. Para mim, a vida.

Resenha: Tropas Estelares

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Ficção científica com os pés no chão Tropas Estelares ganhou o Prêmio Hugo, concedido às melhores ficções literárias, no ano de 1960. Foi pioneiro no gênero "ficção militar espacial": percorre a jornada do soldado, desde o árduo treinamento básico até sua promoção e clímax nas batalhas (interestelares). Contudo, não se trata de verdadeira ficção científica. O pano de fundo é a sociedade presente, velada pelo contexto do espaço profundo. O autor, Robert A. Heinlein, um oficial reformado do exército americano, utiliza desse recurso para nos convidar a inúmeras reflexões atuais, no campo moral, social e até mesmo filosófico. Sua obra acaba se tornando densa, não pelo aspecto literário, mas teórico-argumentativo, o que pode decepcionar alguns leitores, como de fato o faz. A princípio, o trabalho foi criticado pelo seu viés "fascista" e, até hoje, é menosprezado em determinados círculos por conta de seu forte posicionamento em temas conservadores. A crítica é med...

Paciência

"Tenha paciência com tudo, especialmente com você mesmo. Não perca a coragem quando refletir sobre as suas próprias imperfeições, mas trate de remediá-las imediatamente, renovando essa tarefa todos os dias." São Francisco de Sales

O princípio da presunção de inocência

Diante do cenário conturbado que se avoluma, permiti-me estabelecer algumas reflexões (jurídicas) sobre a questão fulcral do momento: o princípio da presunção de inocência.  Em se tratando de princípio (e não de regra), insculpido no Art. 5º, LVII da Constituição Federal, a presunção de inocência quer significar,  ipsis litteris , que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Em outras palavras, o constituinte de 1988 estatuiu, numa hermenêutica gramatical, que a formação de culpa, na esfera criminal, somente ocorrerá se houver o esgotamento de todas as instâncias jurisdicionais. No entanto, a doutrina constitucionalista mais sólida entende que não se pode interpretar o texto constitucional tomando seus termos individualmente e gramaticalmente. O texto constitucional é uno e formalmente superior aos demais. Logo, deve ser considerado em conjunto e sem hierarquias internas.  Excetuando-se os intricados debat...

Frígida Dama

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Moça de neve, nosso amor é tão leve! Tua presença encanta, mas o gelo é de santa. Olhos como o oceano: tão misteriosos que me deixam insano. Eis que meu navio soçobra envolvido pelo aperto da cobra. No mar, o frio cortante. Aceito meu destino hesitante. Onde mora a desconfiança, padece a esperança. Todavia, chega o resgate vindo em fogo escarlate. Mostra tua cara, criatura! A vida pode ser ventura! Singra as águas com teu lume; desbrava a dúvida negrume. Com efeito, é com a chama que se conquista a frígida dama.

O que é o amor?

Ah, o amor! Esse fenômeno tão antigo quanto a vida na Terra; assim dizem biólogos e poetas. Estes, ao longo da história, decantaram-no em canções eternas e em elegias desertas. Aqueles viram-no em tubos de ensaio: nada além de uma explosão hormonal. Nosso senso-comum, formado em décadas recentes, o tem como mero sentimento de interesse, afeição, libido. Não se nega, porém, sua ambiguidade. É júbilo e dor; é vaidade e humilhação. É tudo e nada, ao mesmo tempo. Contudo, o verdadeiro amor transcende a singela emoção: é ação. O verdadeiro amor é um ato de vontade com fundo moral. O verdadeiro amor é o comportamento íntegro em face dos infortúnios do mundo. É o desafio que embaraça o próprio Mal. É a postura de força, autoridade e sacrifício. É a atitude arquetípica do homem perfeito. O que é o amor, senão a nossa parcela divina?