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A verdadeira resistência

Como o Ocidente se apaixonou pelo fracasso e como salvá-lo de si mesmo Não gosto de gráficos, muito comumente são chatos e tendem a quantificar coisas que, por vezes, são inquantificáveis; a indefinição da vida humana me parece muito mais promissora que seus cálculos econométricos e curvas exatas. Mas até eu tenho que me render ao gráfico do Our World Data sobre o nível de extrema pobreza do mundo de 1820 até 2018. Para termos uma noção de como o crescimento econômico no Ocidente foi gigantesco e arrebatador, o economista Angus Maddison calculou em seu livro The Rise and Fall of Americam Growth, que do ano 1 ao 1820 a economia mundial cresceu apenas 0,06%; Deirdre McCloskey, em Bourgeois Dignity, afirma que até o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, quase todo mundo vivia com no máximo 3 dólares por dia. Mas algo assustador e magnífico ocorreu entre os séculos XVI e XVIII, gerando um boom de prosperidade que redesenhou as capacidades racionais, políticas e sociais, bem com...

O que esperar de 2022?

Tirem as crianças da sala. E vamos falar de 2026. Por Alexandre Borges Duzentos dias nos separam do primeiro turno das próximas eleições. O que pode acontecer? Tudo, mas é preciso que conversemos, com urgência, sobre como o cenário está se desenhando. E o que fazer a respeito. O retrato do momento atual, acredito que qualquer observador intelectualmente honesto concorde, é que Lula tem uma vantagem muito folgada e relativamente sólida, seguido de longe por Bolsonaro que luta, com tudo que sua caneta pode fazer junto com a criatividade de Valdemar Costa Neto, Arthur Lira e Ciro Nogueira, para conseguir que haja ao menos um segundo turno. As candidaturas da terceira via hoje são um sonho de verão, até agora meras distrações. Ciro Gomes continua circunscrito a um dígito nas pesquisas, uma situação mais que constrangedora para um político com uma carreira tão extensa e com o marqueteiro mais caro e polêmico do país. Sua tentativa de rejuvenescimento de imagem nas redes sociais, até agora, ...

Sabedoria

A acadêmica e professora da University of the Arts em Philadelphia, Camille Paglia nasceu em 2 de abril de 1947. A sabedoria da aniversariante da semana: “Os homens sacrificaram-se e mutilaram-se física e emocionalmente para alimentar, abrigar e proteger mulheres e crianças. Nenhuma de suas dores ou conquistas é registrada na retórica feminista, que retrata os homens como exploradores opressivos e insensíveis.” “O patriarcado, rotineiramente culpado por tudo, produziu a pílula anticoncepcional, que fez mais para libertar as mulheres contemporâneas do que o próprio feminismo.” “A mulher é o sexo dominante. Os homens têm que fazer todo tipo de coisa para provar que são dignos da atenção da mulher.” “O feminismo contemporâneo se separou da história e faliu quando teceu sua fantasia pueril e paranóica de opressores masculinos e vítimas de objetos sexuais femininos. A mulher é o sexo dominante.” “Eu digo que a lei deve ser cega para raça, gênero e orientação sexual, assim como afirma ser ce...

Proibido

Arthur do Val, o "Mamãe, Caguei", disse algumas lorotas recentemente. É claro que ele foi execrado. A sociedade hoje tem ojeriza a certos temas. Por exemplo, o que há algum tempo atrás seria desprezado como "conversa de homem", hoje é considerado "discurso sexista". Um brasileiro ficar embasbacado com as mulheres europeias é tido como algo proibido. Tá certo que ele foi burro: 1) para que fazer essa viagem sem pé nem cabeça?; 2) uma pessoa pública, hoje, não pode usar meios de comunicação sem alguma vigilância e deve escolher bem as palavras, inclusive no privado, pois o risco de sabotagem é grande; 3) depois que a merda já estava feita, ele se acovardou. Afinal, o áudio claramente foi tirado de contexto: não se sabe ao certo se ele estava se referindo às europeias que passaram por ele durante a viagem ou às ucranianas da fronteira.  De todo modo, ele disse algumas verdades. As mulheres brasileiras, atualmente, estão se achando pra cacete. Qualquer meia bo...

Quando a Terra ficou azul

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Por Fabrício Caxito As primeiras fotos da exploração espacial imortalizaram a Terra como uma bola de gude azul. Um extraterrestre que dela se aproximasse no passado distante, porém, não veria os mares azulados cobertos por nuvens brancas. Nosso planeta tem cerca de 4,5 bilhões de anos, e hoje sabemos que ele sempre esteve em contínua mudança, os elementos químicos em permanente troca entre a biosfera, a atmosfera, a litosfera e a hidrosfera, e os processos tectônicos alterando o tempo todo sua fisionomia. Como teria sido a Terra? Por quase metade de sua vida, durante o Hadeano e Arqueano, a atmosfera terrestre era bem diferente da atual. O oxigênio era praticamente inexistente, como atestam minerais em rochas sedimentares mais velhas do que 2,5 bilhões de anos que não são estáveis na presença deste elemento. Hoje nossa atmosfera tem cerca de 21% de oxigênio. Sem isso, não estaríamos aqui. De onde ele teria surgido? Evidências fossilíferas e moleculares sugerem que entre 3,5 e 2,5 bilhõ...

Ação e reação

Por Maurício Loup Nada fica impune. A Ucrânia, cansada dos políticos (o que é compreensível), votou no Danilo Gentili deles. Sim, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, é um humorista famoso que protagonizou uma série de TV onde um professor, acidentalmente, se tornava presidente do país. A vida imita a arte? Não. A vida quase sempre imita um enlatado americano feito para TV. Hoje os ucranianos se perguntam em uníssono: o stand up vai suportar a pressão da Rússia? Por outro lado a América, cada vez mais infantilizada e frágil, escolheu como presidente um idoso já quase senil e que já possui um dos piores índices de aprovação da história do país, isto porque o sujeito está apenas há um ano no cargo, porém o estrago, mesmo no curto espaço de tempo, é gritante. É isto que ocorre quando a população eleva Lady Gaga, Tom Hanks, Eddie Vedder, e outros imbecis, ao nível de influenciadores sobre geopolítica. A América hoje está mais preocupada em cumprir a agenda do progressismo, colocand...

Cadáveres

Estão devidamente posicionados na lata de lixo da minha vida:  os doutores, as excelências e os pronomes de tratamento de modo geral; a afetação ridícula dos corredores dos fóruns, incluídos aí os ternos cafonas; a verborragia vomitada em petições e sentenças; as autoridades, os burocratas - os vermes que parasitam a sociedade; os concurseiros e bitolados, toxicomaníacos de ritalina em sua maioria; os acadêmicos de direito semianalfabetos e seus mestres em papelocracia; as dissertações e teses que se amontoam em cantos imundos das bibliotecas; os títulos e artigos extraídos do reto docente; o ritual de pose, vaidade e falsidade dos recém-formados; a oab - organização dos antílopes babuínos, em minúsculo mesmo; Moscas voam sobre esses corpos putrefatos. E a vala não para de aumentar...